Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
| Caminheiro que se insere no coração de
Deus
Giorgio Paleari A missão é comumente entendida como um movimento para fora,
um movimento centrífugo para povos e culturas, para situações
missionárias, para o além fronteiras. Isto é profundamente
verdadeiro na medida em que se fundamenta na ordem de Jesus de ir pelo
mundo todo e pregar o Evangelho. Antes de tudo, sendo o projeto trinitário o que está na base da evangelização, o missionário deve percorrer um longo caminho para o coração de Deus. Ele não inventa e nem é o protagonista da missão. Somente Deus o é. A iniciativa de Deus antecipa, acompanha e leva a bom termo a atividade missionária. Outra conseqüência é que o missionário, nesse movimento para o mistério trinitário, deve assumir a visão que Deus tem em relação à realidade e à história. Tudo é amado por Deus. Antes que o pecado do mundo, é a misericórdia de Deus que é contemplada. Ao missionário cabe inserir-se nesse amor de Deus para com todos. A misericórdia e a ternura de Deus devem tornar-se elemento da visão do mundo e da realidade do missionário. A atitude de Jesus que sente a dor e o sofrimento do cego, da viúva de Naim e do povo disperso sem pastor, deve tornar-se a mesma atitude do missionário. Em terceiro lugar, o longo caminho da missão assume - como método - o dinamismo trinitário. Isso significa que a união, a intercomunicação, o diálogo, a escuta e a complementaridade são assumidos como método para a evangelização. Noutras palavras, a vida que circula entre as pessoas da Santíssima Trindade, como vida de comunhão, é a característica da prática do evangelizador. Nada é excluído, nada é interrompido e tudo se torna valioso nesse processo complementar. Na Trindade, dizemos que as três Pessoas são distintas e, ao mesmo tempo, elas são um só Deus. Assim, também, o outro, diferente do mesmo, é amado por Deus na sua diferença e ao mesmo tempo unido por esse amor. O fim da evangelização é o mistério trinitário. Isso significa que o Reino na sua plenitude ("Deus tudo em todos") é o caminho da prática do missionário. O Reino, que foi o sonho e o projeto de Jesus, não está dissociado da mesma pessoa de Jesus e da vontade do Pai, como a Igreja, como início e semente desse Reino, não é todavia sua plenitude e totalidade. O Reino é dom e tarefa. É uma realidade que afeta este mundo e que, no entanto, tem sua plena realização no futuro. A água da qual o missionário se abastece é o sonho pelo qual Jesus se debateu, sofreu, padeceu e viveu. É esse um fogo que arde e uma força dinamizadora que impulsiona a dar a própria vida pelo plano de Deus. |
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