Revista "MUNDO e MISSÃO"

Jovens

Dezembro de 2006 – Edição n.º 04
Entre Jovens é parte integrante da
Revista MUNDO e MISSÃO

EDITORIAL

Luz que brilha no Natal

ezembro, último mês do ano. Mais uma vez se aproxima um período com festas, mesas fartas, casas enfeitadas e presentes, que, na maioria das vezes, nos distanciam do verdadeiro sentido do Natal:

- o nascimento de Cristo. Muito se ouve falar a respeito do “espírito natalino”, que toma conta das pessoas, que transforma os ambientes. Surgem árvores de natal, Papai Noel e símbolos que possuem muito pouca importância para expressar a grandeza contida nesse acontecimento. Essa passagem registra um dos momentos mais divinamente humanos de Cristo. O milagre da origem da vida de Jesus é gratuidade de Deus, e não pode se resumir ao brilho das vitrines. Tampouco deve ser considerado mais um feriado prolongado, propício para viajar. Há tempos, as pessoas se preocupam mais com as compras do que com a Vida que chega com essa data, e acabam, dessa forma, iludidas por brilhos falsos que não possuem grande valor.

O luxo proposto pelas lojas, em nada reproduz o cenário em que Jesus nasceu. Muito pelo contrário, fantasia a realidade precária da família de Nazaré. Jesus veio ao mundo em um estábulo, um lugar de cheiro desagradável. Ele teve como berço uma manjedoura, objeto utilizado para colocar comida para os animais, e mesmo assim iluminou o mundo. A simplicidade marcante nessa história ganha luminosidade na vida, e isso explica a importância de se centralizar o foco em Cristo. Celebrar o Natal sem Jesus é comemorar o aniversário sem a presença do aniversariante; é não reconhecer que Maria, ao dar à luz, concede ao mundo a luz que não se apaga, o fruto do amor do Pai para conosco. Esse presente, que por meio dela nos é dado, é convite à contemplação do Projeto do Reino. Afinal, o Natal é a celebração da vinda e da vida de Cristo em nossa vida!

Renato Fernandes dos Santos, 25 anos

PAPO ABERTO

“Sou jovem, catequista e gostaria de colaborar com vocês, na obra da redenção e da edificação da messe do Senhor. Gostaria de aprender com vocês e quero conhecer a alegria de ser cristã. Da minha parte, estou sempre disposta a colaborar”.

Jalica Correia Gomes, da Guiné-Bissau – África

“Gostaria de partilhar com vocês o sucesso de nossa festa em louvor a Nossa Senhora Aparecida e o Dia das Crianças, em nossa capela da Virgem Santa. Teve distribuição de brinquedos, muita música, procissão, brincadeiras, cavalgada e muita queima de fogos. Em novembro também programamos uma passeata ecológica e almoço com a comunidade mais carente de nossa região, com o objetivo de evangelizar e promover ações sociais. Nosso grupo de jovens, que está desabrochando com muito entusiasmo, deseja se engajar também no Entre Jovens. Até breve!”.

João Luiz Ribeiro de Oliveira – Macaé – RJ

“Sou presidiário há 12 anos, sem ver a rua. Pe. Gerardus me deu a revista Mundo e Missão, onde encontrei a mensagem das meninas Graziella e Marcela: “O mal só dá mancada... Mas, com fé, nada e ninguém pode nos separar de Jesus e isso nos dá esperança de um mundo melhor” (Entre Jovens – ed. nº105 – set/2006). Meditei sobre isso e gostei muito. Por isso, escrevo porque quero fazer novas amizades e preciso de apoio espiritual para elevar minha alma. Quero, um dia, ser um de vocês, talvez um missionário”.

Matheus Júlio Araujo – Getulina – SP

CURIOSIDADES

“Gostaria de lhes contar o que conheci, estando aqui na Bolívia: no dia 1o de novembro, Dia de Finados, arma-se o Mast’aku (altar ou mesa) com uma variedade de pratos e bebidas que o defunto gostava. A tradição diz que a família se reúne ao meio-dia para dar as boas-vindas às almas queridas que ficam até o meio-dia do dia 2, quando todos vão ao cemitério encaminhar a alma.

Na visão dos Aymará e Quéchua (povos andinos originários), as almas viajam ao Oeste e voltam a cada ano ao seu lugar de origem. A celebração reafirma a origem milenar da cultura andina, suas tradições e valores espirituais. Esta celebração faz parte do sincretismo religioso da Bolívia. Observem as fotos, para terem uma idéia!.”

