| É profeta que denuncia e anuncia
Giorgio Paleari
Profeta é alguém que tem uma grande proximidade e intimidade
com Deus, enviado a proclamar a boa nova e a denunciar as injustiças
e tudo o que se refere à violação da vida.
Antes de tudo, o missionário é enviado por Deus. O que faz
de alguém um profeta é sua proximidade com Deus. É
alguém que tem uma intimidade profunda e uma experiência
viva de Deus. O que fala e anuncia lhe vem desta relação
com o Absoluto. Não diz palavras próprias nem se exalta
com suas próprias teorias. Sente-se impelido a comunicar a partir
desta intimidade geradora, de modo que as palavras sejam de Deus, faladas
com um timbre humano e histórico.
O missionário como profeta é alguém profundamente
sintonizado com os acontecimentos históricos. Vive uma vida presente
na história, com os limites, os sofrimentos e os anseios de todas
as pessoas, especialmente dos mais pobres. A voz é direta e contundente
porque falada na proximidade de Deus, no sulco dos acontecimentos históricos.
Sua presença é particularmente visível lá
onde a vida é diminuída, ameaçada e negada. É
denúncia e proclamação de esperança porque
está situado no coração de Deus: toda discriminação
e negação da vida são um incômodo e uma aberração.
Ele é alguém profundamente comprometido na luta contra as
injustiças e na elaboração de projetos de mudança
e de fraternidade. Contemporaneamente, porém, vive a utopia do
Reino na proximidade e solidariedade cotidiana com o irmão. Esta
compaixão pessoal e silenciosa é também um sinal
de que as coisas podem mudar e o mundo tornar-se mais fraterno.
O profetismo, do qual o missionário é revestido, não
é algo exclusivamente pessoal, mas está inserido em toda
uma tradição profética que, desde o Antigo Testamento,
faz com que todo o povo de Deus seja um povo de profetas. Antes do indivíduo,
é todo um povo que foi chamado por Deus a ser sinal e proclamação
do amor dele e, ao mesmo tempo, a ser "sinal de contradição"
diante das situações de não vida.
O caminho da missão não é uma epopéia pessoal
e solitária. É, antes de tudo, uma responsabilidade profética
de um povo e de uma comunidade que, enraizada em Deus, pronuncia o julgamento
sobre a história.
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