Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Geral

JUBILEU reconciliação universal

Ernesto Arosio

Como será o Jubileu do ano 2000? Será como uma festa nupcial, responde o papa na carta ou bula de convocação para o Ano Santo, Incarnationis Miste-rium, publicada no dia 29 novembro de 1998.
A bula traz as datas mais importantes como o início, que será com a abertura da Porta Santa no Vaticano, na noite de Natal de 1999, e terminará com a festa da Epifania em janeiro de 2001; traz ainda condições e sugestões para viver o Ano Santo como um ano de reconciliação pessoal, universal, uma reconciliação social, bem como uma transformação radical da sociedade a partir do indivíduo: "o jubileu da salvação", como o definiu João Paulo II.
A cidade de Roma está se preparando para o Ano Santo e, naturalmente, pela lógica intrínseca das romarias que levarão à cidade milhões de peregrinos, as autoridades locais planejam projetos econômicos e culturais que podem fazer torcer o nariz aos mais cépticos. O papa, pelo contrário, convoca o mundo - e não somente os católicos - para a motivação profunda do Ano Santo: "A encarnação do Filho de Deus e a salvação que Ele operou com sua morte e ressurreição são os verdadeiros critérios para julgar todo projeto que visa a tornar a vida do homem mais humana". Ainda insiste nessa redenção da humanidade, conforme os apelos dos últimos documentos papais como Tertio Millennio Adveniente e que deveria se realizar ou, pelo menos, começar nesse Ano Santo.
Nessa ótica redentora, devem ser vistas todas as manifestações do Jubileu do 2000. Não somente os três sinais tradicionais do Ano Santo (abertura da Porta Santa, as peregrinações e romarias, e as indulgências - ver box), mas a exigência da caridade e da solidariedade que é o novo sinal. Outro será a lembrança dos mártires do século XX, cuja lista enumera milhares de pessoas que deram sua vida como testemunho de amor pela humanidade. Nesse espírito de reconciliação e para possibilitar àqueles que não têm meios financeiros para arcar uma peregrinação a Roma, a bula aumenta o número de lugares onde será possível adquirir a indulgência, entre as quais várias basílicas de Roma, as catacumbas e uma novidade: o privilégio foi estendido para alguns santuários da Terra Santa e para igrejas fora de Roma, que deverão ser determinadas pelos bispos locais.

Novas modalidades para as indulgências

Para este Ano Santo, o papa estabeleceu que, ficando invariável a necessidade da confissão individual e comunhão, poder-se-á ganhar a indulgência do jubileu, abstendo-se, pelo menos por um dia, dos consumos supérfluos como cigarros e devolvendo aos pobres o valor poupado, mas também visitando e dando uma expressiva às obras religiosas ou sociais, dedicando uma parte significativa do próprio tempo livre para atividades de interesse da comunidade, como visitar doentes, presos, idosos, excepcionais e outros necessitados.
Aos seguidores de outras religiões, o papa lança um convite para uma aproximação e um passo à frente no diálogo, especialmente entre judeus, cristãos e muçulmanos, para que se chegue a "trocar em Jerusalém um fraterno abraço de paz". Mais uma vez, o papa insiste sobre o tema do pedido do perdão por parte dos cristãos, porque na história da humanidade não faltaram abusos e incompreensões e esse pedido deve ser desinteressado, sem nada pedir em troca. A festa nupcial não pode ser completa sem a caridade que abre os olhos às necessidades de quantos vivem na pobreza e na marginalidade. O papa, mais uma vez, insiste para que, neste Ano Santo, sejam "quebrados os grilhões das sutis escravidões" que mantêm os povos na miséria - caso da dívida externa dos países mais pobres - e assim fortalecer uma nova cultura de solidariedade.

Vocabulário do Ano Santo

A bula

A bula é uma carta solene do papa, a qual, antigamente, era redigida sobre um pergaminho que depois de enrolado, recebia um selo (bula) de chumbo fundido, que levava o nome do pontífice autor da carta.
Desde o começo, os sinais tradicionais do Ano Santo foram:

A indulgência

Não se trata de um perdão automático e facilitado dos pecados nem uma espécie de desconto sobre a salvação da alma. É um dom de Deus que convida à conversão para que, retornando à alegria do amor do Pai, o fiel possa ajudar a reconstruir a caridade e a fraternidade entre os irmãos. A indulgência plenária é, após a conversão sincera, a remissão da dívida que o pecador deve a Deus pelo pecado. Por concessão da Igreja, a indulgência, como remissão dessa dívida, pode ser aplicada aos defuntos. Mas para recebê-la é imprescindível "a prática da confissão individual e integral". Como lembra o papa na bula: "É necessário também participar da Eucaristia, ou seja, participar da comunhão com os irmãos e com a Igreja orando pelas intenções do papa".
Até os últimos jubileus, a indulgência plenária podia ser obtida somente visitando as basílicas romanas. Neste Ano Santo, poderá ser adquirida, não somente nas basílicas tradicionais, mas também em outras de Roma, nas basílicas da Natividade, do Santo Sepulcro e da Anunciação na Terra Santa e, no resto do mundo, nas igrejas indicadas pelos bispos locais.

Porta santa

A abertura da Porta Santa é o sinal do início oficial do Ano Santo. Na simbologia do jubileu, porém, indica a passagem da vida de pecado para a vida de união com Deus, uma conversão profunda e verdadeira. Nesse Ano Santo, a abertura da porta, que era única nos outros jubileus, adquirirá maiores significados. Na noite de Natal será aberta a Porta Santa do Vaticano e de outras basílicas romanas, inaugurando-se também o período jubilar na Terra Santa. Em 13 de janeiro, será aberta simbolicamente a porta da basílica de São Paulo para significar a abertura da solene semana para a unidade dos cristãos dos quais São Paulo foi fervoroso apóstolo. E também serão realizadas, em outros lugares do mundo, cerimônias de abertura das portas das igrejas indicadas, onde se poderá adquirir a indulgência.

Romarias

A peregrinação aos santuários que vai movimentar milhões de fiéis simboliza a busca de Deus e seu encontro com o Salvador.
Grandes peregrinações serão realizadas a Roma, à Terra Santa e às basílicas locais e aos santuários de todos os países.
João Paulo II insiste, porém, que a primeira e legítima peregrinação deve ser feita ao santuário do próprio coração e em busca do irmão, ainda mais se ele estiver necessitado.

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar