Revista "MUNDO e MISSÃO"

Religião - Cristianismo

MÓRMONS: uma religião em contínuo crescimento

Alberto Garuti

Durante as últimas Olimpíadas de Inverno
eles ocuparam muito espaço na mídia.
Quem são eles e o que pensam?

As Olimpíadas de Inverno acabam de se realizar em Salt Lake City, a capital de Utah, nos Estados Unidos. Por causa disso, durante quase um mês, a mídia mundial focalizou sua atenção sobre esse Estado onde os mórmons são 70% da população. É fácil entender, então porque eles são maioria na Câmara e no Senado, nos Conselhos municipais, em todas as grandes empresas industriais e no comércio, de maneira que a Igreja mórmon consegue impor suas rígidas regras ao comportamento de todas as pessoas, inclusive no que diz respeito à alimentação. Do Estado de Utah é banido o fumo, o uso de qualquer tipo de bebidas alcoólicas e de produtos com cafeína, como café, chá e a própria Coca-Cola.


Profeta Joseph Smith

Mas quem são os
MÓRMONS?

Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: este é o nome oficial da Igreja dos mórmons que foi fundada por Joseph Smith (1805-1844) nos Estados Unidos. Dizem que a Smith teria aparecido um anjo chamado Moroni para anunciar-lhe que tinha sido escolhido por Deus para revelar ao mundo a verdadeira religião. Orientado pelo anjo, Smith teria encontrado uma série de tábuas de ouro sepultadas 1400 anos antes numa gruta de Cumurah, no Estado de New York, esculpidas pelo profeta Mórmon. Nelas, além dos ensinamentos de Jesus, estava narrada a verdadeira história do povo americano. Conforme essas tábuas, os primeiros habitantes brancos teriam chegado à América do Norte não somente antes de Colombo, mas até antes do nascimento de Jesus Cristo. Tratar-se-ia de duas tribos israelitas, os nefitas e os lamanitas, que teriam vindo pouco antes que Jerusalém caísse sob os golpes de Nabucodonosor, rei da Babilônia. Um dos reis desse povo, Mórmon, teria deixado essa história gravada sobre duas placas de ouro que estavam entre aquelas que foram encontradas e traduzidas por Smith.

O conteúdo dessas tábuas encontra-se no livro que é fundamental para essa religião, The book of mormons (O livro dos mórmons), publicado em 1830. Depois da publicação, um anjo levou as tábuas que nunca mais foram vistas. O livro narra a visita que Jesus Cristo teria feito, após a ressurreição, justamente à porção de seu rebanho que se encontrava na América do Norte e os ensinamentos que ele teria deixado a essas pessoas.


Missionários mórmons

No início, essa religião enfrentou muitos obstáculos e perseguições por causa das incompreensões que suscitou na sociedade americana, como, por exemplo, por causa da poligamia que Smith permitiu a seus adeptos. Para fugir a essas perseguições, o líder e sua comunidade atravessaram quase toda a América, chegando até o vale do Grande Lago Salgado, no estado de Utah. Ali nasceu a cidade que hoje é a capital do Estado e o centro da religião mórmon: Salt Lake City.

A doutrina

Para os mórmons, Deus tem corpo e é casado, e tanto ele como os homens estão em constante evolução. Deus está sempre à frente dos homens. Se o homem chegar ao ponto onde Deus está, merece ser chamado de Deus. Jesus Cristo é o salvador e mediador entre os homens e Deus.

Só a doutrina dos mórmons salva e essa salvação pode acontecer mesmo depois da morte, pelo batismo póstumo, isto é, um batismo ministrado por uma suposta procuração dada pelos defuntos aos seus descendentes. Assim, quem nesta vida não pôde conhecer a doutrina da revelação dos mórmons, poderá ser salvo pelo batismo que lhe for ministrado, quando já se encontra na outra vida, por um de seus descendentes ainda vivo. Mas é preciso ter certeza de que quem batiza é um verdadeiro descendente. Por isso, em Salt Lake City, a meca dos mórmons, existe o maior arquivo genealógico do mundo, inteiramente microfilmado, onde o parentesco é meticulosamente examinado em tabelas genealógicas. Há um banco de dados com mais de 2 bilhões de nomes, dos quais 800 mil já são informatizados. Desse jeito, foram batizados post mortem até personagens famosos, como papas, Elvis Presley e Shakespeare.

Na ceia, comemora-se a redenção feita por Cristo, mas Cristo não está presente. Nessa comemoração são utilizados pão comum e água, pois os mórmons são contra o uso do álcool.

Eles admitiam a poligamia, chamada de “matrimônio celeste”, permitida por motivos especiais, como, por exemplo, para proteger mulheres viúvas depois das guerras. Por causa dessa prática, tiveram dificuldades com o governo dos Estados Unidos e acabaram aceitando, em 1890, as disposições da autoridade civil americana que a proíbe.

O homem é uma união de espírito pré-existente e corpo terrestre e essa união representa um progresso, pois o corpo é, para eles, superior ao espírito.

O adultério é o pecado mais abominável e não são admitidas relações sexuais antes do casamento.

O dízimo é obrigatório: 10% do salário anual deve ser pago à Igreja. Essa quantia, que às vezes chega até a 15%, é calculada sobre o que uma pessoa ganha realmente.

A comunidade mórmon orienta seus fiéis tanto no plano espiritual como no material, prescrevendo até o que se pode e não se pode comer.

Concentrados especialmente no Estado de Utah, onde formam a grande maioria da população, e porque são sóbrios, trabalhadores e muito organizados, transformaram o que era praticamente um deserto numa região fértil e produtiva.

O governo
da Igreja mórmon

Na Igreja mórmon vigora o princípio da ancianidade: são os velhos que detêm o poder, a autoridade e a profecia. O líder, chamado profeta, é atualmente Gordon B. Hinckley, com 91 anos, que governa junto com dois vice-presidentes e um conselho de 12 anciãos, todos brancos, de Utah. Foi só em 1978 que a Igreja admitiu os homens de cor ao sacerdócio, ao qual todos os brancos têm direito a partir dos 18 anos. Isso só foi possível graças a uma revelação pessoal que o então presidente teve, diretamente de Deus. É prerrogativa do líder dizer que tem contato direto com Deus que lhe revela, a cada vez, o que é melhor a fazer e dizer.

A missão
e a Igreja mórmon

Suas missões para o exterior são muito organizadas e fartamente subsidiadas. Por ano, chegam a enviar 60 mil missionários: todos jovens do sexo masculino, que se apresentam invariavelmente trajando o mesmo uniforme, calça ou terno preto, camisa branca e gravata escura, que se prontificam a ir pelo mundo, sempre dois a dois, aonde forem enviados, anunciando a doutrina mórmon a pessoas que eles vão procurar em suas próprias casas. Essa missão tem a duração de dois anos consecutivos e é realizada às custas dos próprios missionários que chegam a conseguir até 300 mil conversões em um ano. Nos Estados Unidos, há cinco milhões de mórmons e, no exterior, seis, dos quais quatro somente na América do Sul. O número de fiéis dobrou nos últimos trinta anos.

Devido à doutrina e suas características, mais excêntricas do que originais, até a maioria dos próprios protestantes, em si bastante indulgentes com as novas confissões, não os considera como cristãos.

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