Daniel Aguirre – Bolívia

CENTELHAS

por Gianfranco Vianello

A família

A PALAVRA

“Jesus desceu, então, com seus pais para Nazaré, e permaneceu obediente a eles. E sua mãe conservava todas essas coisas em seu coração. Jesus crescia em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,51-53).

esus teve uma experiência de família comum, por muitos anos. O período de trinta anos vividos em Nazaré é desconhecido para nós, mas aquela atitude de Maria de conservar no seu coração “todas essas coisas”, e aquele Jesus, que “crescia em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens”, fazem pensar em uma vida familiar onde:

- a educação do menino, o cuidado com a sua infância e adolescência, a aprendizagem de um ofício, a vida social e de vizinhança, a participação à vida religiosa na sua aldeia, a manutenção da casa e do quintal, o apoio a José no seu trabalho, a partilha simples do que acontecia no lar... enfim, revelam o clima constante daquela pequena família. Certamente, para nós, hoje, a efervescência de nossas cidades, o tumulto de nossa existência, a complexidade de nossa cultura, as dificuldades de achar trabalho, casa, escola, tudo isso faz com que aquela experiência familiar de Nazaré fique muito longe, estranha, quase impossível de vivenciar. Ela fica fora do tempo e da nossa mentalidade.

A própria idéia de família, hoje, é declinada em muitas hipóteses:

- a família no sentido biológico; o clima de família vivido em lares particulares; a convivência de pessoas em diferentes estilos; os conteúdos familiares vividos em grupos e comunidades. Enfim, por quanto diferenciada na modalidade e no pensamento, a idéia de família fica um modelo de vida para todos. Mas a família tem uma raiz profunda, uma finalidade ligada à natureza humana; ela tem um desejo de realização, inscrito nas entranhas e no coração da pessoa; ela contém, em semente, um projeto misterioso de vida e felicidade que o Criador colocou e confiou ao amor de sua criatura. Crescer em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens, é a trajetória oferecida a todas as pessoas para alcançar a plenitude da sua vida, para construir uma sociedade harmônica, em busca da justiça e da paz.

A sabedoria se nutre de silêncio e simplicidade, de oração e discernimento, para assumir empenhos e responsabilidades no âmbito da família e da sociedade. A graça é receber o sustento de Deus em nossa caminhada para enfrentar as dificuldades, os sofrimentos, as dúvidas, os problemas de nossa existência e experimentar a felicidade e o sentido último de nossa peregrinação terrestre. Todo mundo, não importa a forma concreta de sua existência, busca a felicidade e a realização de sua vida em harmonia com os outros. A falta de silêncio interior, de atenção em distinguir a verdade da falsidade, de paciência para olhar com sabedoria os frutos e os efeitos do nosso modo de escolher e viver a vida pessoal e familiar, são falhas que determinam a negatividade de nosso crescimento. Mudar o projeto de família para substituí-lo por outros é possível, como é possível acrescentar água ao vinho até o vinho se tornar água.

PRACURTIR

Cícera Gianini

Filme: MILAGRE NA RUA 34

Vencedor de 3 Oscars e com direção de Les Mayfield, Milagre na Rua 34 é um lindo filme que conta a história de Suzan, uma menina que não acredita em Papai Noel. Mas, a época natalina torna-se cheia de encanto quando um homem é contratado como Papai Noel para trabalhar na loja de departamentos de sua mãe. Papai Noel transforma a vida de todos com o espírito de Natal. A fé é colocada em teste, pois todos enfrentam a antiga pergunta: “Você acredita em Papai Noel?”.O Milagre na Rua 34 é uma fábula que pode ser assistida por toda família. Disponível nas locadoras.

EXPOSIÇÕES DE PRESÉPIOS

Em Corumbá - MS:

- De 1 de dezembro a 6 de janeiro de 2007, a Prefeitura Municipal de Corumbá, através da Fundação de Cultura do Pantanal de Corumbá, realizará uma exposição de presépios na Casa de Cultura Luiz de Albuquerque.

Informações: tel.: (67) 3232-2691

Em Bragança Paulista - SP:

- O Espaço Cultural do campus da Universidade São Francisco, no edifício central, apresenta a 1.ª exposição, com 30 variados presépios da coleção do artista Frei Pedro Pinheiro. Entrada franca, diariamente, até 2 de fevereiro de 2007, das 14 às 22 horas.

Informações: tel.:(11) 4034.8000

Em Ouro Preto - MG:

- Há mais de 30 anos, o Concurso de Presépios, promovido pela Fundação de Arte de Ouro Preto, perpetua este modo de expressão da religiosidade popular, resgatando o sentido poético e singular do presépio mineiro.
Inscrições para o concurso: de 13 de novembro a 8 de dezembro. Exposição: 21 de dezembro.

