Revista "MUNDO e MISSÃO"
Bíblia e Missão
| Como o mestre, assim os discípulos
Sergio Bradanini Em Mt 10,24-25 encontra-se a parte central de todo o discurso missionário que, de certa forma, constitui uma preciosa chave de interpretação. De fato, até aqui, o evangelista apresentou dois elementos essenciais: 1. os Doze são um modelo típico da missão, não porque foram bem sucedidos, mas porque experimentaram, até as últimas conseqüências, sua identidade de discípulos de Jesus. Portanto, segundo Mateus, esse modelo deve servir de referência para todos os pregadores do Evangelho; 2. o evangelista frisa o aspecto comunitário da missão. Com efeito, a proclamação do Evangelho não é reservada a "apóstolos profissionais", mas todos os discípulos recebem o "dom da missão" para serem testemunhas de Jesus, apesar das hostilidades que encontram na sociedade ou dentro das próprias relações familiares. No texto em questão, encontramos a definição das relações entre o Mestre e seus discípulos, em três aspectos: 1) a vida e o destino do Mestre estão sempre acima do discípulo; Em primeiro lugar, temos um relacionamento diferenciado (Mestre = superior
> discípulo = inferior) que aponta os limites da missão
do discípulo. É verdade que ele deve dar continuidade à
missão do Mestre e, por isso, deve estar pronto para enfrentar
as mesmas dificuldades e o mesmo destino, mas é verdade também
que ele nunca pode chegar ao ponto de substituir a missão do Mestre!
Em outros termos, para Mateus, discípulo e comunidade cristã
só podem ser "servos" do Evangelho (= Jesus), nunca proprietários! |
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