Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Geral

A Missão e o jubileu do ano 2000

Alberto Garuti

Pensando já nas celebrações do jubileu do ano 2000, estão se preparando em Roma, uma exposição missionária e uma série de eventos sobre a missão. Pe. Franco Cagnasso, superior geral do Pime e membro da comissão encarregada da organização desses acontecimentos, descreve-nos o que se pretende fazer

M.M.: O que se está preparando para celebrar os 2 mil anos de missão da Igreja?

Pe. Franco.: Os quatro Institutos exclusivamente missionários existentes na Itália reuniram-se em Roma para ver como seria possível dar ao jubileu também um caráter missionário, pois 2000 anos de Igreja são 2000 anos de evangelização.
Em outros jubileus já foram feitas exposições missionárias, mas desta vez, nós queríamos fazer algo mais. Por exemplo, não apenas oferecer ao peregrino a possibilidade de visitar uma exposição de caráter histórico e cultural, mas envolvê-lo em experiências de aprofundamento e crescimento de sua sensibilidade missionária. Estamos querendo propor uma série de eventos que compreendem também a exposição, mas que não se limitem a ela. Esses eventos acontecerão desde a festa de Pentecostes do ano 2000 (10 de junho) até a Epifania do ano 2001 (6 de janeiro).

M.M.: Poderia descrever com mais detalhes para nossos leitores?

Pe. Franco.: Começo descrevendo o local. Trata-se de um bairro chamado "Tre fontane" (Três fontes) em Roma, lugar onde foi martirizado são Paulo, o maior evangelizador. Lá, existe uma abadia de frades trapistas, cuja igreja é dedicada ao martírio desse santo e outra pequena igreja que lembra o martírio de uma legião romana cristã, que preferiu ficar fiel a Cristo e não ao imperador. Atrás da abadia e das igrejas, há grandes campos, normalmente cultivados pelos trapistas e que, durante o próximo ano, permanecerão à disposição das iniciativas que estamos preparando.

M.M.: Quais seriam essas iniciativas?

Pe. Franco.: Em primeiro lugar, a exposição. Nossa intenção foi apresentar aos visitantes, servindo-nos de métodos visuais, como Deus se relaciona com a humanidade e como o homem, embora cometendo erros, respondeu a essa ação de Deus.
Uma parte da exposição será ao ar livre: a procura de Deus por parte do homem, a história das religiões, o envio de Jesus para fazer que os homens se sintam irmãos. E estamos preparando-a de maneira que possa transmitir a idéia de uma humanidade que navega até um ponto determinado, formado pela cruz de Cristo e a sua ressurreição. Os peregrinos encontrarão um grande campo onde estão espalhadas velas triangulares que giram ao vento com imagem de cenas da vida do homem. Passarelas espalhadas no meio das velas convidam os visitantes a seguir um percurso determinado, de maneira a dar-lhes a impressão de estarem navegando na história, que os levará até um ponto central onde se encontra uma grande cruz, símbolo da morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante da história humana. Ali os peregrinos poderão parar e rezar, cada um em sua língua, pois encontrarão plataformas, onde poderão ouvir músicas, orações e reflexões, nas várias línguas mais faladas do planeta. Em seguida, serão convidados a ir para outro lugar onde, juntos, rezarão o Pai Nosso, cada um em sua língua, para significar a fraternidade universal.

M.M.: Como serão apresentados os grandes temas da missão?

Pe. Franco.: Quatro grandes temas relacionados com a missão serão expostos em quatro lugares diferentes.

o O primeiro tema é a missão e seu compromisso com a justiça, com a paz, a solidariedade entre os homens e a conservação do mundo criado por Deus (ecologia). Num edifício pré-fabricado, os peregrinos poderão encontrar vídeos e computadores que projetam em grandes telas as realidades da missão, mostrando como caminha a missão no mundo, dando notícias, por exemplo, sobre um missionário seqüestrado, sobre a guerra em determinado país, enfim a missão em sua realidade especialmente do ponto de vista da solidariedade entre os homens.
o Outro tema será a missão e as culturas, que será focalizado, no interior da igreja da abadia, sob dois aspectos:

a Palavra que se expressa nas diversas línguas: para isso foi pensada uma exposição da bíblia nas diversas línguas do mundo;

Cristo que se encarna em todas as culturas: o peregrino encontrará uma exposição dos rostos de Jesus nas várias culturas.

o O terceiro tema será o diálogo com as religiões. Numa sala que os monges puseram a nossa disposição, haverá uma exposição sobre o diálogo entre as religiões, como a Igreja está se comprometendo com o diálogo e como procura relacionar-se com as várias religiões.

o O quarto tema será o testemunho dos missionários. Na pequena igreja dedicada ao martírio da legião romana, os peregrinos encontrarão missionários que trabalharam nos vários continentes e poderão conversar com eles e conhecer um testemunho de sua vida e de seu trabalho.
Haverá também outras iniciativas: encontros de diálogo com personalidades de várias religiões, três tardes de shows sobre a missão e um congresso de estudos sobre as grandes viagens missionárias, visando mais ao aspecto histórico-geográfico, no contexto da missão.

Serão feitos também convites aos visitantes para participarem de determinadas iniciativas, como participar de abaixo-assinados para promover a extinção da dívida externa dos países pobres.
Esperamos cerca de um milhão de visitantes. É claro que muito mais gente visitará Roma durante o ano do jubileu, mas nossa intenção não é de atrair o peregrino rápido ou com curiosidades de turista. Interessa-nos a qualidade. Fizemos de tudo para atrair pessoas engajadas e que queiram refletir conosco e aprofundar o problema da missão, sejam cristãos, pessoas de outras religiões ou ateus.

M.M.: Isso exige o trabalho de muitas pessoas...

Pe. Franco.: Exatamente. O problema principal a resolver foi o da diversidade das línguas. Receberemos visitantes de todas as partes do mundo e precisamos nos comunicar com eles. Precisamos de intérpretes e por isso procuramos a casas de formação e seminários de Roma, que recebem estudantes de todas as partes do mundo.
Apesar do forte apelo visual, precisamos também de acompanhantes, digamos de "cicerones", para orientar os peregrinos em sua visita à exposição. Assim já entramos em contato com pessoas que falam as principais línguas do mundo. Nosso objetivo é poder nos comunicar com todos os visitantes.

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