Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Mundo - Ásia


No estilo arquitetônico local, uma igreja católica

por Bernardo Cervellera

ão podemos ignorar, por mais tempo, a oração do Senhor Jesus, para que todos sejam um. Sinto-me na obrigação de dizer aos meus irmãos bispos: libertemos os católicos chineses desta situação de divisão. O próprio papa nos convida para que nos reconciliemos"; são essas as palavras de dom José Han Zhihai, bispo de Lanzhou, na China.

É um convite muito corajoso que, certamente, não terá a aprovação do Departamento dos Negócios Religiosos do governo, de acordo com o qual, tudo o que a Igreja fizer fora dos muros de seus templos deve ter sua chancela e aprovação. Portanto, trata-se de um apelo ilegal, que faz com que seu autor corra o risco de punições severas. Faz 50 anos, desde a fundação da Associação patriótica, que o governo está tentando controlar e isolar a Igreja chinesa.

Depois que a Associação Patriótica proclamou a independência da Igreja da China de qualquer ingerência da Santa Sé, lançando o programa chamado "Três Autonomias" (de doutrina, de hierarquia e de administração), muitos bispos, padres e fiéis não se dobraram e aceitaram ser perseguidos, presos e até ser mortos. O resultado foi que, a partir daí, a Igreja se dividiu em duas: a patriótica, que aceitava depender do governo e a outra que não aceitou e preferiu viver na clandestinidade.

A separação ficou cada vez mais forte, chegando a ponto de não se admitir a celebração eucarística em comum. Mas, nos últimos vinte anos, aconteceram fatos muito importantes, como por exemplo, a volta de muitos bispos patrióticos que pediram e conseguiram a reconciliação com a Santa Sé. Hoje, mais de 80% deles estão em comunhão com Roma. Mas essa situação não penetrou ainda na mentalidade da maioria dos fiéis, especialmente nos lugares onde sofreram as perseguições mais duras.

Nesses lugares, a convivência entre os católicos das duas Igrejas continua problemática e difícil. De um lado, alguns bispos da Igreja patriótica têm medo de se declarar publicamente em comunhão com o papa, para evitar represálias do governo, de outro lado, membros da Igreja clandestina não conseguem esquecer o passado e perdoar os da patriótica, pelo fato de não terem declarado sua fidelidade ao papa desde o começo.
João Paulo II, quando esteve em 1995 em visita às Filipinas, lançou uma mensagem aos cristãos da Igreja clandestina, para que tivessem caridade e compreensão em relação aos mais fracos e aos da Igreja patriótica, para que mostrassem mais clareza em sua fidelidade à Santa Sé.

A situação, agora, parece caminhar rapidamente para uma real unidade entre as duas Igrejas, como disse há pouco tempo atrás um bispo da Igreja oficial: "A Igreja na China agora é uma só". O governo dá-se conta dessa realidade, a ponto de aumentar o controle sobre a Igreja patriótica também: bispos são isolados e vigiados dia e noite, seminaristas são submetidos a sessões de doutrinação política todas as semanas, as viagens ao exterior são dificultadas ao máximo. Enquanto isso, fiéis da Igreja clandestina continuam sendo presos e postos na cadeia, mas são os últimos lances de uma guerra que parece perdida: as duas Igrejas, uma vez divididas, agora estão cada vez mais unidas, apesar de, ou melhor, graças à perseguição.

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