Revista "MUNDO e MISSÃO"

Teologia

José Ariovaldo da Silva


O subtítulo acima é do precioso livrinho de um irmão de caminhada no grande mutirão de formação litúrgica em nosso Brasil. Trata-se da obra Preparando passo a passo a celebração; um método para as equipes de celebração das comunidades, publicado pela Paulus, do liturgista e pedagogo Pe. Luiz Eduardo P. Baronto, salesiano, membro da “Rede Celebra” de formação litúrgica popular. Baseio-me nele para indicar, de forma sucinta, os principais e necessários passos para uma boa preparação da celebração. Seguindo estes passos, teremos celebrações litúrgicas de boa qualidade: teológica, ritual, espiritual, pascal e pastoral, fazendo a ligação entre Liturgia e vida.

Pe. Baronto nos aponta oito passos, a saber:

1.º) Pedir as luzes do Espírito Santo

A reunião para a preparação da celebração deve começar, antes de tudo, com uma súplica ao Espírito Santo. É ele que age na celebração litúrgica. Por isso, é a ele também que devemos pedir as luzes quando nos reunimos para preparar a celebração. Trata-se de um passo fundamental. Sem ele, correríamos o risco de preparar celebrações cheias de sugestões e criatividade, mas vazias de espiritualidade. Portanto, iniciar a reunião com uma oração (espontânea ou recitada) ou com algum canto ao Espírito Santo (A nós descei; Vem, Espírito Santo, vem...).

2.º) Avaliar a celebração passada

Nada é perfeito. Estamos sempre nos aperfeiçoando. É o caminho da conversão evangélica. Também nas celebrações. Por isso, no passo seguinte, faz-se a memória da última celebração em que a equipe atuou, com o objetivo de melhorar as seguintes.

Pe. Baronto sugere um roteiro para tais avaliações na reunião da equipe:

a) A celebração foi, de fato, um acontecimento marcante na vida da comunidade?

b) A assembléia sentiu-se envolvida no mistério que celebramos?

c) Os cantos, símbolos, ritos, orações... ajudaram a expressar o Mistério do dia?

d) Como se deu a relação entre assembléia e equipe; assembléia e presidência; equipe e presidência?
Houve comunhão de sentimentos, de interesses?

e) Sentimos prevalecer um clima orante em nossa celebração?
O que ajudou?
O que prejudicou?

f) Os ministros e ministras agiram à maneira de Jesus?

g) Como a vida e os acontecimentos importantes da comunidade entraram na celebração?

3.º) Situar a celebração no tempo litúrgico e na vida da comunidade

Este passo se baseia em duas perguntas fundamentais:

a) Qual o Mistério que celebramos?

b) Qual a relação entre esse Mistério e a vida da comunidade?

Primeiro recorda-se a data em que a celebração vai acontecer, bem como se recorda o tempo litúrgico no qual a celebração é situada (Quaresma? Páscoa? Advento? Natal? Tempo comum? Festa de algum Santo?...).

Então se pergunta pelo Mistério que vamos celebrar, tendo como raiz sempre o Mistério Pascal de Cristo. Mas não pára por aí. É preciso, também, colocar as raízes do Mistério da Páscoa de Jesus no Mistério Pascal da vida da gente.

Para tanto, é preciso que a equipe recorde os acontecimentos da comunidade:

  • eventos sociais
  • religiosos
  • do dia-a-dia da comunidade
  • da região
  • ocorrências nacionais e internacionais

Isso vale para qualquer celebração, lembrando que a pessoa e a Páscoa de Jesus devem estar no centro de tudo.

4.º) Fazer a experiência da Palavra

Agora se procede à leitura dos textos bíblicos propostos. Lê-los e aprofundá-los.

Perguntar:

        1. Quais são os personagens presentes no Evangelho?
        2. O que falam? Para quem falam?
        3. Qual a Boa Nova ou o apelo que Jesus está fazendo?
        4. Qual a imagem pascal que aí aparece?

