Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão

inco religiosas e missionárias norte-americanas, entusiastas pela missão, foram mortas na Libéria (África) entre os dias 20 e 23 de outubro de 1992. Pertencentes às Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo da Província de Ruma, Estados Unidos, foram enviadas de volta à Libéria em 1991, durante a guerra civil. No momento em que a situação se tornava difícil e o povo estava particularmente sofrendo, inspiradas por Deus, decidiram não abandonar o lugar, numa solidariedade sem limites.

Na missão de Gardnersville (Libéria), ir. Shirley reabriu o ginásio "St. Patrick" do qual era diretora; ir. Joel lecionava e reassumiu a formação das jovens liberianas que se preparavam para ser Adoradoras; as irmãs Agnes e Kathleen desenvolviam e dirigiam programas para ajudar o povo a se recuperar dos traumas da guerra civil; ir. Bárbara Ann dedicava-se à Arquidiocese de Monróvia, distribuindo alimento e medicamentos para os refugiados. A morte violenta arrebatou-as à glória eterna como "mártires da caridade".

Há algo que empurra as missionárias e os missionários, a não abandonarem o lugar, quando o sofrimento do povo é mais intenso. Algo como um vínculo que vai além dos laços familiares e de sangue. A missão é um caminho sem retorno. A paixão pelo outro, em situação particular de sofrimento, levou as missionárias a entregarem-se mais completamente. A força da missão fez superar qualquer medo, também o medo da morte. A entrega foi total. Foi o que aconteceu com as mártires da caridade. Todas elas caíram numa emboscada e foram assassinadas. Os restos mortais foram recuperados após meses e sepultados em dezembro de 1992, no cemitério da Casa Provincial de Ruma.

No salmo, composto por ocasião de sua morte, reza-se: "Quando formos tentados a recuar ou desistir, possamos lembrar seus nomes, Mary Joel, Shirley

"Quando formos tentados a recuar ou desistir, possamos lembrar seus nomes, Mary Joel, Shirley, Kathleen, Agnes e Bárbara Ann, mártires da lembrança e da caridade, cujos nomes, cuja coragem, cujo testemunho, desafia-nos a continuar buscando, a continuar levando em frente, impulsionando, a continuar proclamando a paz, fundada no Sangue de Cristo".

Uma das características das Adoradoras do Sangue de Cristo é ser uma presença de paz e reconciliação no meio das situações de guerras e conflitos. Foi assim que surgiu a Congregação e foi assim que, pela primeira vez, cinco irmãs doaram a própria vida pela paz na Libéria. É esse o apelo de paz e reconciliação para toda África Ocidental, incluindo um país atribulado como a Libéria. Nos relatos das pessoas que conheceram as irmãs assassinadas, sempre emerge o sentido da entrega total: "Eu sinto que estou no lugar certo que Deus quer" (Bárbara); "Desde os primeiros dias que entrei no convento, sempre foi claro o desejo de ir para as missões" (Agnes). O sentido profético acompanhou o caminho de irmã Shirley, enquanto irmã Mary Joel sempre foi alegre e atenta às pequenas coisas. Ir. Katheleen evidenciou sempre seu compromisso com a paz e a justiça.

Irmã Shirley escreveu antes da morte: "Rezemos para que possamos ser sempre mulheres entregues ao Senhor; mulheres que riem, dançam, cantam, mulheres conscientes não tanto daquilo que dão, mas muito mais daquilo que nos foi dado; mulheres que lutam pela justiça; mulheres fiéis à oração; mulheres que o Espírito Santo continua a inquietar; mulheres de coração quente, com grande capacidade de aceitar e perdoar tudo, fazendo memória de que pertencemos todas à mesma humana e maravilhosa família; mulheres que se esforçam para tornarem-se humanas como foi Jesus; mulheres que mostram que o Espírito veio e ainda está vindo, mulheres que sonham sonhos e continuam a prometer".

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