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AMÉRICA Missionária
Costanzo Donegana
América, com Cristo, sai de tua terra!". Este grito ressoou
centenas de vezes no estádio, no ginásio de esporte, nas
igrejas, nas ruas de Paraná, Argentina, lançado pelos 3.000
delegados de todos os países da América do Sul, do Centro
e do Norte, que participaram - do dia 28 de setembro a 3 de outubro -
do COMLA 6 (sexto Congresso missionário latino-americano), que
foi também o CAM 1 (primeiro Congresso missionário americano).
A novidade maior do Congresso foi exatamente a abertura aos países
do norte do continente, Estados Unidos e Canadá, que estiveram
presentes com uma delegação pequena, encoberta pelo número
e a vivacidade rumorosa dos latino-americanos, mas que deu uma contribuição
valiosa e qualificada através de alguns de seus representantes.
Missão universal
Um COMLA não é um seminário de estudo para especialistas
e quem participasse com uma pretensão desse gênero ficaria
decepcionado. É uma festa da missão. A nota que mais se
evidenciou foi o entusiasmo, a alegria, a fraternidade, o encontro. Pessoas
de todos os países do sul do nosso continente e também do
norte (que mostraram dominar, em geral, o castelhano ou que sabiam usar
outros meios para comunicar) construíram, naqueles dias, um só
povo, no qual a unidade no mesmo ideal não sufocava, mas até
evidenciava as riquezas de cada cultura e a experiência eclesial.
Nesse concerto a várias vozes, os brasileiros se distinguiram pelo
ritmo, a dança, o calor, mas também pela originalidade da
caminhada da sua Igreja; tudo, porém, na harmonia e no intercâmbio.
O aspecto mais importante foi a dimensão missionária universal,
caracterizada pela palavra "sair": sair de si mesmo, dos particularismos,
das barreiras de todo tipo que dividem, mas, de maneira especial, sair
da própria terra para anunciar a Boa Nova de Jesus aos povos e
culturas que ainda não o conhecem. Isso, em si, não é
nenhuma novidade; o cardeal Jozef Tomko, enviado especial do papa aos
últimos três COMLAs, a repete sempre sem muita originalidade,
mas com uma grande força que acaba penetrando nos presentes e determinando
o rumo das conclusões.
A "Mensagem ao povo de Deus", publicada no fim do Congresso,
pede que se revitalize a "consciência de que ser membro da
Igreja é ser essencialmente missionário e que as perspectivas
universais da Igreja devem ser as perspectivas normais da vida cristã".
Em vista disso, todas as categorias da Igreja são convidadas a
se colocarem em estado de missão efetiva, inclusive com a disponibilidade
a partir. Um exemplo: os sacerdotes são exortados "a viver
a dimensão missionária universal que receberam com sua ordenação
sacerdotal e a estar dispostos a ir aonde são mais urgentes as
necessidades da Igreja". O entusiasmo com que cada uma dessas categorias
proclamou seu sim ao convite missionário universal que o card.
Tomko fez, durante a missa de encerramento, testemunhou que a Igreja americana
está dando passos nessa direção.
Tudo foi selado pelo envio de um grupo de missionários, leigos/as,
sacerdotes, religiosos/as, representando cerca de outros cem que partiram
ou partirão neste ano.
Missão global
No início, pessoalmente (junto com outros), eu tinha medo de que
a imagem de missão do Congresso fosse unilateral, centrada exclusivamente
na dimensão do anúncio, num sentido de certo modo proselitista,
dentro de um modelo de Igreja dona da verdade, que sai à conquista
dos outros. Havia sintomas disso em alguns discursos. Mas o conjunto das
colocações e dos trabalhos dissipou aquela impressão:
o leque da missão apareceu amplo, incluindo seus aspectos essenciais:
dimensão social, ecumenismo e diálogo inter-religioso, inculturação,
testemunho e anúncio. Falou-se em globalização, desafio
das grandes cidades, meios de comunicação social, promoção
da mulher e dos leigos, defesa das minorias. O tom talvez fosse genérico
e a linguagem nem sempre suficientemente incisiva, mas deve-se considerar
que as posições dos participantes eram diversificadas e
que, no contexto de um congresso deste tipo, não se podia esperar
mais. De outro lado, foi importante ter sido desenhada, diante dos olhos
de todos, uma imagem global da missão.
Enfim, um aspecto que para outros pode ser secundário, mas que
a maioria dos participantes julgou fundamental: a acolhida que a Argentina
e, em particular o povo de Paraná, nos reservou. Além da
organização perfeita, garantida por centenas de jovens "servidores",
sempre atenciosos, sorridentes e competentes, comoveu-nos o carinho das
famílias que nos hospedaram e das paróquias que nos abriram
seus espaços. Estávamos em casa. E isso é missão.
A dona da "minha" casa me disse: "Eu senti que, com você,
entrava Jesus na nossa habitação". E eu respondi: "E
eu o encontrei já presente".
Igreja e salvação
Não se deve considerar a Igreja como a exclusiva dona da salvação
e sim como sinal da salvação universal. Não fomos
escolhidos para sermos salvos, pois Deus quer que todos os homens se salvem.
Fomos escolhidos para ser sinais da salvação de todos.
Dom Luís Augusto Castro, Colômbia
Globalização e missão
A globalização desafia nossa missão. Em tempos passados,
fomos acusados de ocultar sob o manto da missão a pretensão
do protagonismo e da hegemonia. Hoje, estamos convencidos de que a universalidade
da missão é a única alternativa à globalização
que cria excluídos. Nossa missão é universal, porque
não exclui ninguém. Se nossa missão fosse limitada
geográfica, cultural, étnica ou socialmente e se dirigisse
só a uma clientela de "escolhidos", seria também
excludente, igual à globalização neoliberal. Nossa
missão universal, porém, é radicalmente diferente
da globalização que nos rodeia.
Dom Erwin Krautler, Brasil
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