Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão


por Patrizia Bergamaschi

que leva uma pessoa a aventurar-se pelo deserto, a enfrentar os dias ardentes e as noites frias, a solidão? Foi essa pergunta que fiz a Giovanni Murer, autor das fotos que publicamos neste serviço e que se define não como um aventureiro, turista ou fotógrafo, mas apenas como um viajante.

Tendo percorrido desertos da Argélia, Tunísia, do Marrocos, Quênia e o próprio Sinai, ele confessa sua atração inexplicável pelos campos de areia: "É certo que no deserto buscamos a nós mesmos, mas as respostas à nossa vida não vêm por mágica, filosoficamente. Vou ao deserto para voltar, mas, depois dele, volto mudado, mas não sei dizer exatamente o que é".

Aos olhos ávidos de movimento, o deserto pode parecer estático, mas para quem o ama, "descobrir a vida que está sob a areia, o perfume do ar, os rumores da noite, as diferentes cores, a beleza indescritível da aurora" justifica qualquer esforço, qualquer sacrifício.

Para Giovanni, cada deserto é diferente do outro e cada ângulo de contemplação (porque no deserto não se pode apenas observar) revela um aspecto inteiramente novo. Perguntei-lhe se no deserto ele encontrava Deus e a resposta veio rápida: "Com os pés enterrados na areia, não é possível não pensar em algo maior".

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