| S.O.S. TERRA
Edison Barbieri
O que está em jogo não são mais idéias políticas
nem hegemonias momentâneas. É a própria sobrevivência
do homem na terra. E isso depende de nós: somos a única
espécie que desenvolveu a capacidade de se auto-exterminar.
AS AMEAÇAS
Ruptura na camada de ozônio
Ao longo da formação do planeta Terra, os continentes e
os mares sofreram várias transformações, durante
os muitos períodos geológicos. Mas a transformação
mais significativa deu-se com a evolução dos organismos
aquáticos, capazes de utilizar a luz solar para a produção
de energia, através da fotossíntese.
Antes, porém, dessa evolução, a formação
gradual de oxigênio produzido biologicamente na água e sua
difusão para a atmosfera causou uma enorme mudança na composição
química do ambiente. Aquela formação estava condicionada,
em grande parte, por gases de vulcões que eram muito mais ativos
que nos dias de hoje. Devido à ausência de oxigênio,
não havia "capa" alguma de ozônio sobre o planeta,
pois só o oxigênio submetido à radiação
de ondas curtas produz o ozônio que, por sua vez, absorve as radiações
ultravioletas. Assim, pela falta da camada de ozônio, as radiações
ultravioletas solares penetravam até a superfície da Terra
e eram mortais aos organismos que nela se aventurassem, com exceção
dos seres aquáticos, protegidos pela camada da água.
Somente há seiscentos milhões de anos, começou a
formação da capa protetora da Terra, mas, só há
quatrocentos milhões de anos, a vida pôde invadir os continentes,
representada sucessivamente por vegetais, anfíbios, répteis,
aves e mamíferos.
A camada de ozônio na estratosfera terrestre, a 17 quilômetros
de altitude, filtra os raios solares ultravioletas, que podem causar mudanças
climáticas e até câncer de pele. No final dos anos
70, uma expedição científica britânica à
Antártida constatou que o buraco nessa capa protetora era uma ameaça
real à vida no planeta. Ele é causado por grandes concentrações
de compostos químicos industriais, denominados em conjunto de clorofluorcarbono
(CFC), conhecido também como gás freon, usado em grande
escala na produção de aerossóis, refrigeradores e
produtos de limpeza, embora, nos últimos anos, venham surgindo
medidas restritivas. Reagindo com o ozônio da estratosfera, o cloro
contido no CFC transforma-o em oxigênio que não bloqueia
os raios ultravioletas. Caso a diminuição da camada de ozônio
continue, os índices de câncer de pele aumentarão,
ocorrerá alteração na fauna e na flora, redução
das safras agrícolas, modificação da temperatura
e da circulação do ar no planeta.
O avanço do processo de desertificação
Desertificação é outro sério problema ambiental
de caráter global que o homem vem enfrentando nas regiões
semi-áridas e subúmidas. O primeiro sintoma é o aparecimento
de manchas no solo. Depois, a vegetação vai ficando escassa
e, por fim, morre. As manchas aumentam e transformam-se em grandes áreas,
onde a vida animal e vegetal é impraticável. Segundo estudos
realizados pelo Programa das Nações Unidas para o meio Ambiente,
a cada ano, o planeta perde cerca de 6 milhões de hectares de terras
férteis, em virtude do processo de desertificação,
do mesmo modo que, em outros 21 milhões de hectares, a produção
agrícola torna-se antieconômica.
As principais causas da desertificação são os desmatamentos,
as queimadas, a expansão de culturas intensivas para terras de
várzea, mais adequadas para a criação de gado, e
o mau uso da água subterrânea para a irrigação.
No Brasil, esses problemas são sérios. Em apenas alguns
anos, milhares de hectares de planícies verdejantes e coxilhas
(colinas suave) que constituem o pampa gaúcho viraram areia e dunas,
nas quais qualquer cultivo torna-se inviável.
Segundo o boletim número 20 de 1996 da New Assessment of the World
Status of Desertification, a percentagem total de terras dos continentes
que estão na condição de desertos ou terras secas
é: África: 66%; Ásia: 46%; Austrália: 75%;
Europa: 32%; América do Norte: 34%; América do Sul: 31%.
Todavia, o mais grave efeito da desertificação são
os milhares de pessoas que, a cada ano, morrem de fome no Sahel (faixa
desértica, localizada na África, que mais aumenta no mundo),
devido ao fracasso das safras agrícolas.
Efeito estufa
Um contingente expressivo de especialistas em climatologia admite que
a média da temperatura planetária subiu de maneira anormal,
nos últimos 100 anos, e pode subir ainda mais, daqui em diante.
Basta, para isso, que a poluição do ar continue no ritmo
atual e a hipótese torna-se perfeitamente aceitável.
Embora ainda não existam provas irrefutáveis, acredita-se
que esse fenômeno de aquecimento da superfície do planeta
resulta do chamado "efeito estufa", expressão adotada
para indicar o aprisionamento do calor de gases atmosféricos como
o metano, vapor d`água, óxido de nitrogênio, clorofluorcarbono
(CFC) e, especialmente, o gás carbono. Produzidos em larga escala
pelas atividades urbanas e industriais, eles formam uma espécie
de parede de vidro ou saco plástico que retém, junto ao
planeta, uma parte dos raios solares que, em condições normais,
seriam rebatidos para o espaço. Quanto mais moléculas permanecerem
flutuando no ar, mais calor ficará retido. Se a atmosfera não
existisse, a temperatura média do planeta seria de 18 graus negativos.
A média anual é de 15 graus positivos, mas ela poderá
subir vários pontos, em poucas décadas, se o planeta não
reduzir drasticamente a produção de poluentes.
Entre os resultados desastrosos do efeito estufa, estariam distúrbios
climáticos como secas, furacões, aumento das chuvas e nevadas,
derretimento do gelo dos pólos (com a conseqüente elevação
do nível do mar, provocando inundações) e diminuição
na produção de alimentos.
Acidentes nucleares
Desde 1945, ano que marca o fim da Segunda Guerra Mundial e, ao mesmo
tempo, o inicio da era atômica para toda a humanidade, já
foram registrados - e divulgados - mais de 200 acidentes nucleares na
face da Terra. Mas isso pode ser só a ponta de um iceberg. E os
casos não divulgados, quantos seriam?
Impossível saber ao certo. O que consta, com toda a certeza, é
que esse tipo de desastre, com armas e usinas atômicas, representa
um perigo crescente e de alcance imprevisível . Não é
como um incêndio, um desabamento, uma inundação ou
qualquer catástrofe que o homem conheceu antes, que fica praticamente
restrita ao local de ocorrência. Um reator nuclear é uma
espantosa concentração de energia poluidora; vários
reatores nucleares são uma assustadora concentração
de poder político. Segundo a Agencia Internacional de Energia Atômica
(AIEA) americana, há mais de 30 países tecnicamente aptos
a produzir ogivas nucleares em alguns anos: basta que os seus governos
queiram. Acontece que produzir é uma coisa; controlar os riscos
é muito diferente.
Em 26 de abril de 1986, o acidente na usina de Chernobyl, União
Soviética, deu um susto na humanidade inteira, a ponto de impor
uma revisão geral nas normas de segurança nuclear. A conseqüência
mais grave - herança da explosão - constatável atualmente,
na população de Chernobyl que ficou exposta à radiação,
é o constante aumento do número de nascimentos de crianças
com avançado retardamento mental e com sérios defeitos físicos.
São inúmeros os casos de famílias onde a maior parte
dos membros - tanto pais como filhos - morreram em conseqüência
de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS), os índices de leucemia, entre as crianças, são
nove vezes maiores dos que foram computados em Hiroshima e Nagasaki, dez
anos após a explosão das duas bombas atômicas.
Se isso aconteceu na ainda coesa União Soviética, tão
experiente nessa tecnologia, o que se pode então esperar de países
como o nosso, que costumam lidar com esses problemas de maneira mais desajeitada?
Em novembro de 1987, o Brasil parou para ver na TV o acidente com o césio-137
em Goiânia. O episódio já foi praticamente esquecido,
mas o material contaminado pela radioatividade continuará sendo
perigoso ainda por muito tempo, mesmo lacrado e intocável. Num
exercício de imaginação, pessimista mas perfeitamente
cabível, calcula-se que nada menos que 20 milhões de brasileiros,
em 50 cidades, seriam afetados por um possível acidente na usina
nuclear de Angra dos Reis, RJ, que espalharia nuvem radioativa num raio
de 300 quilômetros.
Extinção de espécies
No final da década de 80, a União Internacional para a
Conservação da Natureza (UICN ) havia registrado 4500 espécies
em extinção, entre animais e plantas. Outras estimativas
chegam a fixar em cerca de 100 o número de espécies que
desapareceriam diariamente da fauna e da flora do planeta, sendo que,
em 95% dos casos, o homem nem sequer chegou a tomar conhecimento delas.
Nas florestas tropicais, como a Amazônia, calcula-se que de 10 a
20% das espécies podem sumir até o ano 2000.
O desaparecimento de outras formas de vida não pode ser de todo
creditado à intervenção humana. Na verdade, a extinção
de espécies (por exemplo, a dos dinossauros, que duraram 140 milhões
de anos) já ocorria bem antes do surgimento do homem, seja por
conta de modificações climáticas ou do impacto de
colisão de meteoritos contra a superfície terrestre. No
entanto, é fora de dúvida que o homem deu um grande impulso
à fatalidade. A industrialização da sociedade, a
expansão da caça e das atividades agropecuárias provocam
mudanças tão fortes e repentinas no meio ambiente, que os
animais e plantas não podem resistir e sucumbem. Hoje, está
claro que isso tem um preço alto não apenas para as espécies
sacrificadas mas, indiretamente, também para o homem. Se não
bastasse o lado ético da questão - no sentido de que o homem
não teria o direito de romper o equilíbrio de algo que não
criou -, restaria o lado prático, de uma providência em causa
própria. Preservar as espécies é indispensável
para manter a estabilidade da biosfera. Uma grande floresta, por exemplo,
é uma peça-chave no clima global. E mais: as plantas e os
animais que ali vivem constituem um valioso material genético para
o desenvolvimento da farmacologia e da biotecnologia.
Excesso de lixo
Atualmente, mais da metade da população mundial está
concentrada em cidades e tudo indica que as maiores taxas de crescimento
serão registradas pelas metrópoles de países em desenvolvimento.
Estas duas informações, combinadas, sugerem - automaticamente
- uma imagem: muito lixo, pilhas de lixo, montanhas de lixo e muita gente
vivendo dele. Mas também os países ricos se defrontam com
o mesmo problema: nas sociedades mais desenvolvidas, os objetos cotidianos
tendem a ser mais descartáveis. A riqueza gera o desperdício
e isso está dentro da sua lógica. No entanto, esses países
ricos também são os que primeiro se deram conta do enorme
desafio que o lixo representa para o bem-estar e a saúde das próximas
gerações. Podiam investir e investiram: em coleta, separação
e reciclagem de materiais como vidro, plástico, metais e papéis
e também no aproveitamento da parte orgânica. Assim, essa
tecnologia de tratamento de dejetos não só veio a atenuar
o drama maior - a crescente falta de novos lugares onde colocá-los
- como também passou a dar lucro.
Nos países pobres, entretanto, o quadro é outro. Os recursos
tecnológicos para tratamento racional do lixo são ineficientes
ou insuficientes. Mesmo quando as iniciativas funcionam, nunca estão
na mesma escala de necessidades. No total diário de 90 mil toneladas
de lixo produzido no Brasil todo, São Paulo comparece com algo
em torno de 12 mil toneladas. A maior metrópole brasileira está
perto do colapso: os chamados aterros sanitários estão esgotados,
não há onde criar outros. Resultado: montanhas de lixo,
máfias do lixo. Toda uma sociedade de quinto escalão se
instala sob os viadutos e gravita em torno dos dejetos de quem tem o que
jogar fora, contaminando-se com eles e, num efeito bumerangue, contaminando
o ambiente geral.
A falta de água
A água doce e saudável é fundamental para a vida
sobre a Terra, porém, está se tornando cada vez mais escassa.
À medida que aumentam as atividades econômicas, aumentam
também as demandas de água. Cerca de 70% da água
doce são utilizados para a irrigação, 24% para as
indússtrias e 6% para o consumo doméstico. Assim, a disponibilidade
ou não de água doce é um fator que limita a produção
agrícola, a industrialização e a urbanização.
A água será o elemento decisivo nas questões relativas
ao meio ambiente e à política dos próximos 15-20
anos. Os conflitos em relação a terras e petróleo
vão parecer insignificantes, comparados aos que aparecerão
em relação à água. No abastecimento de água,
soluções hábeis para os conflitos poderão
ser tão importantes como a própria hidrologia e engenharia.
O Oriente Médio - assim como todo o norte da África, desde
o Marrocos até o Egito - é uma das áreas onde o problema
será mais evidente. No Brasil, o semi-árido nordestino já
vem muito sofrendo, há muito, com a falta de água. Embora
o consumo de água seja, em geral, menos elevado que seu abastecimento,
o equilíbrio é frágil. Nos últimos dez anos,
com a seca, o nível do rio Nilo , por exemplo, tem diminuído,
enquanto o consumo de água do Egito vem aumentado. E o Nilo não
é um rio exclusivamente egípcio: vários países
a sua volta tentam utilizar a mesma fonte. Assim, também a Turquia
e o Iraque discutem os direitos de posse de água do rio Eufrates;
o México e os Estados Unidos têm litígios em relação
às águas do rio Colorado; Bangladesh está na desembocadura
do Ganges, mas não tem controle algum sobre os trechos do rio que
atravessam outros países.
Muitas vezes, a poluição das águas é acidental,
mas, em geral, deriva do derramamento de produtos sem o devido controle.
Quando a concentração de substâncias orgânicas
e químicas supera certos limites, as águas não conseguem
regenerar-se pela ação das bactérias (biodegradação)
e vida desaparece. Os rios e lagos convertem-se em cloacas a céu
aberto. Mas o maior problema da poluição das águas
são os patógenos. Segundo a OMS, cerca de 100 mil crianças
morrem por dia, devido a enfermidades contraídas por beber água
contaminada; entre elas, destacam-se o cólera e uma infinidade
de doenças diarréicas.
Os produtos industriais derramados nos rios causam verdadeiros estragos
nas comunidades aquáticas, particularmente nos peixes e nos invertebrados.
Muitas substâncias ácidas, sulfuretos e amoníacos
paralisam as reações bioquímicas e provocam a morte
de animais e plantas. A poluição constitui uma preocupação
cada vez maior para as próprias indústrias, que se vêem
obrigadas a utilizar as águas contaminadas dos rios, incompatíveis
com determinados tipos de instalações. E o industrial que
contamina as águas pode ser uma das suas primeiras vítimas.
A pobreza
Muitas vezes, as nações pobres do hemisfério sul
consideram que industrialização, a qualquer preço,
significa desenvolvimento e progresso. Nesses países, segundo o
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA),
um bilhão de pessoas não dispõe de água potável,
1,3 milhão está exposto à fuligem e à fumaça.
Quase três quartos da população mundial se alimentam
a um custo de três dólares por dia e essa situação
tem se agravado. Em 1982, havia trinta países pobres; no ano de
1992, esse número chegou a 42.
Para o desenvolvimento dos países pobres, a década de 90
foi praticamente perdida. Apesar dos esforços, ainda não
se conseguiu garantir os preços da matéria-prima. Além
disso, o volume de exportação de produtos básicos
está caindo, enquanto as importações de produtos
industrializados estão cada vez mais caras.
A riqueza econômica de uma minoria, como é o caso do Brasil,
em detrimento dos que vivem em extrema pobreza, é um escândalo.
Agora, as duas principais causas da degradação ambiental
nos países em desenvolvimento são exatamente a miséria
e o mau uso da riqueza. Os pobres são obrigados a destruir, em
pouco tempo, os recursos dos quais depende sua subsistência a longo
prazo. Enquanto isso, os ricos provocam demandas insustentáveis
de recursos, transferindo mais uma vez os custos aos pobres.
É relevante assinalar que, em situação de extrema
pobreza, o indivíduo marginalizado da sociedade e da economia nacional
não tem nenhum compromisso para evitar a degradação
ambiental, uma vez que a sociedade não impede sua própria
degradação como pessoa.
A VIDA RENASCE
O povo organizado
Na Amazônia, com os povos da floresta - praticamente os índios
e os seringueiros, surgiu o "empate da derrubada", sob a liderança
de Chico Mendes, líder ambientalista assassinado em 1988. Trata-se
de uma invenção de um povo pobre, que depende da floresta
amazônica para sobreviver. Hoje, os seringueiros são 70 mil
trabalhadores (num universo de aproximadamente 500 mil pessoas, contando-se
os dependentes), cansados das determinações governamentais
que ninguém cumpre e pelas campanhas que ninguém vê.
Por isso, resolveram agir, "empatar" o desmatamento e as queimadas,
que hoje destroem a Amazônia, formando mutirões de dezenas
de homens que, juntamente com suas famílias, tentam pacificamente
estabelecer negociações e impedir as queimadas e a derrubada
da mata. Entre os anos de 1975 a 1985, esses "empates" evitaram
a destruição de 1,2 milhão de hectares de florestas.
O movimento Cinturão Verde
O movimento Cinturão Verde, lançado pelo Conselho das Mulheres
Quenianas (NCWK), luta contra a desertificação, a destruição
das florestas, a erosão e a escassez de lenha, trabalhando para
que o deserto recue, incentivando a plantação de árvores
e a preservação do solo e da água nas comunidades
rurais. O movimento também procura conscientizar a população
da relação causa-efeito entre deterioração
do meio ambiente e pobreza, desemprego, subnutrição, do
desperdício de recursos e suas conseqüências políticas
e econômicas funestas para a África.
O projeto desenvolveu-se rapidamente. Em catorze anos, criaram-se mais
de mil viveiros para a produção de plantas e sementes, posteriormente
fornecidas aos camponeses e às diversas coletividades. Isso possibilitou
criar trabalho remunerado e, sobretudo, preservar o meio ambiente. Hoje,
o número de árvores plantadas gira em torno de dez milhões,
com uma taxa de sobrevivência de 80%. O projeto emprega a capacidade
de trabalho e recursos locais, estimulando as comunidades a tomarem o
destino nas próprias mãos, recusando qualquer interferência
direta de renomados especialistas do exterior. Incentiva, assim , a autoconfiança
das pessoas do lugar, que freqüentemente se deixam impressionar pelos
especialistas, convencendo-se de que são incapazes e atrasadas.
A pressão dos cidadãos
Do mesmo modo, é pela pressão dos cidadãos que as
empresas estão parando de usar o clorofluorcarbono (CFC), que destrói
a camada de ozônio, e instalando filtros em chaminés para
diminuir a emissão dos gases poluentes, que contribuem para o efeito
estufa e prejudicam a saúde de muitas pessoas, como ainda acontece
em Cubatão, SP.
O advento de uma nova era na questão ambiental, com uma legislação
cada vez mais rigorosa e consumidores sempre mais exigentes, está
movimentando um outro setor da economia, o dos fabricantes de máquinas,
equipamentos e produtos para controle ambiental. Calcula-se que os negócios
envolvendo "produtos ecológicos" movimente, anualmente,
500 milhões de dólares (conferir dado com Edison), mais
que as indústrias bélicas de todos os países do mundo.
No bojo dessas mudanças, em que ecologia e desenvolvimento econômico
se completam, temos uma nova linha de tecnologia, a "tecnologia limpa",
que significa basicamente repensar todo o processo produtivo das indústrias,
economizando matérias-primas, água e energia (bens cada
vez mais escassos), além de diminuir os riscos de poluição
ambiental. É uma revolução no modo de encarar o problema
da poluição.
Em vez de gastar no tratamento final dos dejetos e efluentes, é
melhor diminuir a quantidade desses rejeitos e, se possível, aproveitá-los
ao máximo, ainda dentro das fábricas. Com técnicas
avançadas, a maioria dos resíduos industriais pode ser reaproveitada.
No fundo, a questão ecológica é uma questão
de boa vontade, de vontade política. O homem sempre encontrou soluções,
mesmo para seus problemas mais cruciais. Naturalmente, é preciso
que, ao lado da consciência ecológica, também se desenvolva
- e cada vez mais - a consciência do bem comum, da solidariedade,
da fraternidade universal como valores incalculavelmente superiores ao
mero progresso tecnológico e científico ou, bem mais ainda,
superiores aos interesses do lucro e da dominação. E o homem
saberá conviver com as forças da natureza, não sendo
subjugado por elas nem destruindo-as , mas dominando-as, a serviço
e para o bem de toda a humanidade.
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