Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
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beijo de São Francisco ao leproso por Johannes Bahlmann, ofm O pão dos pobres A partir daí veio o Pão dos Pobres ou de Santo Antônio, que continua até hoje: temos no convento uma padaria que, todo dia, distribui pão às 7 e 15 horas. O número dos atendidos diminuiu um pouco, porque, no centro da cidade, há agora muitas entidades que ajudam os pobres. É interessante ver que a fila aumenta ou diminui, dependendo da situação econômica do País. Nestes dias, atendemos cerca de cem pessoas. O pão é distribuído, também, nas outras entidades e projetos sociais que desenvolvemos. O trabalho do pão se transformou nos projetos sociais que levamos para frente hoje, a partir do início da década de noventa, com a preocupação de fazer algo a mais com os necessi-tados. Em primeiro lugar, fundamos a Comunidade Missionária entre os Sofredores de Rua, que atende pessoas que moram na rua ou em cortiços no centro da cidade. A Comunidade Missionária se desenvolveu e houve vários desdobramentos, de tal maneira que hoje a fraternidade São Francisco, em São Paulo, gere oito obras sociais (cf quadro).
A igreja de São Francisco é reconhecida pela arquidiocese como santuário franciscano, que deve cuidar sempre do espiritual, da pastoral e, do outro lado, do social. No centro da cidade, há, simultaneamente, uma presença de ricos e pobres, como os grandes bancos e as situações gritantes de pobreza. Ao contrário das outras grandes cidades do mundo, acontece que, enquanto nelas a pobreza está sempre à margem, em São Paulo a pobreza está tanto fora como dentro. Com o abandono do centro da cidade, vieram muitas pessoas. Há casas que parecem bonitas, mas, se você entra, descobre que são cortiços, como por exemplo, o cortiço que atendemos, com 40 famílias em 36 quartos, com três banheiros. Aqui há mundos, submundos e submundos dos submundos. Aqui queremos estar presentes com nossas obras sociais. Em conjunto Normalmente, quando surge uma obra social, ela é muito ligada a uma pessoa carismática, mas a província franciscana quis que as obras, fundadas progressivamente nos anos noventa, fossem unificadas para trabalhar mais em conjunto. Queríamos introduzir uma nova modalidade para que a fraternidade fosse responsável e garantisse esse trabalho social, também para assegurar sua continuidade. Assim, as várias obras foram progressivamente unificadas no Sefras. Agora estamos montando uma rede entre as obras sociais de toda a província, para que façam parte do Sefras, mas cada fraternidade local continuando a cuidar de sua obra. Estamos pensando em operar com entidades coligadas, que não são da província, mas nas quais os frades trabalham, sempre para atuar mais em conjunto. Outra proposta é trabalhar mais em rede em São Paulo, com outras entidades religiosas (entre elas, os salesianos e a Cáritas), para não ficar cada um com sua atividade, mas unirmos as forças e nos completarmos. Sobretudo, tentamos criar relacionamentos, porque não adianta se articular de cima para baixo, mas é necessário estabelecer parcerias entre os responsáveis.
Atualmente, temos quatro convênios com a prefeitura e nisso é importante que cada um se reconheça como um parceiro, porque, normalmente, em casos deste tipo, há um parceiro mais forte e um menos forte, criando um desnível em relação ao maior que dita as regras. Para podermos solucionar os problemas sociais hoje, devemos chegar, como parceiros, a trabalhar juntos e não como concorrentes. E, sobretudo, deve haver um relacionamento de gratuidade e não de interesses particulares, porque nosso interesse deve ser sempre o nosso público alvo, o necessitado, aquele que é carente. Ele, por sua vez, é também parceiro nosso. Nós não podemos nos aproveitar do carente para colocar outros interesses, políticos ou econômicos, ou limitar-nos ao assistencialismo. Há obras que assistem sempre as mesmas pessoas e famílias, de geração em geração, em lugar de realizar uma verdadeira mudança nas pessoas, uma promoção humana. Hoje vemos claro, no terceiro setor, que a questão assistencial perdeu muita força e, ao mesmo tempo, está se priorizando tentar qualificar e profissionalizar, para que haja, realmente uma promoção humana. Esses carentes têm que se construir um futuro, conseguir um trabalho, uma moradia e viver sua cidadania. A espiritualidade Como entidade religiosa, não podemos nos limitar à questão social, mas devemos transmitir nosso referencial, que é Deus e o próximo, a partir do Evangelho. Ao mesmo tempo, como entidade religiosa, devemos transmitir valores, porque é muito fácil hoje dar uma casa, água, luz, mas isso não leva à modificação da própria pessoa, porque o ser humano precisa não só de uma mudança externa, mas também interna. Então, a questão social e a dimensão espiritual devem andar juntas. Estamos trabalhando, neste sentido, com a presença dos frades e das religiosas, mas queremos intensificar isso ainda mais, porque vemos que a questão do futuro é cada vez mais a religião e a espiritualidade. Somos mais do que uma empresa, devemos ir muito além. Como fazer isso? Temos a proposta de engajar cada vez mais frades para trabalharem nas obras sociais, para marcarem cada vez mais presença, para estarem à disposição. Há também várias congregações femininas franciscanas, que estão dispostas a trabalhar conosco. Vamos nos encontrar como parceiros em nível de espiritualidade, do carisma. A proposta concreta é que trabalhemos e ajamos naquilo que é próprio do religioso, que liberemos os religiosos dos demais trabalhos que os leigos podem fazer, para salvaguardar a vida religiosa na sua genuinidade, dentro de uma obra social. Estamos montando uma equipe (já existe uma pré-equipe) para cuidar da parte espiritual e religiosa, com cursos, seminários, atendimentos pessoais e em grupo, para zelar pela liturgia, promover celebrações. Eles estão à disposição em todos os níveis: dos frades, das religiosas, dos funcionários/as, voluntários/as e, também, do nosso público alvo. Criamos um grupo como se fôssemos uma família só, que tenta realmente viver a espiritualidade franciscana. Mesmo que haja muitas obras sociais por aí, podemos fazer um trabalho pioneiro, porque vemos que hoje não há respostas sobre como fazer isso. Percebemos que, nos vários organismos, o pessoal está meio perdido, enquanto vemos que aqui há alguma coisa nova e, também, há muitas pessoas que nos procuram querendo trabalhar, ajudar.
Comunidade Missionária
entre os Sofredores de Rua. RECIFRAN (Serviço
Franciscano de Apoio à Reciclagem). Hoje, são cerca de 40 famílias. É uma cooperativa, o material é vendido em conjunto, de maneira que se obtém um lucro maior. Com essa renda, eles conseguem ter sua própria vida autônoma, ter uma casa, dar dignidade a seus filhos e, aos poucos, criar seu futuro. G. fati (Grupo Franciscano
de Apoio à Terceira Idade) Casa de Clara Cefran (Centro Franciscano
de Luta contra a Aids) Educafro (Educação
e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes) Centro de Acolhida e Reinserção
Social São Francisco (Albergue São Francisco) Fortalecendo a família |
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