Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Geral

Uma parábola de comunhão

Costanzo Donegana

Taizé é uma comunidade ecumênica, radicada na contemplação e solidária com os pobres, capaz de arrastar milhares de jovens, transformando-os em multiplicadores de confiança no mundo inteiro.

A HISTÓRIA

As origens

Quando perguntamos ao fundador de Taizé, irmão Roger Schutz, o que, no começo, determinou suas escolhas, muitas vezes, ele responde evocando sua avó. Durante a Primeira Guerra Mundial, ela era viúva e vivia no nordeste da França. Seus três filhos combatiam na linha de frente. Sob o fogo dos bombardeios, ela quis permanecer em sua casa para receber os que fugiam: pessoas de idade, crianças, mulheres grávidas. Só partiu no último instante, quando todos tiveram que fugir. Desde então, seu maior desejo era que nunca mais ninguém tivesse que viver o que ela viveu. Os cristãos divididos já se mataram entre si, dizia ela, que pelo menos se reconciliem para tentar impedir uma nova guerra na Europa. Sendo de uma família de tradição evangélica, ela decide começar nela mesma a reconciliação, indo ao encontro da Igreja católica.
As duas aspirações de sua avó: o risco por causa dos mais maltratados da época e a reconciliação com a fé católica, visando à paz na Europa, marcarão a vida do jovem Roger.
Em 1940, ele tem 25 anos. Uma nova guerra mundial dilacera a Europa. Há vários anos, ele traz em si o projeto de criar uma comunidade onde seja possível viver todos os dias a reconciliação. Deixa então o seu país natal, a Suíça, e vai estabelecer-se na França, país de sua mãe, para estar onde a guerra era mais dura. "Quanto mais o crente quer viver um absoluto de Deus, escreve ele mais tarde, mais é essencial inserir este absoluto no sofrimento humano".
À procura de uma casa, ele chega a Cluny e, nos arredores, descobre uma casa que estava à venda na aldeia de Taizé. Lá, uma senhora de idade, a quem ele conta o seu projeto, lhe diz: "Fique aqui, estamos tão isolados". A frase soou para ele como se fosse a voz de Deus.
Taizé fica a poucos quilômetros da linha de demarcação que dividia a França em duas. Na casa que adquire, esconde refugiados políticos, particularmente judeus. Permanece em Taizé de 1940 a 1942. Sozinho, reza três vezes por dia num pequeno oratório, como fará a futura comunidade, em cuja criação medita.
Nos dias 11 e 12 de novembro de 1942, a França é totalmente ocupada e a Gestapo, a polícia do nazismo, vem revistar a casa, à procura daqueles que ele escondia. Mas ele estava na Suíça ajudando uma pessoa, que não tinha os documentos necessários, a atravessar a fronteira. Vê-se então obrigado a ficar naquele país do final de 1942 até ao fim de 1944.

A comunidade, parábola de comunhão

Em 1944, irmão Roger volta a Taizé, mas desta vez acompanhado pelos primeiros irmãos que encontrou. Em 1949, comprometem-se juntos, e para sempre, a viver no celibato, em comunidade e na simplicidade. Prior da comunidade, o irmão Roger escreve para seus irmãos, em 1952, uma pequena regra de vida, a "Regra de Taizé", que mais tarde recebe o nome "As Fontes de Taizé".
À medida que os anos passam, pouco a pouco, a comunidade cresce. Se, no início, os irmãos eram de origem evangélica, não tardaram a juntar-se irmãos católicos à comunidade que hoje reúne membros de mais de vinte e cinco nacionalidades.
Pela sua própria existência, a comunidade é um sinal de reconciliação entre cristãos divididos. Ela procura ser uma "parábola de comunhão", um lugar onde, a cada dia, se busca a reconciliação.
Se a reconciliação dos cristãos está no centro da vocação de Taizé, todavia nunca é vista como um fim em si mesma. Os cristãos são chamados a ser fermento de reconciliação entre todos os homens, de confiança entre os povos, de paz sobre a terra.
A comunidade não aceita para si mesma nenhum donativo, nenhuma oferta. Os irmãos não aceitam suas heranças pessoais. É unicamente a partir do seu trabalho que garantem o sustento da comunidade e podem partilhar com outros.
Desde os anos 50, alguns irmãos vão viver em lugares desfavorecidos do mundo, para serem aí testemunhas de paz, para estarem ao lado dos que sofrem. Hoje, em pequenas fraternidades, os irmãos vivem em bairros pobres na Ásia, na África, na América do Sul e do Norte, procurando partilhar as condições de vida daqueles que vivem à sua volta.

