Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
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A arquitetura de uma Igreja deve ser o espaço onde o sublime torna-se sensível, onde a presença do Mistério se faz palavra. Uma beleza que brota da matéria inerte e torna-se arte, poesia material porque indica a presença de uma realidade superior: o Infinito por Ernesto Arosio
Aqui é o caso de igrejas nas cidades, verdadeiros salões que nem sempre transmitem sentido espiritual, ou de igrejas construídas no passado com amor e estilo, testemunho de arte dos tempos, que foram (re)deformadas por padres ou comissões paroquiais sem o mínimo conhecimento dos estilos arquitetônicos. Quanto seria útil, conforme indicações do Vaticano II, que nenhuma reforma ou projeto novo de igreja fosse realizado sem a aprovação e o acompanhamento de uma comissão diocesana de arte sacra. A arquitetura sacra
As linhas arquitetônicas de uma igreja devem indicar claramente que se trata de um lugar diferente das moradias e dos monumentos. A arquitetura poderá ser simples como a das antigas igrejas românicas, austeras e sóbrias, mas expressão do sagrado, ou ser rica como as igrejas barrocas cheias de detalhes, anjos e santos, mas que inspiravam a presença alegre de Deus. O espaço sagrado, em sua essência, significa e sinaliza o lugar de encontro da comunidade e da pessoa com Deus e de Deus com a comunidade e a pessoa. A igreja deve ser o lugar onde predomina Deus e sua santidade, portanto, deve transmitir aos fiéis e visitantes sua presença quase sensível, em todo seu conjunto de beleza, sobriedade ou simplicidade, porém solene. O valor de uma igreja não consiste tanto no estilo arquitetônico, mas no conjunto dos fatores: estilo, vitrais, adereços, pinturas que devem convidar à oração, para que o templo seja a "porta do Céu", um lugar de encontro, de repouso no Senhor, um espaço de fé, em outras palavras, um lugar da presença perceptível de Deus. O edifício sagrado como sinal da presença de Deus
Sandro Benedetti, arquiteto-chefe da Fábrica de São Pedro (Vaticano) diz que "as igrejas devem ser dotadas de valor artístico que não significa um problema de estilo - cada arquiteto é livre para planejar a construção do templo,... mas a forma arquitetônica deve tornar expressiva a qualidade peculiar, ontológica da igreja: a religiosidade e a cultura do tempo que devem ser percebidas não somente pelos contemporâneos, mas também pelas gerações sucessivas. Cada nova igreja deve ser capaz de expressar plenamente a misteriosa presença de Cristo na Eucaristia, isto é, deve ser a definição espacial e a articulação luminosa que destacam a evidência expressiva do lugar do altar - símbolo do sacrifício da comunidade - e ainda o aspecto coloquial e participativo da assembléia em relação ao altar". O edifício sacro, portanto, deve solicitar - através de sua iconografia - a fé dos fiéis e ser um sinal imediato e sensível de sacralidade, também para os não crentes, deve enriquecer o espaço urbano em que ele está inserido. Deve ser o sinal explícito de uma presença religiosa na vida urbana, não porque os transeuntes sejam todos católicos praticantes, mas para que percebam que o edifício eclesial é diferente, um lugar que inspira sentimentos religiosos. Para os católicos, a igreja é o espaço não somente de sentimentos e emoções religiosas, mas, sobretudo, da presença real de Cristo na Eucaristia entre seus discípulos e que, a partir dessa experiência de um Deus que lá vive, faz viver e pulsar todo o espaço. A arquitetura sacra é o meio para encarnar e mostrar essa presença, portanto, cada obra deve ser única e significante.
Para conseguir vivenciar a sacralidade fundamental das igrejas católicas, o arquiteto pode usar todos os elementos construtivos à sua disposição, como pedra, madeira, tijolo, ferro, vidro, mosaico, pintura, que ele harmonizará para que, através dessa fusão, os fiéis se elevem até Deus e, como diz o arquiteto franciscano Constantino Ruggeri, especializado em luminosos vitrais, "Deus se faça presente no meio dos fiéis". O projetista deve fundi-los num concerto de elementos e criar uma musicalidade apta para um lugar sagrado. Para conseguir esta fusão harmônica e melódica que expresse Deus, o arquiteto pode até não ser cristão, mas deve ter uma forte experiência religiosa porque não está construindo um monumento para um herói, um edifício público e social, mas uma casa de Deus para Deus e seus fiéis. Uma igreja para os fiéis
Atualmente, não existem cânones fixos de construção, mas há normas ditadas pela liturgia e pelas necessidades da assembléia a qual deve se sentir bem acomodada e possa participar plenamente do culto. Não é mais o celebrante e seus ministros que realizam o culto, mas toda a assembléia, na harmonia das partes e das funções. É isso o que determina, na prática, o tipo de projeto e sua beleza na sua funcionalidade. O fiel deve ser intimamente levado a participar, envolvido no ato que acontece no altar e, portanto, tem que poder ver e se sentir presente em qualquer lugar em que estiver e ter a possibilidade de circular, em momentos particulares do ofertório e da comunhão, sem se amontoar caoticamente, ou dificultando a concentração mística que a liturgia deve proporcionar. Outro elemento importante é a luz, para que não somente clareie o ambiente, mas embeleze o edifício, dando uma luminosidade envolvente que realce a sacralidade do espaço eclesial, criando uma atmosfera de contemplação e de oração. A igreja do futuro, portanto, deve ser alegre, causar emoções espirituais não porque está carregada de enfeites, mas porque expressa e materializa a presença do Deus Pai, o "Deus da nossa alegria", que, através da Eucaristia, oferece sua força espiritual para a caminhada dos fiéis. |
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