Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Europa

por Pedro Miskalo

enerada com fervor em todo o mundo católico, Nossa Senhora de Fátima é oficialmente a padroeira de vários países cristãos (Guiana e Suriname, na América do Sul), de dioceses, hospitais, escolas e um sem número de paróquias e de obras assistenciais. Milhares de mulheres, principalmente no Brasil e em Portugal, ostentam a palavra Fátima no seu registro de nascimento. É a homenagem que as famílias prestam à mãe de Jesus, cujas aparições, a partir de 13 de maio de 1917, iriam transformar, profundamente, a relação dos cristãos com Maria, através de uma intimidade mais intensa com o rosário.

As aparições de Maria,
uma graça concedida aos mais
humildes, demonstram que a ternura
e o carinho materno acalentam e
aquecem de amor o coração dos pobres
da terra e de todos os que se
aproximam daquele que, no mais
alto grau de dor, ainda teve
forças para nos assegurar:
"Eis aí a tua mãe!"

No auge da Primeira Guerra Mundial, milhares de soldados portugueses combatiam na França. Indiferentes aos graves acontecimentos que dilaceravam a Europa, três crianças, pobres como todos os da aldeia de Leiria, em Portugal, passavam os dias apascentando um pequeno rebanho de ovelhas nas proximidades da vila. As famílias de Lúcia de Jesus, com dez anos de idade, seu primo Francisco Marto, com nove, e a irmãzinha Jacinta, com sete, não tinham posses e nem instrução, mas eram ricas em religiosidade e fé, a ponto de transmitir aos filhos a devoção mariana e o amor ao Coração de Jesus.


Milagre do Sol

Lúcia já havia feito a primeira comunhão. As crônicas dizem que, por volta do meio-dia de treze de maio de 1917, na Cova da Iria, freguesia de Fátima, onde apascentavam o pequeno rebanho, Lúcia lembrou aos primos a reza do terço, que tinham por hábito recitar todos os dias.

Acabada a oração, entretinham-se em construir uma casinha de pedras quando, de repente, cortou o céu um clarão muito forte, após um relâmpago, não obstante o dia estar claro e sem nuvens. Rapidamente, eles começaram a juntar as ovelhas.


Capelinha das Aparições

Outro clarão iluminou o espaço e as crianças notaram, cheias de espanto, sobre uma pequena azinheira, a figura de uma jovem senhora, “vestida de branco, mais brilhante que o sol, reluzindo mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios de sol mais ardente”.

Segundo relatos, o semblante da jovem, com mais ou menos 17 anos, ostentava uma sombra de tristeza e dor. Da fronte inclinada, descia um manto até aos pés, cobertos por uma nuvem luminosa. O vestido era branco e das mãos erguidas pendia um rosário de contas igualmente brancas.


Vista geral do Santário de Fátima

Interior do Santuário de Fátima

A visão luminosa assustou as crianças que pensaram em fugir. A senhora, porém, prometeu-lhes que não faria mal algum, mas que deveriam retornar àquele lugar, sempre perto do meio-dia, no dia 13 de cada mês, até outubro. Refeita, Lúcia perguntou-lhe se eles iriam para o céu. A Virgem respondeu que seria preciso rezar o terço todos os dias pela paz no mundo e, também, que pedissem pela conversão dos pecadores e pelo fim da guerra.

Tão logo a aparição se desfez, as crianças se entreolharam assombradas e Lúcia, então, perguntou aos primos se, também eles, haviam visto a senhora. Sim! – respondeu Jacinta. Francisco confirmou, mas admitiu que nada ouvira. Lúcia recomendou-lhes que não dissessem a ninguém, para não passarem por mentirosos e, por isso, serem castigados. Eles prometeram, mas não conseguiram cumprir. Logo, a notícia espalhou-se por toda a aldeia.

As aparições continuaram. E a jovem lhes repetia: “orem pela paz e pelos pecadores e rezem o terço diariamente”. Com o correr dos dias, a curiosidade dos aldeões levou-os “à cova da Iria”, onde ocorria a visão. Eles testemunharam o surgimento de uma nuvem branca sobre a azinheira, enquanto as crianças rezavam o terço. Lúcia falava com a Virgem em voz alta e dela recebeu três revelações, que se tornariam os segredos de Fátima.

