Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Mundo - Europa
por Joshuah de Bragança Soares
alto da iconostase, atestam que Cristo, ali humilhado e crucificado, ressuscitou glorioso para ficar para sempre com os que por Ele sofreram perseguição. Naquele recinto, o cristão tem direito de se esquecer da palavra de Jesus: Não temas, pequenino rebanho, porque tudo é magnificente e o cristão sente a sua dignidade real. O templo monumental, construído para celebrar a vitória da Rússia contra a invasão napoleônica, foi demolido pelos bolchevistas para dar lugar ao Palácio dos Soviets, que, aliás, a Providência divina não permitiu que saísse da planta. Nos sábados e vésperas de grandes festas, as igrejas e mosteiros estão abertos para a celebração da Grande Vigília (Ofício de Vésperas e Matinas), parte integrante da Liturgia (missa) celebrada no dia seguinte, com grande solenidade. No rito bizantino não existe missa rezada. Todas as celebrações são solenes e, em cada templo, celebra-se uma só missa e não há missa vespertina. Nota-se, no entanto, que, por exigência da vida moderna, celebra-se uma Liturgia bem cedo e outra no horário costumeiro. O comparecimento das pessoas à Vigília e à Missa é maciço e a participação na Eucaristia é impressionante. Embora haja coro nas igrejas, as pessoas cantam com os oficiantes e coro a Profissão de Fé, o Pai Nosso e outras partes da Liturgia. Conforme os costumes da Igreja Ortodoxa, as pessoas se preparam para a comunhão com orações especiais, desde a véspera, e guardam jejum rigoroso. A comunhão é distribuída também às crianças de colo. Mesmo nos templos que hoje servem de museu, grande é o respeito dos visitantes, como é o caso do templo do Bem-aventurado Basílio, um aglomerado compacto de treze igrejas, formando a unidade arquitetônica mais típica de Moscou.
A alguns quilômetros de Moscou, existe o distrito (Posad) monástico de São Sérgio, com o Mosteiro da SS. Trindade. É um lugar sagrado da histórica resistência contra todos os invasores: mongóis, poloneses, ateus do tempo da revolução. Foi fechado pelo bolchevismo, mas hoje ali está reaberto e florescente. As pessoas aproximam-se das Portas Sagradas, fazendo o sinal da Cruz e se despedem, saindo de costas, respeitosamente, em um carinhoso adeus ao lugar sagrado. Petersburgo, a antiga capital, europeizada, com fama de pagã, de revoluções, mas também terra de mártires, é hoje outro centro de renovação cristã. A histórica catedral de Kazan, profanada e transformada em museu do ateísmo, tinha sido devolvida à população, em 2002. No estilo da basílica de São Pedro, no Vaticano, a catedral é enorme e fica repleta de fiéis nas Grandes Vigílias e Liturgias (Missas) dos domingos e festas. Nela, e nas demais igrejas, os fiéis participam ativamente nas celebrações, sem que o idioma eslavo eclesiástico crie dificuldades. O leitor recita a Epístola e o povo responde com o coro, como se fazia há mil anos atrás, sem necessidade de reformas litúrgicas, nem idiomas modernos. As pessoas se portam com profundo respeito, de acordo com os cânones de um dos primeiros sete concílios ecumênicos, que proibiam expressões individuais, palmas, choro e suspiros durante as funções sagradas públicas. A posição para orar é de pé e não há necessidade de livros; sabe-se tudo de memória. O Renascimento religioso não se limita só a igrejas e mosteiros, mas impregna toda a vida civil.
Os grandes eventos religiosos são televisionados; o ensino religioso é promovido nas igrejas e nas escolas. No plano internacional, a Igreja Católica e a Ortodoxa Russa fora da Rússia estão mantendo estreito contato entre o Papa e o Patriarcado de Moscou, na busca da unidade. Centros de renascimento religioso em Moscou
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