Revista "MUNDO e MISSÃO"

Saúde

por Márcio Martins


Artesanato

mística missionária foi estabelecida por Cristo quando, ao retornar para a Galiléia, principiou a sua missão. Em Nazaré, Jesus disse: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para que dê a boa notícia aos pobres, enviou-me a anunciar a liberdade aos cativos e a visão aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, para proclamar o ano de graça do Senhor” (Lc 4, 18-19). Desde então, ser missionário é realimentar sonhos e esperanças, mas, antes de tudo, é um chamado para “seguir o exemplo de Cristo”.

É um verdadeiro aprendizado da essência da espiritualidade, solidariedade, diálogo, paixão e ousadia, pois a missão precisa de pessoas que amam a causa da evangelização, capazes de doarem a própria vida para que todos possam conhecer e viver com prazer o Projeto do Reino de Deus, em especial, aqueles que mais sofrem. A Casa de Apoio Espírito e Vida (CEV) é um exemplo dessa gênese missionária. A CEV tem como objetivos: acolher pessoas portadoras do HIV, abandonadas pela família e sem recursos para se cuidar; prestar assistência médica, psicológica, social e alimentar a soropositivos e seus familiares; e orientar na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) junto à comunidade.

Para isso, a CEV conta com o trabalho missionário das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria no Brasil, que coordenam todo o trabalho executado na casa:

- refeições diárias; higiene pessoal e plano terapêutico (medicamentos, consultas médicas, reabilitação e enfermagem); e providenciam – com os alimentos que recebem de doações – cestas básicas para cerca de 20 famílias carentes que possuem pessoas infectadas pelo HIV. É neste espírito de solidariedade e compaixão que as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria no Brasil levam adiante a missão ensinada por Cristo. A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) lança um projeto de auxílio efetivo a essas irmãs e à CEV, para que possam dar continuidade a essa missão tão necessária e desafiadora. A Casa de Apoio Espírito e Vida está localizada no Parque São Rafael, um bairro bastante carente da periferia de São Paulo. Atualmente, a CEV abriga 16 soropositivos, que recebem todo o tratamento disponibilizado pelas religiosas, além do acompanhamento junto às famílias e da conscientização da comunidade no convívio com os portadores do HIV.


Cuidados especiais

As atividades desenvolvidas pela CEV são coordenadas pelas irmãs franciscanas, mas contam também com a ajuda de quatro funcionários e com cerca de vinte voluntários (médicos, psicólogos, fisioterapeutas, cozinheiras e pessoas para os eventos de arrecadação de fundos e distribuição mensal das cestas básicas). Para manter a CEV, as religiosas dependem de doações (dinheiro, alimentos) das Comunidades Eclesiais de Base e de doações de móveis e utensílios domésticos, que são vendidos no bazar, realizado uma vez por mês. Também são organizados eventos com a finalidade de arrecadar recursos financeiros e insumos. As solicitações de vagas na Casa são bastante numerosas. Diariamente, as religiosas recebem pedidos de São Paulo e de outros municípios; porém, com muito pesar, elas são obrigadas a recusá-los, por limitação financeira e de espaço físico.


Fisioterapia

Alimentação

Aulas de Pintura

O trabalho cresceu muito desde 1997, quando as irmãs franciscanas iniciaram sua missão na CEV. A comunidade, que antes tinha receio dos portadores, começou a visitá-los e a ajudá-los também, pois percebeu e aprendeu que não é pelo convívio, por um aperto de mão, ou mesmo por um abraço, que a aids é transmitida. Com essa abertura, foi iniciado no bairro um trabalho voluntário com artesãos, cozinheiros e motoristas. Os resultados do auxílio que a casa presta já existem. Cícero Luís Mendes, um dos primeiros pacientes da casa depois da chegada das irmãs, além de ser portador do HIV, também era alcoólatra.

Hoje, há mais de sete anos sem beber uma gota de álcool e com a doença sob controle, está empregado novamente e, em suas horas vagas, ajuda voluntariamente as irmãs como motorista. “Quando cheguei aqui, eu estava desesperado, quase em fase terminal, mas as irmãs me deram muito carinho e apoio e me ajudaram a criar vontade e fé. Devo minha recuperação a Deus e às irmãs”, disse Cícero. Segundo a irmã Maria da Penha, “Cícero é o exemplo de uma vivência do Evangelho: ele está amando da mesma forma como é amado”.

Marco César de Moraes, em atual tratamento na casa, diz:

“A maior dor não é a doença em si, mas, sim, o preconceito que enfrentamos. Nós somos super bem tratados pelas irmãs. Elas fazem de tudo por nós”. Mas o relato feito pela irmã Elvira Augusta, de Moçambique, que há pouco mais de um ano chegou ao Brasil para ser missionária na CEV, é que dimensiona, exatamente, a grandiosidade de sua missão: “Ainda hoje, a sociedade discrimina muito os portadores de HIV e, infelizmente, muitas vezes a própria família também os discrimina.

É muito triste ouvir alguém chegar e dizer:

‘Irmã, depois que meu pai ficou sabendo que eu era portador de HIV, ele me abandonou e disse que não queria mais saber de mim’. Nossa missão também é dizer a estes irmãos que contraíram o vírus e foram abandonados pelas famílias, que nós somos suas irmãs e que Deus também os ama e está com eles. Ofereço todas essas coisas a Deus em minhas orações e peço força a Ele para poder conscientizar e sensibilizar mais as pessoas. Não precisamos rejeitar nosso irmão por ser portador. É um trabalho muito difícil, mas acreditamos que o Senhor age em nós”. É importante dizer que o objetivo da casa não é oferecer abrigo para o portador da doença até o final da sua vida. O objetivo central é restaurar a auto-estima e permitir que o indivíduo se reintegre na sociedade, como qualquer outra pessoa. Muitos chegam atrofiados.

"Quando cheguei aqui, eu estava
desesperado, quase em fase
terminal, mas as irmãs me deram
muito carinho e apoio e me
ajudaram a criar vontade e fé"

As irmãs administram o coquetel de remédios, proporcionam fisioterapia e aulas de ginástica. Alguns voltam a andar em menos de um mês. A casa é aberta a pessoas de todas as religiões. Alguns têm permanência de seis meses na casa e já estão prontos para retornar à sociedade, mas outros (com a saúde muito debilitada e em estado terminal) morrem durante a sua estadia. Contudo, é positivo o fato desses pacientes falecerem com dignidade, ao invés de morrerem largados na rua. O tratamento é gratuito; assim, a maior dificuldade da CEV é a falta de recursos. As irmãs precisam de verbas para manter os funcionários, a alimentação e o combustível. A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) enxerga nessas irmãs missionárias o exemplo vivo de Cristo, pois abdicam de tudo para viverem em prol daqueles que mais sofrem. Este é o âmago da AIS. A entidade lança um apelo aos seus amigos e benfeitores para colaborarem com o projeto de apoio junto às religiosas da Casa de Apoio Espírito e Vida.

Contato
Ajuda à Igreja que Sofre

Rua Carlos Vítor Cocozza n.º 149
Vila Mariana – São Paulo - SP – 04017-090
Tel.: 0800.7709927 - SITE.: www.aisbrasil.org.br

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