|
A Igreja da Oceania celebra o Sínodo
Alberto Garuti
"Jesus Cristo: seguindo o Seu caminho, proclamando
a Sua verdade, vivendo a Sua vida" foi o lema do Sínodo que
a Igreja, disseminada nos vastos espaços do Oceano Pacífico,
acabou de celebrar
Quem assistiu à solene concelebração
eucarística na Basílica de São Pedro, no dia 22 de
novembro, viu alguns ritos e cerimônias diferentes dos que costumam
se realizar nesses momentos. A entrada do papa foi precedida pelo som
de conchas, o Evangelho foi carregado num trono, tendo ao lado uma guarda
de honra formada por quatro chefes de tribos de Samoa; entre outros dons,
foram apresentadas, no ofertório, uma canoa, representando a Igreja,
e uma coroa de flores, das que os habitantes das ilhas do Pacífico
oferecem aos turistas, simbolizando amizade, alegria e festa.
Era a abertura do Sínodo da Oceania, que se encerrou em 12 de dezembro.
"Desejamos transmitir aos séculos vindouros e às sucessivas
gerações o rico patrimônio da evangelização
da Oceania", disse o papa em seu discurso de encerramento. Falando
da história da evangelização nos vários continentes,
João Paulo II lembrou que Austrália e Oceania foram as últimas
descobertas dos grandes navegadores e que "juntamente com eles, os
missionários foram a essas terras levando o Evangelho e com freqüência
confirmando a verdade divina do mesmo, mediante o próprio martírio".
O papa quis também lembrar os desafios que a evangelização
do continente hoje apresenta: "Como deixar de pôr em evidência
o fato de que até mesmo nas vossas sociedades a religião
padece ameaças e tentativas de isolamento? Como deixar de salientar
o fato de que se deseja reduzi-la a uma experiência individual que
não pode ter qualquer influência na vida social?"
Os 105 bispos que participaram do sínodo entregaram ao papa, no
último dia, uma lista de 48 proposições, fruto dos
trabalhos e das discussões feitas durante a Assembléia.
Baseado nessas proposições, João Paulo II preparará
sua Exortação Apostólica, a ser divulgada daqui a,
mais ou menos, um ano.
Os problemas que foram evidenciados
Os bispos da Oceania assim descrevem sua Igreja:
· muito jovem, cheia de novidades, onde as muitas
culturas, diferentes da ocidental, são ricas do senso do sagrado,
de fraternidade, de alegria. Por isso, torna-se urgente a inculturação,
para poder exprimir o Evangelho na mentalidade indígena;
· uma Igreja de migrantes: europeus, asiáticos, latino-americanos.
O sínodo expressou a gratidão para com esses migrantes,
que enriquecem de fé e cultura as Igrejas e as nações
que os recebem;
· e de indígenas, a quem pediram perdão pelas passadas
incompreensões. Em favor deles, os bispos pediram às Igrejas
e à Santa Sé que defendam seus direitos, em particular,
o de posse das terras;
· uma Igreja que sente os problemas da ecologia. O Sínodo
convidou os países e as Igrejas a se tornarem "os guardas
do Oceano Pacífico", contra a exploração violenta
dos recursos e contra a poluição.
Desafios
Entre os desafios que a Igreja da Oceania deve enfrentar,
o principal é o da secularização, como é veiculada
pela mídia e pela publicidade. Para isso o Sínodo sugeriu
as seguintes estratégias:
· mídia: bispos, padres e leigos devem
aprender a linguagem da mídia e usá-la. Uma proposta interessante
foi a de fundar um Centro mídia para toda a Oceania;
· universidades e escolas, já desenvolvidas e estimadas
em todo o continente. É importante que elas encontrem professores
e pessoal técnico católicos, que sejam, ao mesmo tempo,
profissionais sérios em sua área e testemunhas de vida cristã;
· trabalhar para a justiça social e para aprofundar a doutrina
social da Igreja.
Sugestões pastorais
Duas das proposições finais são
dedicadas ao matrimônio e à assistência pastoral dos
separados e divorciados; uma aos jovens, a respeito dos quais pede-se
ao pessoal que cuida pastoralmente deles que aprenda seu linguajar característico;
uma aos diáconos permanentes, a respeito dos quais se fazem votos
que se continue sustentando a difusão.
Mas a maior parte das proposições de caráter pastoral
diz respeito ao pessoal consagrado (padres e religiosos). Se, de um lado,
se reconhecem as dificuldades enfrentadas pelos sacerdotes, devido às
condições de vida do continente (isolamento, longas viagens,
secularismo), doutro lado, há um forte elogio do celibato e da
fidelidade à consagração.
Há um aceno às comunidades que se encontram sem padres e
sem sacramentos e um pedido ao papa para que se estudem, juntamente com
os bispos da Oceania, algumas possíveis soluções.
Algumas respostas, a esse pedido, já foram dadas no fim do Sínodo.
O card. Cassidy, na reunião final com a imprensa, disse: "É
muito improvável que a solução seja a do casamento
para o padre". O próprio João Paulo II, num rápido
diálogo final com a assembléia, chegou a dizer, com um sorriso:
"Nestes dias rezamos pouco em latim... Nós somos Igreja latina,
não grega". Alguém viu nestas breves frases, um aceno
ao fato de que, na Igreja latina existe a obrigatoriedade do celibato
para o clero.
A OCEANIA TAMBÉM ENVIA MISSIONÁRIOS
Embora seja, em grande parte, ainda terra de primeira
evangelização, a Oceania também contribui para a
missão, enviando missionários além fronteiras.
PAÍS Missionários enviados Missionários
recebidos
· Oceania (total) 1255 1647
· Austrália 727 221
· Papua Nova Guiné 10 872
· Ilhas Salomão - 1
· Ilhas Wallis e Futuna 104 14
· Samoa 20 95
· Fiji 40 40
· Nova Caledônia 27 137
· Tonga 42 14
· Nova Zelândia 250 75
· Vanuatu - 3
· Ilhas Marshall - 2
Fonte: Solidaires
Estatísticas sobre o Sínodo e a Oceania
· Participaram da assembléia 105 bispos,
39 deles só da Austrália.
· Foi um Sínodo composto por muitos pastores e poucos teólogos.
· A população do continente é de 28 milhões
de habitantes: só a Austrália, Papua-Nova Guiné e
Nova Zelândia têm 23.
· Os católicos são 8 milhões.
· Foi dada, no Sínodo, muita ênfase à inculturação.
Este processo, contudo, encontra muita dificuldade na grande variedade
das línguas. Só na Papua-Nova Guiné, elas são
700, sem contar os dialetos. Cada pequena ilha do Pacífico tem
sua língua. Os aborígines da Austrália têm
línguas faladas, às vezes, só por algumas centenas
de pessoas.
· A problemática da Oceania é muito variada: nos
países de cultura predominantemente ocidental (Austrália,
Nova Zelân-dia), nota-se um aumento dos não-crentes e dos
que abandonam a fé: eles eram 2% 40 anos atrás e são
19% hoje. Nos países de cultura mais aborígine, contudo,
as conversões para a Igreja católica estão em contínuo
aumento.
|