ROSA DE LIMA

Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão


No dia 12 de abril de 1671 foi canonizada


fgfgfg a missão como vida

Giorgio Paleari

"Como gostaria, Senhor, de que todos te pudessem conhecer e amar"

Rosa nasceu em Lima, capital do Peru, no dia 30 de abril de 1586. Morreu no dia 24 de agosto de 1617, aos 31 anos. Ela é conhecida por muitos nomes: Isabel Flores Oliva, Rosa de Santa Maria, Rosa de Lima. Talvez um dos mais conhecidos seja o de "Padroeira da América". É tida como a primeira "santa" da América e muito venerada pelos fiéis do Peru.

Há muitos aspectos que podem ser comentados a respeito desta personagem. Destacamos, particularmente, dois que se tornam significativos para a missão: seu coração aberto a todos e sua opção pelos pobres.

Os anos de 1500 estão todos em fermento pelo anseio missionário. Muitas vezes, se tratava de uma missão que ligava profundamente "a cruz com a espada", dentro dos moldes do sistema colonial. Rosa nunca chegou a questionar esse modelo, como fizeram Montesinos, Las Casas e outros.

"A caridade de Rosa, escreve Benjamin Garcia (Rosa de Lima: mulher e santa, São Paulo: Paulinas, 1994) era assistencial. Naquela época, não lhe era possível entrever outra forma de ajuda (...)

A caridade como denúncia da injustiça, a luta pelos direitos de toda pessoa humana, não eram concebíveis numa mulher jovem daquela América colonial" (p. n.º 65). Nunca, também, chegou a detectar as causas profundas da pobreza.

Somente viveu e praticou, na profundidade de si mesma, o ardor e o espírito da compaixão. Hoje é muito mais fácil detectar o caráter profético da missão e sua separação do poder temporal.

É mais fácil entender, também, a necessidade de ir às causas dos mecanismos da opressão. A perspectiva do Reino de Deus torna o caminho missionário mais solidário e crítico diante dos mecanismos da exclusão. Rosa não tinha toda esta visão, mas, de certa forma foi precursora de algumas intuições missionárias do Concílio Vaticano II.

A paixão missionária de Rosa de Lima é caracterizada pelas orações e sacrifícios que fazia para cooperar com o êxito missionário. Um biógrafo conta-nos um fato sugestivo: Rosa lamentava não ser homem, porque sua realidade de mulher não lhe permitia ser "uma missionária ativa", na vanguarda.

É sabido, por exemplo, que somente os homens, sobretudo das congregações religiosas masculinas, podiam deixar tudo para pregar o Evangelho. As mulheres estavam num segundo plano. Até se diz que Rosa chegou a adotar um menino com o intento de educá-lo para ser missionário.

Ela morreu, no entanto, antes que seu desejo se efetivasse. A obra missionária de Rosa foi mais de retaguarda, mas nem por isso menos intensa e significativa. Pe. Leonardo Hansen, seu biógrafo, conta que Rosa "lançava o olhar sobre as montanhas que se erguiam na terra americana e sentia em suas entranhas que, para além dos cumes cheios de neve e dos picos perigosos, havia muitas almas que não conheciam a Jesus.

Chorava largamente sem encontrar conforto. E não sofria somente pelas Índias Ocidentais, mas também pelos muitos países espalhados nos confins da China e os reinos do Oriente".

Antecipando, de certa maneira o Concílio Vaticano II, tinha a firme percepção de que a Igreja era chamada, toda ela, para seguir o caminho missionário. Poucos instantes antes da morte, proclamou: "Tenho vivido e estou morrendo proclamando-me filha da Igreja, mãe universal de todos os cristãos e, até que tenha consciência, nunca me separarei da fé que professei no meu batismo".

Seu ardor missionário era acompanhado, também, por uma profunda opção pelos pobres. Junto com os sacrifícios da ascese pessoal, sua casa tornou-se o lugar em que os pobres e os mendigos eram recolhidos para serem curados. Escreve pe. Hansen: "Se vinha a saber que havia alguns doentes, escravos ou não, se prontificava a curá-los e suplicava a sua mãe que deixasse trazê-los para casa a fim de atendê-los melhor".

O seguimento do Cristo sofredor tornou Rosa uma apaixonada pelo Mestre até oferecer sua própria vida, com inúmeros sacrifícios pessoais, pela causa do Reino. No dia 12 de abril de 1671 foi canonizada.

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