P.I.M.E. - 150 anos
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A missão é o nosso SER Giorgio Paleari O Pontifício Instituto das Missões para o Exterior - P.I.M.E. - acabou de realizar sua XII Assembléia Geral (6 de maio a 11 de junho) e, na fidelidade ao Evangelho, procurou revitalizar sua identidade O encontro de 39 missionários, representando outros 600, foi um acontecimento que vai além dos textos produzidos e das discussões realizadas. A troca de experiências e o convívio diário com pessoas comprometidas na missão nos cinco continentes foi, sem dúvida, um grande momento de revitalização. As palavras-chave A Assembléia Geral evidenciou quatro termos-chave que podem ser significativos para delimitar e iluminar a identidade do P.I.M.E., como instituto voltado exclusivamente à missão: ad gentes, ad extra, ad vitam e juntos. As primeiras três expressões, tiradas da língua latina, e a quarta, em português, constituem os pilares da missão sobre os quais se assenta o P.I.M.E.. AD GENTES Significa o âmbito para o qual se dirige a evangelização, isto é, os grupos, os estratos sociais e os ambientes culturais que não têm uma explícita referência a Jesus Cristo. Foi sobretudo a encíclica Redemptoris Missio, de João Paulo II, que distinguiu a atividade pastoral e a nova evangelização do ad gentes, enriquecendo este termo com outros significados, incluindo os âmbitos territoriais, mas também os mundos e os fermentos sociais novos e as áreas culturais, ou areópagos modernos (RM 35). AD EXTRA Em seu sentido originário, o ad extra significa "fora" e "para além das fronteiras". Aplicado à missão, significou o movimento de sair dos confins geográficos e do próprio território para ir a outros países. Como os não-cristãos estavam para além do ocidente, o ad extra coincidia com o ad gentes. Hoje as coisas são um pouco mais complexas. O sentido do ad extra inclui não somente o aspecto geográfico, mas também o cultural. Posso sair de minha cultura e posso ir para outra, relativamente longe da minha, a qual necessariamente não está num país diferente. Em que sentido deverá evoluir o conceito? Como se posiciona o P.I.M.E., admitindo que este seja um elemento de sua identidade? O envio ad extra, fora dos próprios confins, da própria cultura e Igreja continua sendo, junto com o ad gentes, um ponto sólido da identidade do P.I.M.E.. A saída e o envio se qualificam como gestos privilegiados para a animação missionária de uma Igreja e sua abertura universal. Não há melhor animação que deixar sair e enviar missionários além-fronteiras. Do outro lado, muitos países de antiga tradição cristã hospedam hoje consistentes grupos de não-cristãos. O P.I.M.E., por enquanto, não considera como seu o empenho direto com esses grupos. Estimula, no entanto, as Igrejas locais para que assumam essas específicas situações missionárias. AD VITAM Este termo significa "por toda a vida". A missão ad gentes no P.I.M.E. torna-se um compromisso de vida em sua totalidade, incluindo todas as energias e todos os projetos. O que exige um projeto ad vitam? Não se trata, antes de tudo, de uma simples atividade, mas envolve a realidade do ser do missionário. Respondendo ao chamado de Deus, o missionário percorre um longo caminho em que a missão se torna o mesmo ar que respira e inspira toda a existência. E se a missão é missio Dei, o primeiro passo deve ser dado na direção do amor de Deus que é para todos. Neste sentido, a realidade do ad vitam coloca-se mais no plano do ser que do fazer. Juntos O conceito de Sociedade de vida apostólica (Constituições do P.I.M.E., 8) e de família de apóstolos (C 5) indica que cada um desenvolve a atividade missionária como membro de uma comunidade. Pode fazer parte do P.I.M.E. quem se sente chamado a viver o carisma missionário não isoladamente, mas em grupo. Para o P.I.M.E., atualmente, essa dimensão comunitária inclui:
Os desafios da missão hoje A Assembléia Geral do P.I.M.E. detectou alguns âmbitos e desafios aos quais a missão deverá responder. Trata-se do contexto da globalização, da situação pós-moderna, das mudanças da teologia da missão e da centralidade da Igreja particular na atividade missionária e, também, de algumas situações pessoais e comunitárias que dificultam o caminho da missão. Todos esses elementos, antes de serem obstáculos, podem se tornar estímulos e incentivo para a caminhada. Gestos proféticos não faltaram, como quando todos assinaram um texto "para uma justiça econômica em favor dos países empobrecidos" a ser enviado como apelo ao G-8 reunido em Gênova (Itália) ou como quando se solicitou, com uma moção, que a nova Direção Geral do Instituto chegue a constituir um grupo operativo para articular novas modalidades de presença na perspectiva do ad gentes. Revitalizar a espiritualidade O papa, numa audiência particular no dia 1 de junho, colocou claramente o ponto de partida para uma renovação: "Se for vossa intenção repensar o carisma próprio do vosso Instituto para revitalizá-lo, é indispensável repartir da centralidade de Cristo". Nessa linha, a Assembléia elaborou um belo texto sobre a necessidade de resgatar em cada um o "sentido do envio e da entrega do crucifixo", que é dado ao missionário quando sai de sua própria terra. "A saída é sempre um dom sem queixas e saudades. A vinculação com a própria pátria, Igreja, cultura e família pode se tornar um contra-testemunho". Deixar o próprio país e abandonar-se nas mãos de Deus, no total serviço ao povo para o qual somos chamados, nos introduz na grande tradição de Abraão, que deixa sua terra e de Jesus, o enviado do Pai. "Saímos com a riqueza da santidade do P.I.M.E., feita atual em cada época pelo testemunho de tantos nossos coirmãos missionários e mártires". |
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