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ÍNDIA: 08/11/2004
Justiça
Libertado cristão indiano condenado
na Arábia Saudita por questões de fé
O cristão de origem indiana Brian Savio O'Connor, detido há
mais de sete meses na Arábia Saudita por causa de sua fé,
foi libertado e expulso de Riad na segunda-feira passada. É o que
confirma "Middle East Concern" (MEC) -uma organização
dos cristãos no Oriente Médio -, que há meses acompanha
a situação de O´Connor, de 36 anos, originário
de Karnataka (sudeste da Índia). Detido em 25 de março passado
em Riad pela "Muttawa" -a polícia religiosa saudita-,
O'Connor, de confissão protestante, foi torturado e ameaçado
de morte se não renunciasse a sua fé.
Em 15 de setembro foram imputados a ele quatro delitos: posse de álcool,
posse de dinheiro obtido pela venda de álcool, posse de vídeos
pornográficos e posse de Bíblias para sua atividade de pregador
cristão. O acusado, sua família e o MEC sempre desmentiram
categoricamente as acusações -como seus empregados sauditas-
e manifestaram que Brian tinha em sua casa algumas Bíblias, entre
elas uma em árabe, e que acolhia periodicamente também em
sua residência um grupo de estudo bíblico de distintas nacionalidades,
cujos membros estavam na Arábia por motivos de trabalho.
Brian admitiu que começou a orar e ler a Bíblia em seu
domicílio após o anúncio oficial das autoridades
sauditas que concedia aos não-muçulmanos na Arábia
a possibilidade de praticar sua fé em particular. Em 20 de outubro
passado os juizes condenaram O'Connor a dez meses de prisão e trezentas
chibatadas por venda de álcool, mas "surpreendentemente"-afirma
"AsiaNews"- não se tornaram a formular as outras acusações
como nas anteriores ocasiões. Rejeitando o veredicto, O'Connor
anunciou que apelaria, apesar de o tribunal o avisar de que a ordem jurídica
saudita prevê um enrijecimento da pena se considerar o condenado
culpado em última instância.
O movimento indiano para os direitos civis e a liberdade religiosa está
"entusiasmado" pela libertação de Brian Sávio
O'Connor , segundo manifesta em um comunicado John Dayal, conhecido ativista
indiano a favor dos direitos humanos e da defesa das minorias. A libertação
"sem condições" de O'Connor aconteceu depois de
uma campanha internacional de solidariedade empreendida por Dayal, presidente
de "All Índia Catholic Union", organismo que representa
16 milhões de católicos indianos, e secretário-geral
de "All Índia Christian Council"-que representa cristãos
de diversas confissões.
Em junho Dayal escreveu ao rei saudita Fahd bin Abdulaziz Al Saud solicitando
um "processo justo" para seu compatriota. Depois de saber de
sua condenação, em 26 de outubro voltou a dirigir-se ao
rei saudita solicitando clemência para O'Connor. Em 1.º de
novembro O'Connor foi enviado a Bombaim, onde recebeu o abraço
de seus amigos. Durante estes meses de detenção em Riad,
faleceram seu pai e uma irmã. Brian Sávio O'Connor trabalhava
na seção de equipamentos de Saudia Airlines desde abril
de 1998. Na ocasião da libertação de O'Connor, Dayal
lançou um chamado ao governo indiano para que atue "com maior
empenho para ajudar os cidadãos indianos que são presos
no exterior sob acusações falsas".
Zenit
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