Revista "MUNDO e MISSÃO"

Ecologia

 

Florestas africanas caem
sob a estridente voracidade
das motos-serras e a imensurável
cobiça de multinacionais

por Luca Spampinato

s selvas milenares da Nigéria, Gana e Costa do Marfim foram quase totalmente destruídas. No final da guerra de 1997, madeireiras européias começaram a destruir, em larga escala, a floresta da Libéria, o único país da região onde a floresta permanecia intacta.

O Greenpeace denuncia: “Nos últimos trinta anos, a África perdeu 2/3 das florestas tropicais. Os países africanos aumentaram a produção industrial de madeira em 58% desde a metade da década de 90.

Nesse período, não houve aumento de área destinada à preservação da floresta. Se continuar assim, não haverá mais nada para cortar”. O último pulmão natural do continente africano (menor apenas que a floresta amazônica) é a bacia fluvial congolesa. Mas ela está nas mãos das multinacionais da madeira. Mais de 80 mil quilômetros quadrados da floresta, e preciosas espécies animais e vegetais, foram perdidos para sempre.

“Nesse ritmo, durante uma geração, as florestas virgens africanas correm o risco de se tornar apenas uma lembrança”, advertem ambientalistas. A floresta africana tornou-se um novo faroeste, terra de ninguém, fonte de riqueza a ser depredada impunemente. O Banco Mundial financia algumas companhias para uma gestão florestal sustentável. Mas falta fiscalização e sobra ilegalidade. O abate de oito árvores destrói 26% da floresta residual ao seu redor. Regiões inteiras se transformam em terreno desolado.

Na República dos Camarões, estima-se, o corte ilegal representa 50% do tráfico global. “Para pagar a dívida externa, o Governo precisou vender milhões de hectares de vegetação luxuriante”, esclarece Jacqueline, missionária católica que vive na floresta há anos. “Umas vinte companhias européias e outro tanto de pequenos empreendedores privados competem entre si para ver quem derruba mais árvores. Falta controle sobre tais atividades e o silêncio dos administradores locais é pago com propina (o país ocupa o primeiro lugar na lista dos países mais corruptos do mundo, segundo a organização Transparency International).

A população nas vilas desperta com o barulho ensurdecedor das motos-serras”. Toneladas de madeira nobre (moabe, afrormosia, bubinga, ayous, wengé) vão para a Europa, mas deixam inevitáveis conseqüências climáticas, econômicas e antropológicas. E nenhum governo se preocupa. Tampouco organismos decisórios internacionais. Os ambientalistas alertam: “A floresta congolesa hospeda mais de 1000 espécies de aves e 400 espécies de mamíferos, muitos dos quais não existem em outro habitat.

A floresta é essencial para a sobrevivência dos grandes primatas. Das cinco espécies dos grandes macacos, só o homo sapiens – isto é, nós –, não sofre o risco de extinção. Três dos outros quatro – o gorila, o chimpanzé e o chimpanzé-pigmeu – dependem da floresta pluvial africana. O pequeno elefante da floresta dissemina sementes de muitas plantas pela mata toda. Outros animais (okapi, pavão do Congo,...) são pouco conhecidos pela ciência ocidental. Mas todos correm perigo”.

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