Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
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Por Giorgio Paleari Charles nasceu em 1858. Morreu assassinado
na Argélia, em 1916, aos 58 anos. Tinha sido oficial do exército
francês e comandou expedições militares na África.
Aos 28 anos, converteu-se ao Evangelho de Jesus. Ingressou num mosteiro
trapista das irmãs clarissas em Nazaré. Não satisfeito,
retirou-se para uma vida simples e oculta, a exemplo de Jesus. Retornou,
mais tarde, para a Argélia e ali, no seguimento radical do Mestre,
tornou-se monge sem convento, em contato direto com as populações
tuaregs, até ser assassinado.
No silêncio e no abandono, mergulha no essencial. "O nosso aniquilamento é o meio mais poderoso que temos para nos unir a Jesus e fazer o bem". Quando ainda estava no mosteiro trapista e decidiu de deixá-lo, escreveu: "No mosteiro passei seis anos e meio, depois, desejando querer me assemelhar a Jesus, fui autorizado a viver como alguém desconhecido, vivendo do meu trabalho cotidiano". O coração de Charles se alarga numa dimensão universal, exatamente porque se torna pequeno, escondido, partícipe da humildade do Senhor. Foi chamado o "irmão universal" porque abrangeu o mundo todo e todos os povos, a partir da intensidade da presença entre os tuaregs. A universalidade tem, portanto, duas vertentes: uma é representada pela potencialidade e a intensidade da presença e a outra pela extensão e abertura até os confins da terra. A presença e o aniquilamento não são dimensões que alimentam a tristeza da vida cristã, mas representam o caminho mais simples do seguimento de Jesus que se fez pobre e para todos ofereceu sua vida. O esvaziamento é o processo de diminuição para que, como João Batista, o missionário deixa que Deus possa intervir e agir na história dos povos e das pessoas. Na vida de Charles de Foucauld, o protagonista que deve sempre mais aparecer e agir, através do discípulo, é o próprio Deus. Charles emprestou sua própria vida a Deus, uma vida não retida, mas doada. Quem guarda a própria vida para si, este a perde, mas quem a entrega, este a ganha. A decisão que levou Charles de Foucauld a viver junto com os tuaregs, os pobres do deserto, é a condição de um caminho místico. O amor radical nasce dessa entrega. Neste caminho está o processo de evangelização: antes de evangelizar, é necessário amar. Antes de proclamar as palavras e anunciar a mensagem, ocorre vivê-la, sem arrogância e orgulho, na própria vida. Assim os tuaregs começarão a chamá-lo de "marabuto branco", isto é, o homem da oração e o homem de Deus. A missão de Charles de Foucauld foi o inverso do proselitismo. Enquanto este quer conquistar o outro para fazê-lo entrar no mundo do conquistador, Charles, através de sua vida, revela Deus presente e completamente comprometido com os pobres. O que representa Charles de Foucauld para a vida missionária? É o homem que antecipou a primavera da Igreja, aquela espiritualidade do caminho que nos possibilita ver, de novo, o futuro da Igreja e de sonhar, de novo, com a presença do Reino no meio de nós. Enzo Bianchi escreve que, depois de Francisco de Assis e, agora, depois de Charles de Foucauld, toda vida religiosa e cada forma de testemunho na Igreja não podem mais ser vividos como antes: Charles mudou as formas até às raízes. |
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