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SERRA LEOA: 22/11/2004
Testemunho
Missionário que trabalhou por seis
anos na recuperação das crianças-soldado
"Encontrei-me em uma situação muito difícil
e muitas vezes era tentado pelo desespero, vendo a vida destruída
de tantas crianças, mas a Eucaristia me deu a força para
poder continuar a trabalhar sem perder a esperança". Padre
Luis Pérez Hernández, missionário Xaveriano espanhol,
que trabalhou por seis anos em Serra Leoa, dedicando-se principalmente
a um programa de reinserção de crianças-soldado,
conta a sua experiência para a Agência Fides.
"Primeiramente, trabalhei no norte de Serra Leoa e depois em Freetown,
em 3 centros de refugiados de passagem. A pastoral que realizávamos
era uma pastoral de emergência, devido à situação.
Chegava muita gente que teve que fugir por causa da guerra. Nós
os acolhíamos e a comunidade se encarregava de suprir suas necessidades.
A catequese era ocasional, nós insistíamos muito principalmente
nos temas do acolhimento, da solidariedade e da reconciliação,
as prioridades para a Igreja católica em Serra Leoa."
Os missionários Xaverianos administram um centro de reabilitação
para crianças-soldado. "As crianças chegam ao nosso
centro e pouco tempo depois começam a contar a sua vida, o seu
drama. Muitas delas foram seqüestradas, algumas com apenas sete anos,
e obrigadas a matar, a destruir, a serem soldados. Foram educadas para
a violência, considerada como um valor. Para terem sucesso, precisavam
ser violentos", conta a Fides padre Luis.
O principal trabalho dos missionários era tentar oferecer um futuro
através da escola, aprendendo uma profissão, hospedando-os
em um ambiente adequado, onde pudessem reconstruir suas jovens vidas.
"O nosso principal objetivo era a reunificação familiar
- continua o padre -. Tentávamos fazer com que voltassem para as
próprias famílias. Aqueles que não eram aceitos por
seus parentes, entravam para um programa de tutela. Eles recebiam alguma
ajuda para poder trabalhar."
Diante das inumeráveis dificuldades que se encontravam para realizar
todo este trabalho, muitas vezes se fazia sentir a desilusão, a
amargura e também o cansaço, mas a força para continuar
os missionários tiravam da Eucaristia, como afirma pe. Luis Pérez.
"Da Eucaristia tirávamos as forças para viver a nossa
missão, para prosseguir o trabalho mesmo em um ambiente hostil.
Às vezes, nos encontrávamos em situações muito
difíceis e muitas vezes éramos tomados pelo desespero, vendo
a vida destruída de tantas crianças.
Mas a Eucaristia nos dava a força para não perder a esperança.
Na missão, não há tempo para muitas coisas, mas para
a Eucaristia há sempre tempo. Todas as manhãs, começávamos
o dia celebrando a Missa, mesmo que para isso fosse necessário
acordar ainda mais cedo. Como missionários e religiosos, o nosso
trabalho não é uma simples questão social, mas tudo
é animado pela fé. Mesmo que as crianças inseridas
no programa de reabilitação fossem na maioria muçulmanas,
nunca deixamos de celebrar a Eucaristia todos os dias".
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