Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Europa

Ucrânia, a partir de 1928, perde, entre deportações, carestia e perseguições religiosas, mais de 7 milhões de pessoas e, mais 6 milhões foram massacradas durante a invasão alemã dos anos 40. Após a derrota nazista, a Ucrânia foi reanexada à ex-URSS até 1988, quando grupos autonomistas começaram a encabeçar manifestações pela independência que foi conseguida em 25 de agosto de 1991. A Igreja católica de rito ortodoxo, após longos anos de perseguição stalinista e de vida praticamente de catacumba, renasce e, hoje, se situa entre as Igrejas mais ativas do Leste europeu.

Nesses doze anos, a diocese de Leópolis ordenou 700 sacerdotes, cobrindo os vazios deixados por dezenas de anos de perseguição comunista e, sob a liderança do cardeal Husar, ainda se manifesta uma Igreja aberta ao mundo inteiro, estudando a possibilidade de enviar missionários aonde existem ucranianos emigrados (estima-se que haja entre 5 a 10 milhões).

 

O sangue dos milhões de mártires ainda está germinando na terra da Ucrânia e a incentiva a se renovar, especialmente, entre os jovens. Existem, ainda, situações de muito contraste entre as três Igrejas cristãs, a greco-ortodoxa, a dos uniatos e a ortodoxa greco-católica, contrastes que se revelam mais em nível diplomático e de autoridades civis e religiosas. Grave, todavia, continua o problema político devido à pesada crise econômica, política e social da reconstrução do país, estraçalhado por 75 anos de grande perseguição e depredação comunista.

O DIÁLOGO ECUMÊNICO

Após a visita do papa em junho de 2001, se não houve uma reconciliação entre os grandes grupos religiosos, notou-se uma diminuição das diferenças. Num recente simpósio na Itália, o teólogo Gudziak afirmou que, após a visita papal, descobriram-se mais pontos de união que de desunião. Esta provém mais da secular história civil que de contrastes religiosos atuais. Se é difícil chegar a uma reconciliação nos altos vértices da Igrejas num próximo futuro, em âmbito popular, porém, existem algumas iniciativas: foram constituídas comissões bilaterais para descobrir as causas e soluções das desavenças, e o que mais interessa, segundo pe Gudziak, são os encontros ecumênicos dos jovens, dos fiéis e das pessoas de cultura.

Outro exemplo, em vista das graves e generalizadas faltas de ética na política, são os cursos de ética cristã, ministrados nas escolas superiores estatais. Não são propriamente aulas de catequese ou de religião, mas é proposto um estilo de vida cristã e os professores e palestristas são católicos e ortodoxos que se revezam nas aulas. As Igrejas estão cheias de fiéis, mas a fé permanece na esfera individual e não se encarna na vida pública e social. Os maiores problemas da Ucrânia são a alta taxa de abortos e a difusa corrupção política. São problemas comuns a todas as repúblicas que se reconstruíram sobre as ruínas da ex-URSS, que não têm tradição política e líderes eticamente preparados para assumir.

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