Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Geral


presentamos aqui vários artigos que nos revelam a Arte como expressão da Liturgia e da Doutrina Cristã: seus edifícios, esculturas, pinturas, músicas, gestos, danças, poesias, sinais, símbolos...

O lugar de culto cristão sempre foi belo pois o cristão sempre soube que o espaço celebrativo é um espaço teofânico em que o Senhor Ressuscitado se anuncia, conclama e acolhe a comunidade local tornando-a o Corpo Místico do Cristo. Porque acolhe o Senhor Glorioso, os cristãos sempre deram um cunho digno e belo ao espaço que os reúne.

Cada lugar, cada período da história, época e cultura manifestaram de modo diferente a tradição Cristã. Várias formas e estilos nos revelaram o pensamento cristão de sua época.

Por exemplo: o crucifixo que conhecemos hoje não era conhecido pelos cristãos do século VI e nem do século XIII. Por que? Porque a arte é a escrita em formas e cores e fala mais que a palavra que passa, morre ou é susceptível de interpretação ideológica.

Para o cristão, Deus é a Palavra (o Verbo) mas essa Palavra se fez carne, imagem, Jesus. Assim, não só Deus vai se revelando aos poucos mas a arte revela o homem de seu tempo.



imaginária cristã é a expressão de um tempo e lugar, de correntes filosóficas e espiritualistas. Através das obras de arte conhecemos a História da Igreja e dos povos.
As imagens sofrem mudanças pois são reflexos de diferentes espiritualidades nas diferentes épocas e séculos. Porém, as imagens, igualmente, provocam mudanças na espiritualidade, nas pessoas, no seu tempo e em outros tempos.


Cruz peitoral de São Gregório Magno (séc. 6)

Cruz no mosaico bizantino na Basílica de St. Apolinário (séc. 6)

Perguntamos: na frente de que crucifixo rezavam os santos de diferentes épocas? São Justino (séc.2), Santo Atanásio (séc.3), Santo Agostinho (séc.4), São Bento (séc.5), São João Damasceno (séc.8), São Bernardo (séc.12), São Francisco de Assis (séc.13), Santa Catarina de Sena (séc.14), São João da Cruz, Santa Teresa, Santo Inácio de Loyala (séc.16), São João Bosco, Santa Teresinha (séc.19), Santa Edith Stein (séc.20)?


Velasquez, O crucifixo (séc. 17)

Cruz árvore da vida e Cristo novo Adão. Lioba Munz, Alemanha, 1980

Notamos que a imagem é um universo onde está contido o pensamento de uma época, a vida de um santo. Pela imagem passa a espiritualidade, a concepção da Igreja naquela século. A imagem é uma janela de luz, na escuridão do mistério.

O mistério, a Divindade vai aos poucos se humanizando pois as primeiras cruzes são sinais de uma Presença Sagrada, de um Mistério Celebrado, enquanto que as últimas são "representações" do "eu" do santo, do "eu" do artista, do homem do tempo.

Se no lugar do exemplo "cruz" colocarmos outros exemplos como arquitetura, escultura, pintura, música... teremos a mesma resposta.

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