Revista "MUNDO e MISSÃO"

Jovens

por Pe. Antonio Ramos de Moura Neto, osj

o último mês de julho, acompanhei o Grupo a uma experiência de férias, intitulada “Missões Marizia”, entre dias 10 e 24, nas cidades de Aripuanã, Colniza e Guariba, na diocese de Juína, MT. Assessorado por dois padres, o grupo contou com a presença de quatro seminaristas e 34 leigos das cidades de São Paulo, Ourinhos, Curitiba, Londrina, Apucarana, Cascavel e Três Barras do Paraná, que deixaram suas famílias e comunidades e investiram suas férias, talentos e recursos na experiência da evangelização.

O Encontro teve a duração de oito dias, apenas. O restante do tempo foi consumido na longa viagem de ônibus, com aproximadamente 3000 quilômetros, percorridos em 60 horas, devido a uma boa parte das estradas ser de chão batido. O primeiro grupo ficou na cidade de Aripuanã, caracterizada pelo rio do mesmo nome e por suas belas cachoeiras. Outro grupo rodou mais 150 quilômetros até a cidade de Colniza, município novo, cheio de desafios, com um povo também desafiador e forte.

O terceiro grupo seguiu até o assentamento Guariba, com perto de 600 famílias, 200 quilômetros à frente, já no limite com o estado do Amazonas. Sem sombras de dúvida, foi experiência missionária e tanto! Lá, encontramos Jesus, “caminho, verdade e vida” nas pessoas. É Ele quem dá forças a toda aquela gente, que luta por melhores condições de vida e suporta desafios e sofrimentos, longe dos centros urbanos, sem infra-estrutura sócio-política e sanitária. A experiência fez crescer e amadurecer nosso grupo.

Realizamos o trabalho na área urbana dos dois municípios e no assentamento. As duas paróquias possuem dezenas de comunidades rurais, algumas longe da matriz 200 quilômetros, e áreas pastorais especiais, como aldeias indígenas e beiradeiros de rio. Fazíamos visitas domiciliares durante o dia e encontros de famílias no período da noite. Nos encontros, refletíamos, de olhos fixos na realidade do povo e na Bíblia, em vista da criação e do fortalecimento de grupos de reflexão e das Cebs. No final de semana, reuníamos as crianças para recreação, catequese e implantação da Infância Missionária.

Organizamos encontros com jovens, casais, lideranças de pastoral e catequistas através de cursos e retiros. As celebrações foram os momentos mais sublimes, que possibilitaram, a todos, experimentar o vivificante e festivo contato com Deus e com os irmãos, no recíproco desejo de construir um mundo novo. A missão faz bem a quem a realiza e a quem a recebe. Creio, cada vez mais, que ela rejuvenesce a Igreja e a torna mais bonita e mais fiel ao Projeto de Jesus. É prova disto a alegria nos olhos de quem dela participou.

Os leigos abriram mão das férias laborais, do aconchego familiar, e investiram na evangelização. A partilha da fé e das convicções religiosas geraram-lhes um entusiasmo novo. “A experiência missionária contribuiu muito na minha vida. Fazendo uma análise, obtive resposta a muitos porquês. Aumentou em mim o desejo de ajudar os que necessitam, não só da palavra de Deus, mas também de outras formas, como na área social, ambiental...”, resumia Sílvia Massotti, de Londrina, Pr. A experiência pastoral fez muito bem aos seminaristas, que puderam saborear a beleza e a alegria de serem mensageiros da “boa notícia”, que fortalece a esperança e convida a amar.

Revigorei-me como padre, como cristão e como pessoa. Fiquei encantado com a disponibilidade, entusiasmo e doação do pessoal. A alegria das famílias, porque foram visitadas, e os trabalhos pastorais realizados compensaram o desgaste. A missão faz muito bem ao povo do lugar. “A felicidade das comunidades é grande, que desperta a um possível desejo de se pôr em missão. A participação nos cultos e celebrações aumentou, assim como no dízimo”, avaliou Pe. Paulo Siebeneichler, osj, pároco de Aripuanã. Saltavam aos olhos a alegria e os sentimentos de gratidão, que brotavam das famílias, ao se sentirem dignas quando nos recebiam em visita.

Os mesmos sentimentos estavam evidenciados nas lideranças, por reencontrarem a vontade de intensificar e de perpetuar sua fé, até então adormecida pelos inúmeros desafios da vida e por viverem em uma terra e uma Igreja ainda nascentes. Foi gratificante colaborar com os missionários que trabalham na diocese de Juína, confiada a Dom Franco Dalla Valle, sdb, os Oblatos de São José, as Irmãs da Fraternidade Esperança e as Irmãs de São José de Chambéry. São verdadeiros heróis e heroínas do Senhor, que procuram – através do trabalho junto aos indígenas, seringueiros, beiradeiros e migrantes vindos de diversas regiões do país – gerar neles sempre mais esperança e oportunidades de vida melhor.

Objetos religiosos (bíblias, livros, terços, cruzinhas, santinhos), alimentos, roupas e brinquedos, obtidos em campanhas nas comunidades do sul, por menores que possam ter sido, selaram nossa fraternidade missionária. Alguém pode questionar: “para que evangelizar tão longe, se em nossa paróquia, em nossa cidade, há necessidade de missão?” Recordando as palavras de Jesus: “devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também em outras cidades, porque para isso é que fui enviado” (Lc 4,43), resolvemos ir. Então, decidimos partilhar das inúmeras riquezas que o Senhor nos deu: a vida, os recursos, nosso tempo, inclusive as férias.

Neste clima missionário que a Igreja do Brasil está vivendo: “Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida”, creio que a Missão Marizia VII, experiência realizada por leigos nas férias, é um testemunho real, possível, necessário e urgente. Através dele, colocarmo-nos em estado de missão. “Aprendi na pele a realidade das crianças e das pessoas que lá vivem, suas dificuldades e anseios, felicidades e esperança. Pensei que iria evangelizar, fui evangelizada”, declarou Juliana Sales, 16 anos, do grupo da Infância Missionária, de São Paulo, que ajudou a fundar o grupo da Infância Missionária em Aripuanã.

Precisamos sair, partilhar nossa riqueza e dar da nossa pobreza. Urge colocarmos em prática o mandato do Senhor, “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mt 16,15). Após a avaliação, o grupo todo sentiu que a meta foi realmente alcançada.

Missões Marizia

Homenagem à jovem leiga Marizia Carli Loures, apaixonada pela causa missionária, que, em agosto de 1999, perdeu a vida em acidente de carro, em Londrina, a caminho de uma reunião pastoral em preparação a 1.ª Experiência Missionária de leigos ligados aos Oblatos de São José.

A participação leiga é um carisma da Congregação. Eles colaboram com os josefinos em missão. Visitam famílias, formam crianças, adolescentes e jovens, valorizando as alternativas em cada situação social concreta. Atuam na catequese e na liturgia. Desde 1999, realizam trabalhos missionários no Chile, Mato Grosso, São Paulo e Paraná.

Contato

Nas próximas férias tem mais! Quer participar?
Envie um e-mail para: missiona@terra.com.br

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