Revista "MUNDO e MISSÃO"

Ecologia

OCEANIA MEIO AMBIENTE

A Oceania ainda está revestida de um grande mistério. As centenas de ilhas no oceano Pacífico, as florestas e o imenso mar que circunda o continente todo vislumbram um mundo encantado, exótico e fascinante. Os limites oceânicos do continente correspondem a um terço da superfície do planeta, mas a massa terrestre do território não chega a ter o tamanho do Brasil.
É teatro de muitos acontecimentos. Por exemplo, desde 1945 até hoje, foram efetuados no Pacífico cerca de 300 testes nucleares. As maiores nações do mundo olharam para esta parte do mundo como um depósito de lixo nuclear. Existe uma enorme poluição de recursos naturais e de bacias de pesca, o desflorestamento selvagem e a exploração excessiva de rios e de áreas de mata por parte das empresas mineradoras.
Tudo isso faz com que possamos, a partir deste continente, ouvir o grito da terra e do mar e refletir sobre o desafio do meio ambiente para a missão cristã.

PAÍSES: 14

SUPERFÍCIE: 8.480.354 Km2

POPULAÇÃO: 29.600.000 habitantes

POPULAÇÃO URBANA: 71%

LÍNGUAS: na Austrália e Nova Zelândia (inglês), nos outros países, 1300 línguas nativas (19% das línguas do mundo).

RELIGIÕES:

  • cristãos: 24.451.000 (86,6%)
    • católicos: 7.318.000 (24,7%)
    • protestantes: 12.519.000 (42,2%)
    • ortodoxos: 675.000 (2,2%)
    • outros: 4.406.000 (14,8%)
  • muçulmanos: 248.000 (0,8%)
  • hinduístas: 345.000 (1,1%)
  • budistas: 266.000 (0,8%)
  • adeptos das religiões tradicionais: 259.000 (0,8%)
  • outros: 3.891.000 (13,1%)

EXPECTATIVA DE VIDA: 75 anos na Austrália e 57 anos na Papua Nova Guiné

MORTALIDADE INFANTIL: 24 de cada mil nascidos vivos

ADULTOS ALFABETIZADOS: 96%

PRODUTO INTERNO BRUTO: 474.248 milhões de dólares

RENDA PER CAPITA: 16.501 dólares

Verde que te quero verde

Giorgio Paleari

A Oceania convida-nos a refletir sobre a questão da ecologia e do meio ambiente. Propriamente por causa da presença de florestas, rios, mares e populações tradicionais, este continente nos introduz em alguns temas sobre a preservação do habitat para uma melhor vida sobre a terra

Antes de tudo, é bom entender o que significa a palavra ecologia e quais são os seus desdobramentos. O termo ecologia é formado pelas palavras gregas "oikos" (casa) e logos (conhecimento). Portanto, ecologia indica o estudo da "casa" em que moramos: meio ambiente, natureza e terra. Por muito tempo, diversamente das populações tradicionais, a natureza e o ambiente foram vistos como algo a ser sacrificado, destruído e escravizado para estar a serviço do ser humano.

O meio ambiente foi visto como algo a ser usufruído e não tanto respeitado. A tecnologia dos últimos anos foi agressiva com a natureza e incompatível com a preservação dos ecossistemas naturais. Não foi assim e não é assim no meio das populações tradicionais e indígenas. A terra é mãe que produz no seu seio a vida, as sementes, os frutos para alimentar o ser humano. Os animais também fazem parte deste meio. Eles, nascidos da terra, servem para alimentar e não para serem destruídos. A natureza é respeitada e inserida num mundo sagrado e misterioso.

Não foi assim com a sociedade ocidental. A ideologia do progresso contínuo fez com que a natureza fosse vista como objeto. O antropocentrismo (centralidade do ser humano) da cultura moderna é responsável pela crise ecológica. A natureza é explorada às custas do desequilíbrio e destruição do meio ambiente.

Males do progresso - Quando, hoje, se fala de questão ambiental e ecológica, algumas temáticas recorrem constantemente. O especialista Edison Barbieri afirma que os problemas mais recorrentes são: a ruptura na camada de ozônio, o avanço do processo de desertificação, o efeito estufa, os acidentes nucleares, a extinção das espécies, o excesso de lixo, a falta de água, o crescimento da pobreza, etc. Vale a pena explicar em poucas palavras estes termos, porque nos possibilitam entender mais concretamente a questão ecológica.

Quando se fala de ruptura na camada de ozônio, significa que, pelas grandes concentrações de compostos químicos industriais (os aerossóis, refrigeradores e produtos de limpeza), a estratosfera não consegue bloquear os raios ultravioleta. Como conseqüência há câncer de pele, alteração na fauna e na flora, redução da safra agrícola, modificação da temperatura no planeta. Determinados fenômenos e calamidades naturais vêm dessa alteração e destruição da camada de ozônio. O uso selvagem destes componentes químicos, os gases emanados pelas indústrias e pelos meios de condução (carros e ônibus) provocam a ruptura da camada de ozônio e aceleram a destruição da vida sobre a terra.

A desertificação é um outro sério problema ambiental. As terras tornam-se pouco produtivas e a vegetação não cresce mais. As causas disso são os desmatamentos, as queimadas, o mau uso das águas subterrâneas para irrigação.

O efeito estufa indica o crescimento da temperatura que causa o aprisionamento do calor de gases atmosféricos. Os raios solares ficam retidos, ao invés de se refletirem no espaço. Entre os resultados estariam as secas, os furacões e, em geral, alterações climáticas graves.

Os acidentes nucleares, a partir da Segunda Guerra Mundial, atingiram o planeta em várias ocasiões. Fala-se que, desde então, foram divulgados e, portanto, ficou-se sabendo que mais de 200 acidentes nucleares aconteceram. As radiações nucleares têm um efeito destruidor constante e permanente. Em novembro de 1987, o Brasil parou ao ver na televisão o problema que aconteceu com o césio-137 em Goiânia. O material radioativo, descoberto e enterrado, poderá danificar por muitos anos ainda o habitat e a vida.

Um outro desafio ecológico é a constante extinção de espécies de plantas e animais. No final da década de 80, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) havia registrado 4.500 espécies em extinção. A intervenção direta do ser humano não pode ser negada. "Preservar as espécies é indispensável para manter a estabilidade da biosfera".

Que dizer também do excesso de lixo e, em particular, da falta de água? A água, por exemplo, está se tornando sempre mais escassa. No Nordeste do Brasil ou na baixada do rio Nilo, e de tantos outros, levanta-se a questão do futuro da sobrevivência do planeta. A água é vida e, no entanto, está diminuindo. Há rios e lagoas que se tornaram cloacas. Muitas crianças morrem todo dia por beberem água contaminada. Quem sofre com tudo isso são, evidentemente, as populações mais pobres sem condiçõesde ter água potável. Poluição, desmatamento e erosão têm colaborado diretamente para a diminuição da quantidade de água para o consumo humano. Projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que, em 2025, dois terços dos habitantes do planeta terão dificuldade de conseguir água com regularidade.

O grito pela vida - A ecologia inaugura uma nova aliança e uma nova forma de organizar a relação dos seres humanos entre si, com a natureza e com o sentido do universo. Fomos criados não para destruir, mas para estarmos juntos com a natureza e convivermos com todos os seres vivos numa solidariedade cósmica.
O grito pela vida no planeta tornou-se uma crítica violenta ao modelo de civilização que estamos construindo. Precisamos retomar a experiência dos nossos antepassados que viam na natureza uma mãe e irmã. A terra não é para ser explorada e destruída, em vista do lucro, mas respeitada e amada.

Espiritualidade cósmica - A palavra espiritualidade indica a atitude que põe a vida no centro, promovendo-a contra todo mecanismo de destruição e de morte. Ela começa quando a gratuidade vence diante da acumulação desenfreada e da razão instrumental. O mundo é dom de Deus e tudo está ligado a Ele. O cosmos não é somente algo a ser desfrutado, mas muito mais a ser contemplado. Ficamos encantados diante da beleza da realidade. A solidariedade com todos os seres nos torna mais humanos. Quando algo da natureza é violado, tudo está sendo ameaçado.

A teologia cristã da criação diz que tudo veio de Deus e é fruto de seu desejo e de sua criatividade. Ao homem foi confiado o mundo para que fosse cultivado e amado. Mas não tendo amado e amparado a criação, também a pessoa humana ficou ferida. Com a redenção, o Filho de Deus retoma a criação e a re-orienta. O mundo é um espelho da revelação trinitária de Deus que se sacraliza na pessoa humana. O Espírito de Deus é que faz novas todas as coisas. São estes princípios e realidades básicas sobre a centralidade de Deus e a defesa da criação.

O modelo cristão da ecologia tem em são Francisco um dos mais significativos representantes. Para ele o reconhecimento da paternidade divina alimenta não somente uma relação de irmandade entre as pessoas, mas também aquela entre todas as criaturas viventes e o universo: irmão sol e irmã lua.

Contribuição das religiões - O islã tem como centro a unicidade e a unidade de Deus (tawheed), a partir do qual há uma unidade do gênero humano e da natureza. O universo tem um perfeito equilíbrio que o ser humano não pode destruir: "Observem a eqüidade, não alterem o equilíbrio" (Sura 55). Ao ser humano, no entanto, foi confiado todo o universo e a conseqüente responsabilidade de não destruí-lo. Na tradição islâmica há o conceito da propriedade coletiva dos recursos naturais e a responsabilidade de zelar pelas gerações futuras.

Na base da concepção ética do hinduísmo há o sentido da continuidade e da interdependência de todos os seres vivos. No antigo mito do "ovo" (brahmanda), o mundo em sua totalidade é como um ovo estratificado em seções, e o tempo humano e da natureza é regido pela sucessão de ciclos epocais que alternam felicidade e infelicidade, pureza e impureza. Nenhum ser vivente foge da morte e do renascimento, reencarnando-se num outro ser (samsara). O universo é todo sagrado e essa unidade cósmica deve ser reconhecida.

O budismo não tem uma específica idéia de sacralidade ligada ao cosmo e às criaturas. Não existe um ser Deus criador e nem um princípio absoluto transcendente. O respeito à natureza vem do necessário respeito por tudo. Isso explica o sentido da compaixão para com tudo.

Salvar a terra - A Oceania nos introduz, portanto, na grande temática da ecologia e da defesa do meio ambiente. Religiões diferentes, movimentos ecológicos e organizações não-governamentais (ONGs) fazem um apelo urgente para defender a vida em todas as suas formas. Não é possível ter uma vida digna sem defender a natureza e o cosmo.

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