A comunidade

Quem é você, pequena comunidade? Será um instrumento eficaz? Não, nunca. Por mais bonito que isso possa ser.
Será um grupo de homens reunidos para serem humanamente mais fortes, de forma a realizar o seu próprio projeto? Também não.
Vivem então em comunidade apenas porque se sentem bem juntos? Não. Assim, a comunidade teria seu objetivo em si mesma e isso nos faria criar pequenos ninhos. Para serem felizes juntos? Com certeza, mas sempre no contexto do dom de nossas vidas.
Quem é você, pequena comunidade de Taizé repartida em diversos locais do mundo? É uma parábola de comunhão, um simples reflexo dessa comunhão única que é o Corpo de Cristo, a sua Igreja, e por isso é fermento na família humana.
A que é chamada? Em nossa vida em comum, só é possível avançar descobrindo, de novo e sempre, o milagre do amor, no perdão quotidiano, na confiança do coração, na compaixão, num olhar de paz que dirigimos àqueles que nos são confiados... Se nos afastarmos do milagre do amor, tudo se perde, tudo se dissipa.
Pequena comunidade de Taizé, qual será o desejo que Deus tem para você? Chegar a ser uma comunidade viva, ao se aproximar da santidade de Cristo.
Irmão Roger Schutz

ENCONTROS EM TAIZÉ

A partir de 1957-58 e cada vez mais numerosos, os jovens começaram a ir a Taizé. Vindos de Portugal ou da Suécia, da Escócia ou da Polônia e depois dos outros continentes, eles participam de encontros de uma semana, centrados na busca das fontes da fé.
O número de jovens da Europa de Leste que vão a Taizé cresceu progressivamente, tornando-se maior com a abertura das fronteiras em 1989. Isso porque, desde o início dos anos 60 e durante todo o período de divisão da Europa, a comunidade de Taizé sempre manteve contatos estreitos, muitas vezes com muita discrição, com jovens e adultos do Leste.
Os rostos de jovens de diversos povos e culturas testemunham a dimensão universal que há em Taizé. Cada semana, os encontros reúnem jovens de 35 a 70 nacionalidades, do México ao Japão, do Zaire à Índia, do Haiti à África do Sul. Famílias de diversos países também vão a Taizé com os seus filhos, para uma semana de oração e encontros. Sem contar os peregrinos que, dias após dia, passam algumas horas em Taizé, estes encontros internacionais reúnem, durante o verão, 3000 a 5000 jovens por semana, 500 a 1000 na primavera e no outono.

Oração e partilha

Ao longo dos anos, centenas de milhares de jovens passaram por Taizé, refletindo sobre um tema central: vida interior e solidariedade humana. Nas fontes da fé, eles procuram descobrir um sentido para suas vidas e retomar fôlego. Durante uma semana de oração e de partilha com jovens de tantos países diferentes, eles se preparam para assumir responsabilidades nos lugares onde vivem.
Três vezes por dia, todos fazem a oração em comum na igreja da Reconciliação, que foi construída em 1962 e progressivamente ampliada entre 1990 e 1992. Os cânticos de Taizé são característicos: compostos por uma frase simples cantada repetidamente, em diversas línguas, expressam uma realidade essencial, rapidamente captada pela inteligência, que pouco a pouco é interiorizada pela totalidade da pessoa. À noite, a oração com os cânticos prolonga-se por várias horas. Enquanto isso, há irmãos que ficam na igreja para ouvir os que querem expressar uma dificuldade, fazer uma pergunta pessoal.
A oração de cada sábado à noite é como uma vigília de Páscoa, uma festa de luz. Na sexta-feira à noite, o ícone da cruz é colocado no chão e cada pessoa pode apoiar a cabeça nele, depositando em Deus tudo quanto lhe pesa sobre os outros, acompanhando assim o Ressuscitado na sua agonia, em nome daqueles que passam por provações.
Desde 1966, as irmãs de Santo André, comunidade católica internacional fundada há 750 anos, vivem na aldeia vizinha e assumem parte das tarefas relacionadas à acolhida das pessoas em Taizé.
O papa João Paulo II visitou a comunidade de Taizé no dia 5 de outubro de 1986. Durante a oração em comum, ele explicou aos jovens reunidos o sentido de sua visita:
"Passa-se por Taizé como se passa por uma fonte. O viajante pára, mata a sede e continua a sua caminhada. Os irmãos da comunidade, como sabem, não os querem reter. Eles querem, na oração e no silêncio, permitir que vocês bebam a água viva prometida por Cristo, que conheçam a sua alegria, que saibam discernir sua presença, que respondam ao seu chamado e que depois testemunhem o seu amor e sirvam os irmãos nas paróquias, escolas, universidades e em todos os locais de trabalho. Hoje, em todas as Igrejas e comunidades cristãs e até entre os mais altos responsáveis políticos do mundo, a comunidade de Taizé é conhecida pela confiança sempre cheia de esperança que coloca nos jovens. Acima de tudo, é porque partilho esta confiança e esta esperança que estou aqui nesta manhã".

