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PAQUISTÃO: 03/12/2004
Discriminação
Discriminações contra a minoria
cristã nos livros escolares
Os textos e os programas escolares do Paquistão não consideram
a pluralidade religiosa que caracteriza a sociedade paquistanesa. É
o que constatam dois informes -dos quais se faz eco a agência "AsiaNews",
do Pontifício Instituto de Missões Estrangeiras-; um procede
do Instituto de Polícia de Desenvolvimento Sustentável (SDPI)
de Islamabad, que alerta que para eliminar a discriminação
religiosa é necessária uma reforma dos programas escolares.
Segundo sua análise, há mais de 20 anos os conteúdos
dos programas didáticos e dos livros de texto oficiais são
contrários aos objetivos e valores de um islã moderado e
progressista. Da mesma idéia é o Centro para o Desenvolvimento
Humano (HDC), dirigido pelo sacerdote católico Bonnie Mendes, que
denuncia as discriminações que os programas de estudo contêm
contra as minorias, especialmente contra os cristãos. Ambos os
informes apontam o fracasso de livros e programas no reconhecimento do
pluralismo religioso no Paquistão.
Explicam que "o ensino da "islamiat" (os estudos islâmicos)
é obrigatório só para os estudantes muçulmanos;
mas a maioria dos livros de texto está em urdu -língua que
os paquistaneses de todo credo devem conhecer- e manejam exclusivamente
o islã", inclusive "os livros de inglês têm
um alto conteúdo religioso". Igualmente se comprovou que "os
manuais escolares promovem uma idéia de nacionalismo paquistanês
segundo a qual os não-muçulmanos não só não
podem ser considerados paquistaneses, mas tampouco bons seres humanos",
enquanto que "a leitura do Alcorão, obrigatória segundo
a Constituição nacional só para os muçulmanos,
impõe-se na prática a todos os estudantes".
Também, "todos os alunos de urdu e de estudos sociais recebem
ensinamento de ritos islâmicos, como a oração (namaz)
e as abluções (wuzu)". De acordo com o informe do SDPI,
os programas escolares e os textos de estudo estimulam a violência
e a militância, enfatizando a glorificação da guerra
e o uso da força. Aponta em sua origem o intento de inibir nos
estudantes a capacidade crítica e de opção autônoma.
O ministério paquistanês da Educação, durante
a revisão dos currículos escolares de março de 2002,
não discutiu a questão dos antigos programas ainda adotados
nas escolas. Segundo o informe do SDPI, atualmente alguns destes problemas
pioraram. Dos quase 160 milhões de habitantes do Paquistão,
97% são muçulmanos (dos quais 77%, sunitas). O restante
das minorias é sobretudo de religião cristã e hindu.
Zenit
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