Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Geral

Shalom, novo amigo!

Costanzo Donegana

Assim um jornal judeu cumprimentou João Paulo II, no fim de sua visita-peregrinação à Terra Santa. Uma "viagem de cura" das feridas históricas, como a definiu o primeiro ministro israelense, Ehud Barak. Sem comentários, reproduzimos algumas palavras do papa e algumas reações de quem o encontrou

Palavras de João Paulo II

Minha viagem é uma peregrinação, em espírito de humilde gratidão e esperança, às origens de nossa história religiosa. É um tributo às três tradições religiosas que coexistem nesta terra. Esperava há muito tempo encontrar os fiéis das comunidades católicas na sua rica variedade e membros das várias Igrejas e comunidades cristãs presentes na Terra Santa. Rezo para que minha visita contribua para fazer crescer o diálogo inter-religioso, que levará os cristãos, os judeus e os muçulmanos a individuar, nas respectivas crenças e na fraternidade universal que une todos os membros da família humana, a motivação e a perseverança para operar em favor daquela paz e daquela justiça que os povos da Terra Santa ainda não possuem e que almejam tão profundamente (...).
Os cristãos e os judeus devem fazer esforços corajosos para afastar todas as formas de preconceito. Devemos lutar para apresentar, sempre e em qualquer lugar, o verdadeiro rosto dos judeus e do judaísmo, como também dos cristãos e do cristianismo, e isso em nível de mentalidade, de ensino e de comunicação.
Tel Aviv - Israel

As condições aviltantes nas quais os refugiados muitas vezes devem viver, o prolongar-se de situações que são dificilmente toleráveis também nas emergências ou por um breve período de tempo, o fato de as pessoas serem obrigadas a ficar por anos nos assentamentos: é esta a dimensão da necessidade urgente de se encontrar uma solução justa às causas que estão na base do problema (...). Lanço um apelo para uma maior solidariedade internacional e para a vontade política de enfrentar esse desafio (...).
Só com uma paz duradoura, não imposta mas garantida através de negociação, as legítimas aspirações palestinas serão satisfeitas. Só então a Terra Santa verá a possibilidade de um novo futuro luminoso, não mais estragado por rivalidades e conflitos, e sim firmemente baseado sobre a compreensão e a cooperação pelo bem de todos.
Deheisha - Campo de refugiados palestinos

Judeus e cristãos compartilham um imenso patrimônio espiritual, que provém da auto-revelação de Deus. Nossos ensinamentos religiosos e nossas experiências espirituais exigem de nós que vençamos o mal com o bem. Nós lembramos, mas sem nenhum desejo de vingança nem como um incentivo ao ódio. Para nós, lembrar significa rezar pela paz e a justiça e empenhar-nos por sua causa (...) A Igreja católica, motivada pela lei evangélica da verdade e não por considerações políticas, está profundamente entristecida pelo ódio, os atos de perseguição e as manifestações de anti-semitismo dirigidas contra os judeus, por cristãos de todo tempo e lugar. A Igreja recusa toda forma de racismo como uma negação da imagem do Criador que está em todo ser humano.
Yad Vashem - Mausoléu do Holocausto - Jerusalém

OUTRAS FRASES

A peregrinação do papa, rica de palavras luminosas, mas sobretudo de gestos de alto valor simbólico, abriu os olhos de muitos judeus, fechados pela lembrança do desprezo e das perseguições, pelos preconceitos ou, mais simplesmente, pela ignorância geral da realidade histórica (...).
O papa conseguiu demonstrar que sua Igreja constitui a mais forte presença espiritual no mundo e mostrar que a abertura do novo Milênio constitui uma irrenunciável ocasião de reconciliação para cristãos e judeus, cristãos e muçulmanos e para todos eles em conjunto. A Igreja católica é parte dos problemas e parte da solução.
Rabino David Rosen, diretor da Liga anti-difamação

O papa veio trazer arrepen- dimento e reconciliação. Israel lhe deu um abraço de amizade e de gratidão por aquilo que fez.
Ha-Aretz, Jornal de Jerusalém

Hoje é o dia no qual começa nossa nova esperança.
Ahmed Al-Hasant, palestino, refugiado há 44 anos

Os ocidentais tiveram mais uma vez a possibilidade de entender nossa maneira de viver a religião. Para nós, é algo de cada dia, de vital, que se sente a cada momento. E quando um papa como esse faz certos gestos concretos e diz certas palavras, o homem oriental entende que o sentido de justiça está realmente no coração da fé cristã.
Samyr Al Qaryouti, jornalista palestino

O mundo árabe está muito feliz pela visita do papa, porque ele é um símbolo muito forte de paz. É um verdadeiro herói do diálogo e da tolerância. Os árabes sentem que sua presença poderá só estimular e reforçar o processo de paz. É significativo que o papa chegue exatamente na Palestina, porque aqui existe uma notável comunidade cristã que, graças à visita do pontífice, tem a oportunidade de não se sentir mais isolada, mas de se aproximar de Roma.
Abdul-Bari-Atwan, intelectual árabe

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