Palavras-chave

Um jovem que foi a Taizé resumiu sua experiência em algumas palavras-chave:
Saborear a beleza e a alegria de viver juntos em perfeita unidade e na mais harmoniosa diversidade; tecer e voltar a aprofundar laços de amizade; conviver com amigos e conhecidos de outras peregrinações, comunicando na própria língua ou numa "mistura" que a amizade torna compreensível.
Ser ator na construção da cidade humana de Taizé, desenvolvendo uma característica: o voluntariado. Os participantes tornam-se voluntários no trabalho pela comunidade: nas cozinhas, nos refeitórios, nas limpezas, na jardinagem ou na distribuição dos cânticos que irão marcar as grandes liturgias, ou coordenando o trabalho de organização das pessoas na igreja.
Mas Taizé tem uma terceira palavra-chave: reflexão e encontro. Com base num texto evangélico, um irmão da comunidade reflete com os participantes sobre a maneira de aplicar, nos dias de hoje, os ensinamentos de Jesus. Reuniões de grupo, meditação e silêncio marcam o dia-a-dia de Taizé. A escolha do grupo de trabalho dá a possibilidade de encontrar-se com pessoas de diferentes países.
Quem vai a Taizé deve estar preparado para uma verdadeira experiência de oração pessoal e comunitária. De fato, o dia está marcado por três grandes momentos de oração; os cânticos e os salmos, a leitura bíblica e o silêncio permitem interiorizar os grandes desafios do mundo e transformá-los em intercessões dirigidas ao Senhor da história. A diversidade de línguas abre o coração à universalidade da Igreja. O lugar da oração é a igreja da Reconciliação, cuja semi-luminosidade convida ao recolhimento.

Luís Lima - "Mensageiro de Santo Antônio" (Portugal) dezembro 1998

ATRAVÉS DA TERRA

Em 1970, o irmão Roger lança a idéia de um concílio de jovens e a reunião principal acontece em 1974. Num período de desânimo e de afastamento da Igreja, o concílio de jovens suscita neles a esperança de tomar parte ativa na reconciliação dos cristãos e na construção da paz. Suspenso provisoriamente em 1979 para um tempo de amadurecimento, podendo ser retomado mais tarde, o concílio de jovens dá origem a "uma peregrinação de confiança através da terra".
Essa peregrinação de confiança não organiza os jovens num movimento em torno de Taizé, mas estimula-os a tornarem-se, nos locais onde moram, criadores de paz, portadores de reconciliação na Igreja e de confiança sobre a terra, comprometendo-se no seu bairro, na sua cidade, na sua paróquia, com todas as gerações, desde as crianças até as pessoas de idade.
Para apoiar essa peregrinação, todos os anos, irmão Roger escreve uma "Carta" que é traduzida em 60 línguas. Muitas vezes, ele a escreve num lugar pobre, onde vive durante algum tempo, para estar perto dos que sofrem provações, como no bairro onde vivem os seus irmãos em Nova Iorque, chamado "Hell's Kitchen" ("Cozinha do Inferno"), num bairro indígena no Chile, numa favela de Calcutá, na África do Sul, no Líbano, no deserto da Mauritânia, numa favela de Madras, na Etiópia, nas Filipinas.

