Revista "MUNDO e MISSÃO"
Mulher
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Não nos damos por vencidas! Dafne Sabanes Plou A crise econômica e social que tomou conta da Argentina comporta ainda outra questão: as correntes migratórias provenientes de países sul-americanos Ramona Alvarez Fleitas, do Paraguai, Natividad Obeso Gonzalez, do Peru, e Rosália Puqui, da Bolívia, são três mulheres que representam as novas correntes migratórias na Argentina. São líderes de suas comunidades e trabalham para conseguir melhores condições de vida para seus compatriotas, num momento em que o país atravessa uma dura crise eco-nômica, marcada pela elevada taxa de desemprego e por uma significativa deficiência nos serviços públicos de saúde e atendimento à comunidade. As três imigrantes integram a delegação oficial argentina que participou da III Conferência Mundial das Nações Unidas contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerâncias, realizada em Durban, África do Sul, no começo de setembro do ano passado. Nós, paraguaios, fazemos parte da imigração não desejada pelos argentinos, que sempre olhavam a Europa e estiveram dispostos a receber imigrantes daquele continente e não do nosso, lembra Ramona. Não existe uma discriminação específica em relação a nossa comunidade, mas se nota, no geral, um tratamento que menospreza a capacidade e a dignidade de nossa gente. Ramona, que chegou à Argentina aos oito anos e acaba de ser aceita como socióloga na Universidade de Buenos Aires, calcula que, na Argentina, viva 1,8 milhão de paraguaios, ainda que só a metade tenha visto permanente de residência. O resto entra e sai, ocupando-se, em muitos casos, da colheita de algo-dão e frutas, ou fazendo serviços temporários nas grandes cidades. Sabe-se que há imigrantes paraguaios e bolivianos, sobretudo menores de idade, que trabalham em condições de escravidão. Existem, na Argentina, 73 associações de imigrantes paraguaios, 34 delas na Grande Buenos Aires. Além de prestar serviços solidários à comunidade, essas associações dedicam-se à manutenção e sustento da cultura paraguaia. Oferecem, também, cursos de espanhol porque uma das dificuldades é que a maioria dos imigrantes paraguaios não falam bem a língua e seu sotaque guarani é objeto de gozação. Essa discriminação está fazendo com que os filhos de paraguaios nascidos na Argentina não queiram aprender guarani. Mesmo assim, a comunidade continua cultivando seu idioma e boa parte dos 60 programas de rádio, que diferentes organizações de imigrantes paraguaios transmitem em todo o país, é bilíngüe.
Os peruanos são os mais novos imigrantes: eles começaram a chegar no inicio da década de 90. Natividad, do Grupo de Mulheres Peruanas em Ação, entrou no país há sete anos, mas, só depois de cinco anos, conseguiu se unir aos quatro filhos e ao marido. Muitos peruanos pediram asilo político, mas a maioria que chegou nos últimos anos veio por motivos econômicos. Quase 70% desses imigrantes são mulheres, assegura Natividad, que preside essa associação sem fins lucrativos, cujo objetivo e ocupar-se da situação le-gal dos peruanos e lutar contra os estereótipos de gente afeita à preguiça e ao roubo que atribuem a essa comunidade. Ela não quer que as mulheres imigrantes sejam consideradas vítimas, mas sustenta que esta feminilização da imigração é, em grande parte, devida ao papel fundamental que a mulher tem no seio familiar e em seu âmbito social, em momentos de crise ou de situações limites. Nas instituições que trabalham com imigrantes peruanos na Argentina, está comprovado que são as mulheres que primeiro se adaptam aos novos padrões culturais e que estão altamente dispostas a receber formação, a se organizar, a aprender, a lutar por seus direitos e de seus filhos. Não nos damos por vencidas! Noticias Aliadas, n.º 45-46 |
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