Revista "MUNDO e MISSÃO"

Pobres

"Só o desenvolvimento não é suficiente": é preciso administrar bem

Talvez pela primeira vez na história, reuniram-se, no final de julho, a cúpula do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas - Ecosoc -, do Banco Mundial, do FMI e as instituições econômicas ligadas à ONU, para discutir mais uma vez uma estratégia comum para solucionar a pobreza no mundo.
A primeira constatação foi que o objetivo de reduzir pela metade a pobreza até o ano 2015 não será atingido, ainda que seja possível conseguir algo positivo, se todos se conscientizarem da necessidade de combater a pobreza. Apesar das graves crises econômicas dos últimos anos, todavia, o mundo não mergulhou no caos econômico, o que nos faz esperar que algo pode ser feito para diminuir a pobreza, principalmente se esse for o principal compromisso do Ecosoc e de todos os países. Não se trata de mais uma utopia, mas de um objetivo ambicioso. Segundo o secretário geral da Onu, Kofi Annan, três deveriam ser as prioridades mundiais para combater a pobreza: aumentar o crescimento da economia mundial em 4%; facilitar e expandir o comércio e melhorar as condições das mulheres que, entre os pobres, são as que mais sofrem. Foi comprovado que onde se investiu nas mulheres houve uma significativa diminuição da pobreza.

Também foi apresentada uma lista de emergências, geradora de compromissos, que foi assinada pelos países participantes do Ecosoc:

1. fome e subnutrição:

a meta será reduzir pela metade o número de famintos até 2015;

2. acesso às reservas hídricas:

hoje, 80% das doenças nos países pobres são devidas à escassez de água;

3. trabalho:

as políticas econômicas devem favorecer possibilidades de emprego para todos;

4. meio ambiente:

precisa ser protegido para garantir uma vida digna ao homem;

5. mulheres:

melhorar substancialmente suas condições, aumentando as possibilidade de trabalho e de microcrédito;

6. saúde:

implantar estruturas básicas sanitárias visando a uma melhoria global;

7. educação:

possibilitar a todos acesso à escola, como fator de combate eficaz à pobreza;

8. prioridade:

atenção particular aos mais pobres e, portanto, mais vulneráveis;

9. administração:

correta gestão dos governantes, especialmente onde exercício da política é limitado a poucas pessoas;

10. principal objetivo:

fazer uma aliança global para derrotar a pobreza.

O mapa da miséria em 1998

Porcentagem da população com renda diária inferior a 1 dólar

País
%
País
%
Guiné Bissau
88
Ruanda
46
Zâmbia
85
Nicarágua
44
Madagascar
72
Zimbábue
41
Uganda
69
Botsuana
33
Níger
62
Mauritânia
31
Senegal
54
Nigéria
31
Guatemala
53
Equador
30
Índia
53
Filipinas
29
Quênia
50
Guiné
26
Nepal
50
Panamá
26
Lesoto
49
Brasil
24
Honduras
47
África do Sul
24
Etiópia
46
China
22

FONTE: Relatório UNDP - 1999
(Nesse relatório, não foram incluídos os países em guerra como Sudão e Angola e outros endemicamente pobres.)

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