Jovens geram confiança

No fim de cada ano, milhares de jovens se encontram, durante alguns dias, numa cidade européia que os acolhe através de suas paróquias. O encontro de Paris, em 1994, reuniu mais de 100 mil jovens de toda a Europa. Taizé, às vezes, anima também encontros de jovens noutros continentes, na Ásia, na América do Norte, na África.
O último encontro aconteceu em Milão, Itália, de 28 de dezembro de 1998 a 1 de janeiro de 1999, reunindo 100 mil jovens do mundo todo, hospedados nas mais de 420 paróquias da cidade. Em sinal de acolhida, todos os sinos das paróquias de Milão e das outras cidades da diocese tocaram no dia 28 de dezembro às 19hs, no momento em que os participantes se reuniram para a primeira oração. Mensagens do secretário geral da ONU, Kofi Annan, do papa João Paulo II, dos patriarcas de Constantinopla e de Moscou, dos arcebispos de Cantuária, George Carey e de Milão, card. Carlos Maria Martini, expressaram a esperança do mundo e das Igrejas nos jovens convocados por Taizé. Dizia Kofi Annan: "O encontro de vocês e a fé que o anima são únicos. Numa época em que a exclusão, a precariedade e a indiferença espalham os seus efeitos perniciosos aos quatro cantos do planeta, esta manifestação é um sopro de esperança para o futuro da humanidade".
Em 1988, por ocasião do milênio do batismo da Rússia, graças a uma coleta, Taizé mandou imprimir e enviar para a Rússia um milhão de Novos Testamentos.
Preocupado com o respeito pela vida humana, várias vezes, irmão Roger intervém discretamente em situações de tensão mundial. Em nome dos jovens, faz também contatos públicos pela paz, encontrando-se com governantes de diversos países. Acompanhado por crianças de vários continentes, levou ao então secretário geral das Nações Unidas, Perez de Cuellar, sugestões dos jovens para que a ONU fomentasse a confiança entre os povos. Perez de Cuellar escreveu: "A peregrinação de confiança através da terra que a comunidade de Taizé anima com os jovens contribui para nos aproximarmos do ideal de paz a que todos aspiramos". Em 1974, irmão Roger recebeu o prêmio Templeton, considerado o "Nobel da religião", que Madre Tereza de Calcutá recebera no ano anterior. O dinheiro do prêmio permitiu que jovens de diferentes continentes, com poucos recursos materiais, pudessem se encontrar. Em 1988, irmão Roger recebeu o prêmio Unesco para a Educação da Paz e, em 1992, o prêmio "Robert Schumann" de Estrasburgo, por sua contribuição para a construção da Europa.
Dessa forma, Taizé procura gestos e sinais que, ultrapassando as dificuldades presentes, evoquem a esperança de uma primavera da Igreja, para que ela seja, no coração da humanidade, um lugar de solidariedade e fermento de reconciliação.

Hanna, entre guerra e paz

Não é a primeira vez que ela vem a Taizé, porém agora tem uma idéia, um projeto e passará a próxima semana aqui, em silêncio, para tentar fazer luz dentro de si e encontrar forças para viver. Nada de encontros ou de longas conversas à noite com os novos amigos: por uma semana viverá no recinto do silêncio, onde, se alguém quiser entrar, tem que pedir.
Hanna tem 26 anos e uma vida igual à de muitos jovens europeus. Mas morava em Saraievo e, há cinco anos, sua vida mudou dramaticamente: a guerra entre sérvios, bósnios e croatas separou amigos, famílias, destruiu décadas de convivência religiosa, causou mortes, multiplicou o ódio e o rancor. "A sua vida muda, quando você percebe que basta um segundo para perder tudo. E cada segundo pode ser aquele".
Depois de dois anos e meio assim, Hanna, que é croata, muda-se para Zagreb, onde pode retomar uma vida quase normal e concluir os estudos. "Mas a primeira impressão foi dolorosa: ninguém podia compreender o que meu povo estava passando em Sa-raievo. Eu carregava dentro do coração feridas imensas que precisavam ser curadas".
"Depois - continua Hanna - em 1994 recebi um convite para vir a Taizé. E aqui fiz a experiência de ser acolhida não só porque alguém me hospeda, mas porque me escuta e tem a capacidade de entender, e talvez de partilhar, aquilo que tenho dentro de mim. Todos sabiam que vinha de Saraievo e todos queriam conhecer a minha experiência, a da sobrevivência cotidiana, mas também da fé. É difícil aceitar a guerra: você pergunta continuamente a Deus por que tudo aquilo; dentro de você também acontecem lutas e mudanças interiores. Em Taizé, percebi que contar minha experiência ajudava a entender o que acontece na vida de um jovem, de uma mulher ou de um homem, nessas condições desumanas; e foi a primeira coisa que aprendi: aqui você pode realmente partilhar algo de você mesmo".
A narração de Hanna se interrompe um instante, o tempo de um respiro mais profundo: "Havia um grupo de jovens da Sérvia. Era o primeiro contato que tinha depois da guerra. Foi muito doloroso, porque minhas feridas interiores tinham sarado, mas, quando comecei a falar, me dei conta que eles não se sentiam culpados por aquilo que acontecera, e talvez estivessem certos, porque eles, no que lhes dizia respeito, tinham vivido outras coisas. Começamos a falar de tudo: de fé, de religião, da nossa vida durante a guerra. E enfim entendi que eles eram como todos os jovens, não culpados, e que podíamos construir juntos um futuro sem guerra".
"Meu projeto hoje - conclui - é voltar a viver em Saraievo. Todo mundo me diz para ficar em Zagreb, porque as coisas são mais estáveis, a convivência mais fácil. No entanto, eu quero escolher o desafio de voltar e de viver a reconciliação ali. Como aprendi em Taizé".