Informações: www.faop.mg.gov.br
tel.: (31) 3551-2014

Em Piracicaba - SP:

- Concurso de Presépios da Prefeitura Municipal de Piracicaba. Inscrições: 15 de novembro a 5 de dezembro – Exposição: de 5 de dezembro a 6 de janeiro de 2007.

Informações: tel.: (19) 3432-1122

Em São Paulo - SP:

– Exposição permanente de Presépios do mundo todo, no Museu de Arte Sacra, de 3.ª a domingo, das 11h às 18h30m. Av. Tiradentes n.º 676

Info: tel.: (11) 3326-1373

– Exposição de presépios no Convento São Francisco - Largo São Francisco n.º 133, a partir de 8 de dezembro até 7 de janeiro de 2007.

Informações: (11) 3106-0608

PROVOCAÇÃO

O espírito natalino de amor e união

Irmã Maria José prova que o verdadeiro significado do Natal
é a alegria de se sentir realizada e ter presente o carinho e o amor das crianças

Cícera Gianini, Douglas Martins e Rafael Stemberg

“No Natal, faço questão de ficarmos todos juntos para a Missa e a santa ceia”

ostos alegres, algumas crianças brincando, outras assistindo televisão ou estudando. Este é o ambiente da Associação Maria Auxiliadora (AMA), localizada na Vila Gustavo, zona norte de São Paulo, que mostra o amor familiar, independente das raízes biológicas. São 19 crianças que encontraram o que lhes faltava em suas famílias de sangue, através da irmã Maria José, que realiza o trabalho social e, com caridade, enfrenta as dificuldades que aparecem pelo caminho. A AMA foi fundada há 21 anos, por irmã Benta, que foi Missionária da Imaculada, do P.I.M.E. Abriga crianças e adolescentes com idades entre 6 e 18 anos. As crianças chegam através do Conselho Tutelar, do Poder Judiciário e da própria comunidade; muitas, até em situação de rua; outras perderam suas famílias ou foram maltratadas em seus lares.

Na AMA, encontram tratamento psicológico, odontológico, terapia e muito carinho da irmã Maria José, que nos confessa:

“Sou feliz e realizada no que faço. Existem obstáculos, mas temos que superá-los. Hoje me sinto feliz”. Algumas ainda mantêm contato com a família, através de visitas. A própria casa promove o encontro, mas a situação é delicada e deve ser tratada com muita cautela para uma reaproximação.

Uma vida em prol do próximo – Apesar de toda a alegria evidente nos olhos de irmã Maria José, acolher estas crianças exige muitos cuidados. Contando com três funcionários e a ajuda de duas voluntárias, a instituição aceita doações e recebe o apoio da comunidade, apesar de ainda haver vizinhos com certo preconceito em relação às crianças.“Recebemos uma pequena verba do governo estadual, e com a colaboração de várias pessoas, conseguimos manter a casa”, explica irmã Maria José.

Os horários, na AMA, são rígidos, tendo 4 refeições diárias, além de todas as crianças estarem devidamente matriculadas na escola próxima. Mensalmente, há uma avaliação médica, dentária e um suporte psicológico às que precisarem. A casa tem 12 cômodos: quartos, cozinha, salas, refeitório e banheiros. Existe também um amplo quintal onde as brincadeiras acontecem. Para a irmã, o espaço ainda não é o suficiente. “A casa foi adaptada para caberem todos; por isso, colocamos divisórias para formar os quartos. Gostaríamos de montar uma biblioteca e uma brinquedoteca”, relata.

Preconceito da sociedade – Pela receptividade que tivemos, tanto das crianças e adolescentes, quanto da irmã Maria José, fica difícil imaginar que sofram discriminação. Mas, há casos de preconceitos contra as crianças.

O mais recente foi a agressão recebida por um dos meninos, na escola, conforme relata a irmã:

“Conversei com a direção e com os professores, para tentar entender o motivo da violência. A resposta foi que ele incomoda as outras crianças, por ser um menino muito esforçado e dedicado, ocasionando ciúmes nos colegas. Isso não justifica nenhum tipo de agressão”. A aceitação pelos novos vizinhos foi difícil (antes, moravam em São Miguel Paulista, na Grande São Paulo; há oito meses, estão na Vila Gustavo). Alguns moradores se incomodaram com as crianças e se organizaram para tentar pressionar a direção da escola a não aceitar a matrícula delas. Recentemente, passaram a aceitar melhor a AMA e o convívio está ficando mais tranqüilo.

