Revista "MUNDO e MISSÃO"
Jovens
| Setembro
de 2006 – Edição n.º 02
PAPO ABERTO “A MUNDO e MISSÃO ficou ainda melhor com o Entre Jovens. Ficou muito mais dinâmica e interessante. Parabéns pela iniciativa e pelo espaço para o público jovem!”. Fernanda – São Paulo “Conheci a revista através de amigo, que visitou nosso Grupo de Jovens. Encantei-me com o espaço reservado aos jovens, que nos permite expressar idéias e pensamentos, muitas vezes sufocados pelos preconceitos de algumas pessoas... Parabenizo a todos da Mundo e Missão!” Fábio – São Paulo “Gostaria de parabenizar a equipe do Entre Jovens. Trabalho em um grupo de Jovens e irei utilizar o material durante um encontro e outro, até mesmo para despertar o interesse de outras pessoas do grupo para lerem a revista. Parabéns!!! Continuem assim!!! Andressa P. de Brito – Jovens Sementes Desarmamento Infantil Ian
Oliver Sarmento - 17 anos
O desarmamento infantil é amputar um futuro podre fazendo com que não só crianças, mas todos nós não tenhamos um final trágico”, conclui Diego R. M., jovem que vive o problema diariamente onde mora. Além de tudo, essa sensação de encantamento por parte das crianças é inteiramente interessante ao traficante/adulto armado, uma vez que este vê no adolescente alguém que pode cometer crimes, com restrita penalidade. Mas, por trás e muito maior que tudo isso, há a questão: “Por que as crianças, e até os adultos, têm que andar armados?”. A resposta pode ser simples para quem analisa politicamente o sistema. Há pessoas que vivem de forma indigna nas favelas e são obrigadas, por causa de um sistema repressor, a optar por sua única saída, por sua única oportunidade: a arma, o crime. A solução não é matar bandido, mas evitar que assim ele se torne – bastam oportunidades, que lhe garantam viver com dignidade. EDITORIAL Um presente lindo!
Cícera Gianini OPORTUNIDADE Bolsas de Estudo no Colégio
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faz a diferença! Acredite! CENTELHAS por Gianfranco Vianello
A nossa vida Esta ordem de Jesus aos seus discípulos quebra os lugares, as amizades, as lógicas que, até aquele momento, habitavam no coração, nos olhos deles. Chegou o tempo de tomar consciência e responsabilidade que existem outros lugares, pessoas, culturas que precisam de Jesus, da sua Palavra. Esta responsabilidade é fundada sobre a experiência que eles fizeram com Jesus. Não se trata de difundir uma idéia, mas de transmitir uma experiência pessoal. Jesus é objeto de experiência, de amizade, de amor, de aliança. Tudo isso faz brotar a sabedoria cristã. Eis o primeiro compromisso: fazer com que Jesus desça em toda a nossa pessoa, possa iluminar e encher a nossa mente, a nossa afetividade, os nossos interesses e produzir frutos de justiça e de paz. É o nosso mundo interior, o primeiro que deve ser evangelizado. São Paulo, nesta experiência totalizante de sua vida, chega à conclusão dizendo: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Enquanto vivo na carne mortal, vivo de fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gal 2,20). Que beleza, que alegria por esta Presença que não humilha a minha dignidade, os meus projetos, as minhas buscas: ao contrário, ela realiza tudo isso na mais ampla profundidade da minha existência! “Eu estarei convosco sempre!”. O anúncio de Jesus, da sua Palavra, da sua lógica divina derruba os muros do ódio e da contraposição, criando em si mesmo homens novos, mulheres novas, maneiras novas de entender e viver as culturas, as diferenças étnicas, raciais, sociais, como riquezas destinadas a todos, como caminhos diferenciados da humanidade para manifestar a grandeza e a sabedoria de Deus, e alcançar a felicidade verdadeira. Esta experiência íntima com Jesus é a garantia que afasta todo fundamentalismo que, ao contrário, parcela, divide, cria muros entre povos e nações, grupos e etnias, alimentando o fogo da inimizade, as falsas diversidades, e aqueles tipos de interesses particulares que fazem esquecer o bem comum. Os homens do mundo inteiro têm esperança de levar a história à sua plenitude. Só com Cristo é possível abrir as nossas inteligências para compreender o misterioso projeto de Deus sobre a humanidade: criar uma única e verdadeira fraternidade, filhos e filhas do mesmo Pai, sustentados pelo mesmo Espírito de verdade e de paz. Os horizontes Este é o nosso batismo: ser mergulhados com amor e inteligência neste projeto de benevolência de Deus, fortalecidos, para caminhar com todo homem de boa vontade em construir espaços de humana convivência, onde cada um possa contribuir ao integral desenvolvimento da pessoa humana. O anúncio do Evangelho é o serviço mais profundo e necessário para alcançar este objetivo e realizar este sonho, gravado no coração dos homens, desde o começo da vida, até a completa realização de nossa existência em Deus. PRACURTIR Por Cícera Gianini Lageman dirige a história da menina Maria, que, após ser vendida pelos pais, entra na prostituição para tentar sobreviver. Vale a pena conferir e debater entre os seus amigos essa triste realidade que ainda se faz presente na vida de milhares de crianças e adolescentes de nosso país.
SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA APARECIDA Aproveite o mês de outubro e faça uma visita à casa de nossa Mãe. Lá, você encontrará a Sala de Promessas, a Igreja Nova e a Antiga, além de uma grande estrutura para recebê-lo. Mais informações sobre a programação no site do santuário: www.santuarionacional.com.br
DIA DAS CRIANÇAS
Que tal visitar alguma criança carente no dia
12? Estaremos esperando seu relato sobre essa visita. Veja, nas páginas 36-37, desta edição,
a entrevista com 2.ª
Missão Jovem – Diocese de Santo Amaro – SP PROVOCAÇÃO Entrevista
Entre Jovens encontra, mais uma vez em seu caminho, jovens que com seu testemunho de vida nos fazem acreditar ainda mais que um novo mundo é possível. Na periferia da Zona Sul de São Paulo, encontramos o seminarista Edcarlos, 23 anos, que até dezembro fica na região para um estágio pastoral. De Iguape, litoral sul de São Paulo, para o Seminário de Brusque, Santa Catarina e de lá para o mundo. Ele é um jovem que responde com alegria ao chamado à Vocação Missionária. Entre Jovens: Como foi a descoberta de sua vocação? Edcarlos – Nasci em uma família de tradição católica, porém meus pais não eram engajados em atividades pastorais. Minha maior influência foi mesmo de outros parentes e depois que recebi os sacramentos da Eucaristia e Crisma, aos 17 anos. A partir desse momento, engajei-me em diversas pastorais na comunidade, e em 2000, através de um seminarista diocesano que me convidou a participar de um encontro vocacional (e depois desse, vieram mais 6), descobri que minha comunidade não me satisfazia mais, que precisava de algo mais forte e comecei a pensar seriamente nisso. Entre Jovens: Por que o PIME? Edcarlos –Conheci o Pime por intermédio do Jornal Missão Jovem, que recebíamos mensalmente na comunidade. O que chamava mais minha atenção eram os testemunhos de tantos padres missionários sobre a evangelização além-fronteiras. Fui despertado pelo amor à Missão e pela certeza que Jesus deve ser conhecido por todos! Entre Jovens: Qual foi seu maior desafio? Edcarlos – Depois que escrevi uma carta ao Seminário do Pime em Brusque, recebi visitas dos padres Jaime e Laércio, da animação vocacional, e depois chegou uma carta me aceitando. Fiquei com muito medo porque deixaria minha família, iria para um ambiente diferente, tinha receio de viajar... O maior desafio mesmo foi o ritmo de vida no seminário, que é muito diferente, e a convivência com companheiros de diversas regiões do Brasil. Hoje encaro tudo numa boa. Entre Jovens: Como está sendo sua temporada de estágio pastoral aqui em São Paulo? Edcarlos – Está sendo uma experiência ótima, junto ao Padre Maurílio, que tem me proporcionado momentos de aprendizagem e amadurecimento. O que mais me impressiona é que jamais imaginava que, numa região de periferia duma grande cidade como São Paulo, fosse possível encontrar pessoas com uma vivência de fé tão profunda como encontrei. Mais que tudo, essa experiência está servindo para quebrar os preconceitos que tinha, e que muitos outros também têm, e que os meios de comunicação ajudam a confirmar.
Que caminho seguir?
Da mesma forma, cria-se uma certa apreensão quanto à carreira profissional a ser escolhida diante de suas vantagens ou dificuldades. De todos os fatores expostos acima, contudo, o mais complicado para os jovens é ter de abster-se de seus gostos quando se inserem no mercado de trabalho e efetivam sua responsabilidade social. Afinal, trabalhar não é apenas um meio de subsistência, mas, sobretudo, um veículo para construir uma sociedade mais justa e igualitária que preze a ética. Por isso, é importante refletir e buscar respostas esclarecedoras no momento em que se decide o caminho a ser seguido.Jovem, compartilhe com a gente suas preocupações, inseguranças e dúvidas sobre a escolha da sua profissão e/ou vocação! A troca de idéias, experiências e iniciativas pode nos ajudar! Thamara Chrystina de Andrade REPORTAGEM
Por
Douglas Martins – 23 anos e Elas
até gostariam de comemorar o Dia das Crianças,
Em São Paulo, não é necessário ir muito longe para presenciar o trabalho infantil, que vai desde venda de balas, até malabares com fogo nos semáforos. O Entre Jovens foi conferir o trabalho de crianças que substituem os finais de semana por “trocados” para ajudar a família. “Eu tenho dó, porque elas deviam estar na escola e estão aqui”, disse Flávia Lima, motorista que trafegava nas imediações da Av. Sumaré, em São Paulo. Enquanto muitos ignoram essa realidade, existem pessoas preocupadas com o futuro dessas crianças. É o caso de ONGs, instituições e centros filantrópicos. Um exemplo é o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, no bairro do Belém, na zona leste de São Paulo, que atende milhares de crianças e adolescentes que se encontram em situação de rua, sem estrutura familiar, saúde, educação e moradia (conheça a obra: www.acolhe.org.br). “É necessário se relacionar com essas crianças de uma maneira amorosa, buscando compreendê-las, aceitá-las e respeitá-las”, explica Marilda dos Santos Lima, supervisora do Grupo de Apoio Pastoral Pedagógico do Centro Social. De acordo com a Instituição, a relação do jovem com a criança, que deixa seu tempo de lazer para trabalhar, é importante, pois cria-se um vínculo, faz com que esse contato sirva de referência em suas vidas. “Existem muitos jovens que freqüentaram as unidades quando crianças e hoje são voluntários”, completa Marilda. Ainda existe um grande caminho a percorrer e toda sociedade tem o dever de mudar essa realidade. A escolha é nossa.
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