Miriam Giovanzana

TAIZÉ NO BRASIL

No ano de 1966, chegaram ao Brasil os irmãos de Taizé. Primeiro foram a Pernambuco e depois ao Espírito Santo. Em 1978, mudaram-se para Alagoinhas, BA, a 109 km de Salvador, num terreno da periferia emprestado pela Igreja local. Para se sustentar, os irmãos têm pequenas oficinas, uma de vitrais, azulejos pintados e restauração de imagens, uma de ícones, outra de velas. A comunidade acolhe jovens que se sentem chamados por Cristo à vida comunitária.
Um centro de hospedagem chamado Mombitaba (lugar de repouso, na língua guarani), com capacidade para 200 pessoas, acolhe grupos e pessoas individuais para encontros e retiros. Uma comunidade de irmãs de Santo André cuida da coordenação e da acolhida na Mombitaba. A presença de Taizé no bairro fez surgir grupos de catequese de primeira comunhão e de crisma, de estudos bíblicos, além dos encontristas; muitas pessoas do bairro participam das orações diárias.
Na Mombitaba, todas as tardes, tem "Porta Aberta", para as crianças do bairro, para uma hora de brincadeiras e merenda.
Ao redor da comunidade de Taizé surgiu a Associação Lar São Benedito - é uma associação beneficente, reconhecida de utilidade pública, com diretoria e finanças próprias, ela procura ajudar a população carente e já conseguiu construir mais de 150 casas para famílias pobres. Mantém ainda três creches e uma pré-escola, dois abrigos para idosos, uma casa para crianças abandonadas e duas escolas de primeiro grau, com classes para surdos e outras para crianças com dificuldade de adaptação. Ajudou a criar oficinas, onde são ministrados cursos de doze profissões diferentes, inclusive computação. Todos os cursos são gratuitos e oferecidos a crianças e jovens pobres.
Também no Brasil, a partir de 1997, Taizé organiza grandes encontros de jovens, chamados "Jornada da Confiança". Neste ano houve uma em Alagoinhas de 2 a 4 de julho e haverá outra em São José do Rio Preto, SP, de 27 a 30 de dezembro. São abertas a jovens de 17 a 28 anos, que ficam hospedados nas casas. A experiência mostra que hospedar um jovem desconhecido, ser acolhido numa família desconhecida exige uma boa dose de confiança de ambas as partes. A coragem de se lançar nesta aventura da confiança, abrindo o coração e as portas da casa, cria laços de amizade e renova a alegria de viver. A partilha faz crescer a comunhão.
A Jornada se compõe de momentos de oração, palestras, aprofundamento em pequenos grupos e inserção na realidade dos bairros.

Santo Agostinho escreveu estas palavras: "Que a vossa vida cante!". Sim, Deus nos quer alegres. Mas como permanecer alegres interiormente, quando temos conhecimento do sofrimento de inocentes, quando ao nosso lado alguns conhecem provações incompreensíveis? Uma comunhão com o Espírito Santo nos torna mais sensíveis para partilhar e compreender o sofrimento dos outros. Quem procura seguir a Cristo está simultaneamente em comunhão com Deus e em comunhão com os outros. A oração é uma força serena que nos trabalha interiormente e nos agita. Ela não nos deixa entorpecer diante do mal. É na oração que vamos buscar as indispensáveis energias de bondade, solidariedade, compaixão. Em qualquer situação, o Evangelho nos chama a uma atitude fundamental, que é a de nos abandonarmos a Cristo. Assim, há uma escolha a fazer, uma decisão a tomar. Que decisão? A de viver na gratidão para com Deus. Sim, com uma alegria interior, constantemente renovada. Para isso, precisamos de um espírito determinado."

Irmão Roger Schutz

Para conhecer melhor:

COMUNIDADE TAIZÉ
Caixa Postal 38
CEP 48.000-000
Alagoinhas - BA
Telefone/fax: (075)422.4748
e-mail: taize.br@nworld.com.br

A "Carta de Taizé", com 6 números por ano, informa sobre encontros e retiros, traz textos de espiritualidade e estudos bíblicos, notícias, cartas dos leitores, etc.
A assinatura anual custa R$ 10,00.

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