Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Mundo - Europa
por Costanzo Donegana Na véspera de Pentecostes de 1998, João Paulo II convocou, na praça de São Pedro, os Movimentos e as Comunidades Eclesiais católicas, convidando-os a crescerem na unidade entre eles e com a Igreja toda. Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, assumiu publicamente o desafio e, a partir daquele momento, começou uma aproximação muito estreita entre Movimentos católicos, que logo se estendeu também aos evangélicos e ortodoxos. O encontro de Stuttgart (8 de maio de 2004) Foi escolhido o dia 8 de maio, aniversário da conclusão da Segunda Guerra Mundial (8 de maio de 1945) e, no contexto imediato do ingresso, na União Européia (UE), de mais 10 países do Leste europeu, além de Chipre e de Malta (1.º de maio de 2004), levando a UE a um total de 25 nações. A Europa, na história continuamente dilacerada por ódios seculares, que se traduziram em conflitos sangrentos e que, no século passado, se dilataram em duas Guerras Mundiais, há cinqüenta anos gritou: “Basta com a guerra!”. Quem recolheu este desejo, e intuiu que só uma Europa unida poderia viver em paz, foram os três “pais da Europa”:
Eles souberam extrair, de sua fé cristã vivida, a coragem de sonhar e encaminhar a realização de uma Europa sem fronteiras. Do Encontro de Stuttgart participaram 175 movimentos e comunidades católicas, evangélicas, ortodoxas, luteranas. O ginásio de esportes Hans Martin Schleyer, de Stuttgart, estava lotado por 10.000 participantes, mas a programação pôde também ser acompanhada ao vivo por mais de 100.000 pessoas reunidas em pontos de escuta, coligados via satélite, em 163 cidades de 30 países da Europa e 34 cidades de 15 países dos outros continentes. O convite dos movimentos encontrou vasto eco em nível eclesial e político. Estavam presentes personalidades de várias Igrejas: católicas, ortodoxas, evangélicas, anglicanas, como o cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a unidade dos cristãos; o bispo da Igreja luterana de Baviera, Johannes Friederich; representantes do Conselho Mundial das Igrejas e da Conferência dos bispos da Europa. Cerca de 100 políticos de várias tendências, de 14 países, participaram do Encontro, entre eles, o Secretário geral do Conselho da Europa, Walter Schwimmer. O presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, fez uma intervenção de grande profundidade e coragem. Fraternidade universal A programação alternava intervenções, testemunhos e espaços artísticos de alto nível. Andréa Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, deu uma motivação interessante sobre a contribuição dos Movimentos para a união dos povos: “Os Movimentos são transversais[...]. Conglobam numa espiritualidade e num impulso vital de amor os cidadãos de diversos países. Além disso, suscitam neles uma comunhão verdadeira com povos do mundo inteiro: das Américas, da África e da Ásia”. O papa enviou uma mensagem, em que afirmou: “Os cristãos de todos estes movimentos espirituais, reunidos em Stuttgart, confirmam que o evangelho levou-os a superarem o nacionalismo egoísta e a ver, na Europa, uma família de povos, com uma riqueza de variedades culturais e experiências históricas que, ao mesmo tempo, está unida em uma espécie de comunidade vinculada pelos mesmos destinos históricos”. O Encontro de Stuttgart se caracterizou por um forte idealismo. Chiara Lubich convidou os políticos (e todos) a “amar a pátria alheia como a própria. De fato, a mais alta dignidade para a humanidade não consiste em ela se sentir um conjunto de povos, freqüentemente em lutas entre si, mas, pelo amor mútuo, consiste em sentir-se um só povo, enriquecido pela diversidade de cada um e, por isso, protetor, na unidade, das diferentes identidades”. Os jovens disseram como querem a Europa: “Gostaria de uma Europa que canalizasse todas as suas forças para viver a fraternidade (como fez em relação à liberdade e à igualdade), não só no âmbito das suas fronteiras, mas com todos os povos do mundo.
Reproduzimos
parte da Mensagem final do Inspirados na força transformadora do Evangelho, somos chamados a trabalhar por um continente unido e multifacetado. Nós, membros de mais de 150 movimentos e grupos de várias Igrejas e Comunidades cristãs, vindos a Stuttgart de todas as partes do continente, queremos testemunhar a novidade da comunhão crescente entre nós, instaurada pelo Espírito. Essa comunhão de vida é outro fruto das tradições culturais que, à luz da revelação judaico-cristã, edificaram o nosso continente ao longo dos séculos. Ofereçamos essa comunhão como contribuição para uma Europa capaz de responder aos desafios do nosso tempo. Os carismas, os dons de Deus, impelem-nos no caminho da fraternidade universal, que é, para nós, a mais profunda vocação da Europa. Fraternidade nada mais é senão o amor do Evangelho vivido entre todos, sempre renovado, a partir daqui e agora. Fraternidade é:
Com essa fraternidade vivida, a Europa passa a ser, ela mesma, mensagem de paz; uma paz ativa, construída no cotidiano, tendo como base o perdão concedido e pedido. Uma paz que deseja construir pontes entre os povos, “globalizando” a solidariedade e a justiça. |
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