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VATICANO: 17/12/2004
Mártires
Mártires cristãos, patrimônio
da Igreja e da humanidade
Devido aos valores que encarnaram, até o sacrifício de
sua vida, os mártires cristãos não só são
patrimônio da Igreja, mas de toda humanidade, afirmou dom Edward
Novak, secretário da Congregação para as Causas dos
Santos. Este é o centro da intervenção realizada
por dom Novak em 9 de novembro passado, com ocasião da inauguração
do novo ano acadêmico do "Studium" da Congregação
para as Causas dos Santos, celebrada no Instituto Patrístico Augustinianum.
O "Studium", que no ano passado completou vinte anos de sua
inauguração, foi criado ante a necessidade de formar pessoas
especializadas para levar adiante uma causa de canonização,
desde as primeiras fases. Até o ano passado, os estudos foram realizados
por mais de 1.600 pessoas. O texto da intervenção, com o
título em italiano "A Igreja é novamente a Igreja dos
mártires", foi distribuído em um pequeno volume com
a edição de "L´Osservatore Romano" em italiano
de 8 de dezembro passado.
"O século recém-terminado foi apresentado como tempo
de numerosos mártires -observou o prelado-. Alguns historiadores
afirmam que no século XX o cristianismo experimentou a maior perseguição
de sua história". Segundo João Paulo II, "ao final
do segundo milênio, a Igreja é de novo Igreja de mártires,
as perseguições contra os crentes, sacerdotes, religiosos
e leigos produziram uma grande seiva de mártires em diversas partes
do mundo".
"Com segurança, posso afirmar que, desde sempre, o martírio
formou parte da vida da Igreja", sublinha Novak, citando por exemplo
a perseguição do povo armênio, os mártires
mexicanos e espanhóis, o período nazista e o do comunismo,
assim como o atual. Segundo o prelado, "os mártires são,
em primeiro lugar, um valor inestimável e precioso em si mesmo
para a mesma Igreja. Em segundo lugar, são portadores de uma grande
mensagem. Seu martírio é sobretudo o testemunho da fé
e da Igreja".
"Em especial, o mártir é um testemunho que iniciou
o seguimento de Cristo até a entrega da vida para testemunhar a
verdade do Evangelho". Novak constata que o martírio é
"um escândalo, o absurdo, o paradoxo do cristianismo. De um
mártir assassinado, nasciam outros fiéis, centenas, milhares.
Não existe uma explicação racional! Talvez existe
uma, ou seja, a pessoa de Cristo, sua derrota na cruz, que gerou o cristianismo
e milhões de cristãos em toda época".
O secretário da Congregação para as Causas dos Santos
concluiu afirmando que "os mártires são também
um grande patrimônio da humanidade. Estas pessoas, na linguagem
civil, são heróis da sociedade". "Encarnam valores
de civilidade, fidelidade, solidariedade, primado da consciência,
primado do ser sobre o ter, do heroísmo até a morte, do
perdão e da ajuda", afirmou. "Por isso, são as
páginas mais belas e verdadeiras da história. Não
só as da Igreja, mas também da humanidade", concluiu.
Zenit
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