CONTATO: Você gostaria de conhecer o trabalho da AMA? Entre em contato com nossa redação, que encaminharemos cartas e e-mails para irmã Maria José.

ARTEXPRESSÃO

E A FAMÍLIA COMO VAI?

Greicieli, 22 anos

o falarmos de família podemos abordar várias temáticas e surgem muitas questões. Talvez porque esta seja a instituição mais antiga e presente em todas as culturas. Queremos focalizar algo novo que afeta a família, que, como a sociedade, sofre profundas transformações: a sua nova formação. Quando pensamos em família, sempre nos remetemos à de Nazaré e idealizamos sua imagem como um núcleo de pai, mãe e filhos. Mas hoje, vemos a fragmentação deste conceito. Em nosso dia-a-dia, é fácil encontrar famílias que não são construídas desta forma e, nem por isso, deixam de ser famílias. Aqui, queremos abordar família como um núcleo onde se encontram amor, carinho, respeito, diálogo e comunhão. Cada vez mais rapidamente surgem novas tendências e ao jovem cabe olhar tudo isso com muita atenção. Não lhe foge a realidade de que, a cada dia que passa, transformações ocorrem de maneira tão “natural”, que fica difícil perceber como acontecem e, sem se dar conta, ele já está vivenciando e fazendo parte delas. Assim é o núcleo familiar em que muitos jovens vivem hoje.

Carmem, de 21 anos, nos diz:

- “Sempre morei com a minha avó. Ela é a minha mãe e isso não poderia ser diferente”. Somos capazes de entender a família através do que vivemos no dia-a-dia, pois essa construção se dá cotidianamente e faz com que nossas decisões futuras se baseiem muito no presente. “Sinto muita falta do meu pai. Quando era mais novo, senti até uma certa raiva dele. Hoje, sou capaz de entender algumas coisas; outras, ainda não; então, quero ser o melhor pai do mundo, o mais presente possível, porque sei como isso faz diferença depois!”, comenta Carlos Henrique, 26 anos. A família é o berço de todas as relações e de toda formação de uma pessoa, portanto, queremos configurá-la como o lugar onde devem estar presentes os valores do Evangelho, onde se possa enxergar o outro como alguém especial e que sempre será importante para as suas relações, onde o diálogo e também as orações sejam o meio de resolver os conflitos que possam aparecer e onde Cristo
seja o espelho das ações de cada um.

Espírito de Natal
Jonathan Constantino – 20 anos

Soam ao longe os sinos
e piscam luzes por todo lado,
pois por elas é propagado
o espírito de Natal com seu brilho.

À meia-noite, o tic-tac.
É Natal, mesa farta de alimento
e guloseima para toda a família
junta curtir a ceia,
sem fazer da injustiça alarde!

Natal é parir na Terra, o Céu!
É dar à luz o Amor,
abandonar a inércia e torpor.
É ser sinal e não Noel!

É todo dia.
Amar não tem data certa.
Natal cotidiano: fé concreta
que paz ao mundo irradia.

É Natal do colo da mamãe,
dos afagos e conversas com papai.
Rir co’s amigos até não querer mais.
Sorrir, cantar, partilhar pães!
Dizer “eu te amo” a quem bem se
quer. Chegar em casa abatido
e sentir-se reconstruído por um bolo
de fubá e um copo de café.

Do José, pai adotivo.
De Jesus, o adotado
que no ventre já foi rejeitado,
pois de mãe solteira era filho.

Creio num tempo festivo
no qual os homens cantem:
– Glória! Mas não dessa forma hipócrita, cegando-se à realidade d’homem sofrido.

Pois o Verbo se encarnando num rei às avessas sem trono e reino, mostrou que a ação no Amor surte efeito e ensinou o homem a ser humano.

EXPEDIENTE
Conselho Editorial: Ernesto Arosio, Gianfranco Vianello, Celina Missura, Adriana Bergamaschi, Itabira Jonas, Pedro Miskalo
Coordenação Geral: Ana Maria Pisani
Coordenação Jovem: Cícera Gianini
Redação: Aparecido Cícero, Douglas Martins, Greicieli Almeida, João Henrique da Silva, Maicon Sérgio, Rafael Stemberg, Renato Trindade Jonas, Victor Luigi Bautista Pisani, Thamara Chrystina de Andrade
Colaboradores: Gilvair Messias, Ian Oliver Sarmento e Marta Almeida
Contato: entrejovens@mundomissao.com.br – Rua Joaquim Távora n.º 686 – Vila Mariana – São Paulo - SP - 04015-011
Tel.: (11) 5549-7295

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