E mais:

        1. O que há de comum entre o Evangelho e a Primeira Leitura?
        2. Como o Evangelho nos ajuda a entender a mensagem da Primeira Leitura?

Ler também o Salmo responsorial e a Segunda Leitura, comentando.

Perguntar-se e responder:

        1. O que a Palavra diz para nós, para a nossa vida?
        2. Qual a conversão que a Palavra pede de nós?

Que sinais de salvação e de perdição ela nos indica em nossa vida, na vida de nossas comunidades e na vida do povo em geral?

5.º) Exercício de criatividade

Agora, “à luz dos passos anteriores – vida da comunidade, tempo litúrgico, Palavra de Deus – procura-se, num exercício de criatividade, fazer surgir idéias para os diversos momentos da celebração, mesmo sem ordem, à maneira de uma tempestade mental. Selecionar depois as idéias a respeito de ritos, de símbolos, de cantos, para os ritos de entrada, ato penitencial, gesto da paz, proclamação das leituras etc.”

(CNBB, Documento 43, n. 226)

6.º) Elaborar o roteiro

Em seguida (e só agora!), “passando em revista as diversas partes da Missa, escolhem-se os cantos, os ritos etc., para cada momento, registrando tudo numa folha-roteiro, que servirá de guia para os diversos ministros”.

(ibid., n. 227)

7.º) Distribuir os ministérios

É o momento da distribuição das tarefas, dos ministérios. Só agora! “Muitas equipes precipitam-se e começam a reunião dividindo logo as funções. Certamente, esse não é o melhor caminho, pois, como vimos, a preparação de uma celebração não se resume a um simples distribuir de tarefas. Trata-se de um processo comunitário de oração e de discernimento, que deve alcançar o objetivo de expressar e viver o Mistério da Páscoa de Jesus na comunidade reunida em assembléia. Um ministério litúrgico deve ser sempre desempenhado tendo presente a imagem do Cristo Servidor de todos. Longe de nós aparentarmos qualquer sinal de superioridade ou mesmo de prestígio na comunidade. Não se trata de dignidade maior ou menor, mas de um ‘Eu estou no meio de vós como aquele que serve’ (Lc 22,27)” (Preparando passo a passo..., p. 32-33).

8.º) Ensaiar as ações simbólicas

“Precisamos ensaiar cada passo, rito, ação simbólica e cantos que foram escolhidos pela equipe. Por isso, a equipe deve marcar, com as pessoas envolvidas na celebração, um momento para o ensaio... e é bom que seja sempre no lugar onde se realizará a celebração. Por isso, também não basta imaginar o lugar... vamos até lá para realizar, o mais proximamente, como faríamos se estivéssemos vivendo a própria celebração.

E aqui vale lembrar a ‘regrinha de ouro’ de nossa liturgia:

- é preciso saber unir a ação corporal (palavras, músicas, gestos) ao seu sentido teológico-litúrgico e a uma atitude interior que o Espírito suscita na gente através da ação que vamos realizar”.

(ibid., p. 33)

Isso vale, sobretudo, para a proclamação da Palavra: os ministros da Palavra “deveriam sempre evitar pegar de última hora o texto que irão proclamar. Os ministros da Palavra – leitores(as) – têm uma responsabilidade muito grande, pois irão comunicar aquilo que Deus quer dizer à comunidade. Por isso, não se trata de executar uma leitura qualquer. Trata-se de emprestar a sua voz, o seu olhar, as suas mãos, o seu corpo para que a mensagem de salvação chegue à comunidade reunida...”. O bom seria que os(as) leitores(as) participassem também “da reunião de preparação das celebrações, porque terão oportunidade de aprofundar melhor o contexto e o significado de cada leitura. Dessa forma, poderão também expressar melhor os sentimentos que o autor tinha no momento em que escreveu aquele determinado texto”.

(ibid., p. n.º 34)

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