Revista "MUNDO e MISSÃO

Leigos

CENÁCULOS MISSIONÁRIOS

Por José Stella

Uma iniciativa simples, possível para todos, para resgatar os missionários brasileiros do esquecimento em que os deixam nossas paróquias e comunidades

Estamos na primeira segunda-feira, às dez horas da manhã, em torno da mesa de jantar; no centro há o mapa-múndi e uma imagem de Maria. Umas quinze senhoras iniciam a reza do terço pelos cinco continentes. É o Cenáculo Missionário que começa assim todo mês na casa de dona Amália Ruth, em São Paulo. Seguem-se outros momentos de oração, a leitura de alguma carta de missionários, notícias da Igreja no mundo e uma coleta anônima cujo resultado será enviado no fim do ano aos missionários brasileiros lá fora. Outros Cenáculos se realizam em outras casas, outros dias, outros horários, mas regularmente todo mês.

Cooperação missionária

Começou este movimento em 1996, como resposta ao pedido expresso do papa. Ele exprimiu o desejo que se difundissem "os cenáculos de oração missionária em todas as paróquias, dando vigor à consciência missionária de todos os batizados". No Brasil, por enquanto, realizam-se em residências particulares; o conteúdo foi definido praticamente pelo pe. José Stella, comboniano, a partir das idéias do papa sobre cooperação missionária. Hoje, este movimento tornou-se uma associação, cujos responsáveis são o bispo de Campo Limpo, SP, e os provinciais do Verbo Divino, da Consolata, das Combonianas e das Mensageiras do Amor Divino.

O Cenáculo não nasce do nada, precisa de treino, de tempo e de uma certa convicção sobre a eficácia da oração missionária. Hoje, são mais de 70 os Cenáculos Missionários no Brasil, a maioria em São Paulo. Um folheto mensal orienta a realização de modo que se torna uma etapa da maturidade cristã, como diz o papa (RM 73). "É uma reunião bastante modesta" declara dona Adeonice de Vila Mariana, "mas que nos dá grande alegria. Oramos também para que mais pessoas queiram formar novos Cenáculos em suas residências". "Achamos também que as mais beneficiadas somos nós mesmas, porque se torna uma experiência diferente de fé e de amor pelo mundo", confessa Paula do Pacaembu. "O nosso grupo, reconhecido, sente a eleição desta tarefa e reconhece que atua como sementeira que deseja que se espalhe...": é o Cenáculo de dona. Ruth, do bairro Paraíso. Quando se realizou o primeiro cenáculo em Salvador, BA, dona Maria José nos comunicou: "Foi muito gratificante!"

Presente de Natal

A Obra dos Cenáculos Missionários não se compromete em financiar projetos; somente distribui um presente à pessoa do missionário, igual para todos, correspondente ao que se coletou durante o ano. Nisso também encontramos nossa alegria, como na carta do irmão Dorvalino: "Em primeiro lugar, peço a Deus que abençoe essa Obra e a faça prosperar em benefício do seu Reino. Este já é o quarto ano que recebo o presente de Natal... Vocês me pedem para contar um pouco a minha vida. Estou em Angola desde 1982; já fiquei seqüestrado quatro meses com a Unita e fui atacado e roubado duas vezes por eles... Graças a Deus e às preces de vocês, continuo aqui...".

A irmã Assunção nos escreve: "O presente de Natal será utilizado para refazer o telhado do galpão onde fazemos nossas celebrações. É que um grupo armado arrancou todas as telhas para nos intimidar, mas não conseguiu...". Uma notícia diferente vem de irmã Paula de Moçambique: "A oferta que vocês me enviaram repassei-a às irmãs de Buzi, por onde passou o furacão Eline, destruindo tudo".

Do Brasil nunca nada

Outras parecem conhecer nossa organização: "Fiquei encantada com o número de missionários que vocês estão ajudando", escreve irmã Rosineide do Zâmbia. De fato, o número dos missionários ajudados está crescendo: eram 30 em 1998, passou para 45 em 99, para 63 em 2000 e serão 80 neste Natal de 2001, se Deus quiser. Não podemos ficar indiferentes a testemunhos como estes. A duas missionárias, que depois das férias voltavam para o Gabão, entregamos o presente de Natal em meados de setembro, dizendo: "Não esperem outro em dezembro, porque não temos". A irmã Izabeth respondeu: "Olhe, padre, esta minha colega, irmã Luiza, está no Gabão há quinze anos; eu, há onze. Hoje é a primeira vez que recebemos uma ajuda do Brasil". Durante um Cenáculo, Rosângela nos contou: "Estou voltando de uma romaria em Fátima. Comigo embarcou em Lisboa uma irmã missionária, voltando da África, jovem ainda, mas muito sofrida. Como faço parte dos Cenáculos Missionários, fiquei curiosa e perguntei à queima-roupa: "Por que a senhora está tão sofrida assim? Na África não há nada para comer, não? O Brasil não te passa nada, não?". E ela respondeu com a maior tranqüilidade, como se fosse um assunto descontado: "Ah, não, do Brasil nada não, nunca". E continuamos a conversa com outros assuntos. Mas esta é a nossa vergonha: nossas filhas jovens, de 26-27 anos, no ponto mais alto de sua realização na vida, vão em nome da nossa fé dar sua vida no meio de outros povos e dizem: "Do Brasil nada não, nunca!". Esta situação não deve continuar, deve ser revertida. É preciso que esta Obra dos Cenáculos se espalhe pelo Brasil todo, para chegar perto de cada um de nossos missionários em qualquer parte do mundo".

Para conhecer mais sobre os Cenáculos, escreva para Obra dos CENÁCULOS MISSIONÁRIOS:
Rua Waldomiro Fleury n.º 180-A - Instituto de Previdência
São Paulo - SP - 05514-020
Tel:(11)3722.4521 - Fax: 3722.4024
e-mail: ocenam@uol.com.br

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