Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão

Movido pelo Espírito

Giorgio Paleari

"E eu rogarei ao Pai e ele vos dará um outro Paráclito, para que fique eternamente convosco". (Jo 14,15)

A tradição bíblica coloca a ação do Espírito de Deus bem no começo da origem do mundo. É um sopro que comunica vida aos seres humanos e a tudo o que existe. É uma força de vida (Gen 1,2) sem a qual tudo permaneceria no caos e nada existiria. E não somente está na origem da vida mas, a todo momento, contribui para mantê-la viva e eficaz.

Na vida de Jesus, o missionário do Pai, a ação do Espírito permeia seu ser e sua ação. De maneira especial, o evangelista Lucas coloca toda a vida do Mestre sob a ação do Espírito Santo. Desde o anúncio do nascimento, o início da vida pública, a atividade missionária, até o momento da morte e ressurreição, é sempre a força vital do Espírito que empurra e move Jesus. Um dos momentos mais importantes é quando a pomba do Espírito pairou sobre a cabeça de Jesus e o confirmou como Filho de Deus: "Tu és meu Filho sobre o qual ponho minha benevolência." (Mt 3, 13-17). Foi o mesmo Espírito que o conduziu ao deserto para iniciá-lo na missão (Lc 4, 1-13). Foi o Espírito que incentivou Jesus a proclamar seu plano de ação na sinagoga de Cafarnaum (Lc 4, 14-21). Mais tarde, quando estava deixando este mundo para retornar ao Pai, o Mestre promete aos discípulos o dom do Espírito para que permanecesse sempre com eles (Jo 14, 15-16) e para que os ajudasse a recordar tudo o que ele fizera (Jo 14,26).

É o mesmo Espírito que estará agindo no começo da primeira comunidade cristã, no dia de Pentecostes (Atos 2, 1-12), e que enviará os discípulos, dois a dois, a proclamar o Evangelho até os confins do mundo (Atos 2, 1-12). Toda a história da salvação é, portanto, marcada pela presença criadora do Espírito Santo.

A vida do missionário também é movida pela ação do sopro de Deus.

A iniciativa da vocação é obra do Espírito que tem a prerrogativa de iniciar a missão evangelizadora. A ação humana é somente uma resposta que pressupõe um protagonismo de Deus. João Paulo II, na encíclica missionária "A Missão do Redentor" dedica todo o capítulo terceiro ao protagonismo do Espírito Santo que conduz a missão. Diz o papa que é "o Espírito que impele a ir sempre mais além, não só em sentido geográfico, mas também ultrapassando as barreiras étnicas e religiosas, até se chegar a uma missão verdadeiramente universal" (RM, 25).

Sendo o Espírito o único e verdadeiro protagonista, cabe a toda comunidade cristã e a cada missionário individualmente escutar a ação misteriosa de Deus, presente desde a criação do mundo. Abrir-se à ação do Espírito é perder todos os medos porque só a Ele cabe direcionar e concluir a obra evangelizadora. Aliás, o Senhor Jesus, após a ressurreição, começa o diálogo com os discípulos com as palavras: "Não tenhais medo" e o envio do seu
Espírito garante a superação dos vários medos que acompanham os missionários. Toda a vida missionária está sob o impulso da ação transformadora de Deus. A abertura às outras religiões e o respeito que deve acompanhar a proximidade aos outros necessita de uma abertura constante à ação do Espírito (RM, 29).

Sem o Espírito Santo, não haveria evangelização e nem a missão. Ele, como protagonista, continua suscitando e cultivando a vida e impulsionando à missão até os confins do mundo.

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