(Hoje, revelados, sabe-se que eles têm a ver com a desintegração da União Soviética e a conversão da Rússia; com os comportamentos imorais assumidos pelas sociedades ocidentais e com o atentado sofrido pelo papa João Paulo II, em 1981, na praça de São Pedro.) A maioria das autoridades políticas, na época, pertencia à maçonaria e, como elas, também as daquela freguesia. Temendo as repercussões sociais e religiosas que tais visões despertavam entre os aldeões, o administrador do Conselho levou as crianças, no dia 13 de agosto, para a Vila Nova de Ourém, com o objetivo de impedir o fenômeno.

Nossa Senhora apareceu-lhes, então, “no dia 19, no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros de Aljustrel”, renovando-lhes a esperança de outros encontros. A última aparição aos videntes, em 13 de outubro, foi acompanhada por aproximadamente 70.000 pessoas. Nossa Senhora lhes disse que era a “Senhora do Rosário” e pediu que se fizesse uma capela em sua honra.


Procissão das velas

Após a aparição, os presentes observaram o milagre prometido às crianças em julho e setembro: “o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia ser fitado sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se sobre a terra”, confirmam as crônicas.

Em 13 de outubro de 1930, pela Carta Pastoral “A Divina Providência”, o bispo de Leiria declarou “dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria” e permitiu o culto de Nossa Senhora de Fátima. No ano seguinte, o episcopado português fez a primeira consagração de Portugal ao Imaculado Coração de Maria, conforme a mensagem de Fátima.

Em 1942, Pio XII consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria, com menção à Rússia, segundo o pedido de Nossa Senhora. O Cardeal Roncalli (depois, Papa João XXIII), Paulo VI, Albino Luciani (depois, Papa João Paulo I) e João Paulo II estiveram em Fátima.

O Papa João Paulo II fez três peregrinações a Fátima: em 1982, em 1991 e no ano 2000, quando beatificou Francisco e Jacinta Marto. Desde as primeiras aparições, não mais cessaram de ir à Cova da Iria milhares e milhares de peregrinos do mundo todo. Inicialmente, os peregrinos chegavam no dia 13 de cada mês. Hoje, eles comparecem diariamente, numa média anual de quatro milhões.

Os videntes


Os videntes da Fátima: Lúcia, Francisco e Jacinta

Os três nasceram em Aljustrel, que pertence à paróquia de Fátima. Francisco Marto nasceu em junho de 1908 e faleceu em abril de 1919, na casa dos pais. Era tímido, sensível e contemplativo. Em sua curta vida, atestam as crônicas, “orientou toda a sua oração e penitência para consolar Nosso Senhor”. Está sepultado na Basílica de Fátima.

Jacinta Marto nasceu em março de 1910 e morreu em fevereiro de 1920, em um hospital de Lisboa, depois de dolorosa doença, “oferecendo todos os seus sofrimentos pela conversão dos pecadores, pela paz do mundo e pelo Santo Padre”. Seu corpo também repousa na Basílica de Fátima. Lúcia de Jesus dos Santos nasceu em 1907 e morreu no dia 13 de fevereiro de 2005, no convento das Carmelitas em Coimbra.

Está sepultada no claustro do Carmelo de Santa Teresa, onde viveu as últimas cinco décadas e meia. Dentro de um ano, seu corpo será trasladado para a Basílica de Nossa Senhora de Fátima. No Carmelo, Lúcia de Jesus escreveu as suas Memórias, com o objetivo principal de realçar a vida heróica dos pastorzinhos falecidos, as aparições de Nossa Senhora e a vida de seus pais. Dizia que “tais coisas vão-se gravando tão nitidamente na alma, que não é fácil esquecê-las”.


Lúcia aos 93 anos

Escreveu também os “Apelos da Mensagem de Fátima”. Sobre essa obra, dom João Bosco Oliver de Faria, bispo de Patos (MG) e membro da Equipe Nacional de Pastoral Familiar, da CNBB, escreveu: “Submersa por interessantes e repetidas perguntas sobre a mensagem recebida e não conseguindo responder individualmente a todas as pessoas, Lúcia pediu à Santa Sé autorização – que lhe foi concedida – para compor um escrito onde pudesse dar resposta, de forma global, às múltiplas interpelações recebidas.

Trata-se, portanto, de uma longa carta, de sua autoria e inteira responsabilidade, dirigida a todos quantos lhe fizeram chegar as suas dúvidas, perguntas, inquietações, anseios de maior fidelidade àquilo que o Céu pediu na Cova da Iria”. Essa obra, antes de ser editada, recebeu a aprovação da Congregação da Doutrina da Fé.


Todos os anos, milhares de peregrinos vão a Portugal para visitar o Santuário de Fátima

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar