Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Ásia

história do conflito entre Israel e Palestina é uma sucessão de planos de paz abortados, de esperanças frustradas e, assim como nos períodos anteriores, de violência, sangue, destruição e lágrimas. Para avaliar a questão por completo, é preciso que se faça um esboço da história dessa região a partir do II milênio a. C. até as últimas retiradas das colônias israelenses em Gaza e de uma área ao norte da Cisjordânia, o que parece ser impossível naquele espaço.

O que se pode resumir é o plano de paz internacional, oficializado em 2003. O plano propõe um cessar-fogo bilateral, a retirada israelense das cidades palestinas e a criação de um Estado palestino provisório em partes da Cisjordânia e da faixa de Gaza. Em uma última fase, seria negociado o futuro de Jerusalém, as ocupações israelenses, o destino dos refugiados palestinos e as fronteiras.

Não é mencionada, no texto, a exigência do governo israelense de que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) seja destituído do cargo. Diz apenas que os palestinos precisam de uma liderança que atue duramente contra o terror. Neste cenário de ocupações, de exigências e de resoluções de Estado, sobrevive uma população castigada por permanentes conflitos.

Sobretudo, a população cristã, que forma apenas uma minoria em meio ao fogo cruzado entre israelenses, palestinos e seus grupos extremistas. O curioso é que a região já foi amplamente marcada pela presença dos cristãos. Na primeira pregação de Pedro, feita em Jerusalém logo após o Pentecostes, formou-se a numerosa comunidade cristã. A partir daquele
momento histórico, a Igreja se fez presente na
terra santificada pelos passos de Cristo.

Graças à cristianização do Império Romano, ao qual a terra de Jesus se submetia, a Palestina, palco dos acontecimentos fundadores do cristianismo, adquiriu grande importância para o mundo cristão. Porém, com o advento do Islamismo (séc. 7), os cristãos na Terra Santa começam a passar por momentos difíceis. Apesar do imperador Constantino Magno ter doado os lugares sagrados do nascimento e vida de Cristo ao patrimônio da Sé Apostólica de Roma, os maometanos ora moviam “guerras santas” contra os cristãos de todo o Oriente Médio, ora os deixavam tranqüilos, mas como cidadãos de classe inferior. Ultimamente, a situação dos cristãos vem se tornando cada vez mais difícil, devido à ascensão do islamismo fundamentalista.

SITUAÇÃO ATUAL

Num artigo publicado pelo jornal iraquiano Al-Zaman, distribuído simultaneamente em Londres e Bagdá, o colunista Majid Aziza destaca a situação atual da população cristã no Oriente Médio:


Produção de mini-presépios feitos à mão, com madeira de oliveiras de Belém

“Os cristãos nascidos em países árabes estão fugindo das suas regiões de origem. As estatísticas mostram que um grande número de cristãos árabes está emigrando para lugares menos perigosos para eles e seus filhos. Os motivos são, por um lado, a perseguição que os órgãos governamentais movem contra eles e, por outro, os grupos religiosos extremistas (...). Há muitos exemplos disso na Palestina, no Iraque, no Líbano, no Egito e em outros países. Aproximadamente 4 milhões de cristãos libaneses emigraram de seu país, em conseqüência das pressões impostas pelos muçulmanos fundamentalistas.

Cerca de meio milhão de cristãos iraquianos deixaram seu país pelos mesmos motivos (...). Na Palestina, os cristãos estão quase extintos, em conseqüência do controle que os extremistas têm sobre a marginalização dos cristãos, sem mencionar o impacto negativo da incansável luta entre Israel e Palestina. Com relação aos cristãos coptas do Egito, o que o governo e os muçulmanos fizeram, e estão fazendo com eles, daria para encher páginas e páginas de livros e jornais, explicando os atos de coerção, discriminação e perseguição. Os cristãos vivem com medo, sob a sombra de ameaças. A situação é muito grave e requer atenção urgente.

É difícil imaginarmos qualquer outro tempo em que os cristãos nessa região enfrentaram maior perigo do que atualmente”. Segundo o site do Ministério das Relações Exteriores, dados de 2002 apontam uma população de 6,7 milhões de israelenses e 3,5 milhões de palestinos. Apenas 220 mil deles são cristãos, a maioria dos quais, católicos orientais.

O responsável pela Custódia Franciscana da Terra Santa – órgão encarregado da manutenção dos santuários e das comunidades cristãs na Terra Santa desde o século XIV – frei Pierluigi Pizzaballa, disse:

“Quase todos os dias, repito, quase todos os dias, as nossas comunidades são invadidas por extremistas islâmicos nestas regiões; sendo que as autoridades competentes pouco fazem para punir os responsáveis. E não são apenas pessoas do Hamas ou da Jihad Islâmica. Em alguns casos, sabemos que agentes da polícia de Mahmoud Abbas (presidente da ANP) ou os militantes do Fatah, o seu partido, que deveriam ser adeptos à nossa defesa, participaram dos ataques”. Os católicos, concentrados em sua maioria nas cidades de Belém e Nazaré, em geral são muito pobres, carentes de auxílio. O êxodo crescente da já pequena comunidade católica, levou-os a investir em ações de evangelização, catequese e em trabalhos artesanais. Famílias palestinas, formadas por cristãos de ritos orientais ligados à Igreja católica, produzem mini-presépios feitos à mão, com madeira de oliveiras de Belém, como meio de arrecadar fundos. Elas viviam dos milhões de peregrinos cristãos que iam à Terra Santa. Mas, com o agravamento do terrorismo e das tensões no Oriente Médio, os peregrinos e turistas quase sumiram da região, deixando-as na miséria.

Diante da grave situação, a Obra católica de caridade Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) decidiu socorrê-las e lança uma campanha para auxiliá-las na venda desses presépios. A AIS disponibilizará os presépios em todos os 16 países em que está presente, ajudando a comunidade cristã árabe a crescer e se fortalecer na terra em que o próprio Cristo nasceu e morreu por nós. Entre os inúmeros conflitos que mancharam a história da humanidade em todos os tempos, o que opõe israelitas e palestinos é um dos mais duradouros. Como seres humanos, sentimo-nos completamente impotentes perante ele. No entanto, há uma coisa que podemos fazer. Devemos oferecer a nossa ajuda e a nossa solidariedade aos cristãos e ao povo de paz daquela região, para que se fortaleçam e coloquem fim a um embate que insiste em perdurar por séculos. Entre em contato conosco pelo número gratuito 0800.7709927 e peça, ainda hoje, o seu presépio. Você estará, desta maneira, ajudando as famílias cristãs daquelas regiões em conflito.

Ajuda à Igreja que Sofre
Rua Carlos Vítor Cocozza n.º 149 - Vila Mariana
São Paulo - SP - 04017-090
Tel.: 0800-7709927
www.aisbrasil.org.br

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