Revista "MUNDO e MISSÃO"
Ecologia
É preciso descobrir e encarar a Amazônia como fonte inesgotável de vida, como herança verdadeira e viva. A história dos 500 anos aponta para o que devemos evitar, para que a VIDA não pereça. Acabamos com as florestas do Nordeste. Mais de 95% da mata desapareceu no Rio Grande do Sul. Grandes matas de araucárias, cedros, angicos, ipês e timbaúvas tombaram em substituição de grandes lavouras e pastagens de bois. Depois foi a vez do Paraná, com a derrubada da floresta de pinheiros, seguida pelo Mato Grosso e Santa Catarina. Em 1970, começou a vez do norte. Um milhão de brasileiros peregrinaram pela BR 364 em direção ao Acre e Rondônia, martirizando índios e derrubando florestas, sem falar do Pará, considerado, hoje, uma das regiões mais dilaceradas e devoradas, não só pela voracidade dos estrangeiros, como também dos brasileiros. Nova espiritualidade A Amazônia, o maior conjunto contínuo de florestas tropicais do planeta, se destruída, mesmo parcialmente, pode acarretar desequilíbrio total do ecossistema, ameaçando a sobrevivência da própria espécie humana. No entanto, a maioria dos homens e mulheres não conseguiu acordar diante de um desastre iminente, prestes a acontecer, caso não haja uma mobilização por parte de todos. Não será apenas um grupo a salvar o Planeta Terra, mas a consciência de todos, despertados para a necessidade de mudar de atitude, instaurando uma nova plataforma de relação com Deus e com a natureza, entendendo a “humanidade como parte de um vasto universo em evolução”, e a “Terra como nosso lar, viva”. Sentir, afinal, que somos um com ela. Neste sentido, urge uma nova ética e uma nova espiritualidade, que nos ajudem a construir um novo pensamento e uma nova atitude existencial. Nossa filosofia foi longamente dominada pelo antropocentrismo, segundo o qual o ser humano se considerava o dono absoluto e sem limites da criação, jogando-se na exploração desenfreada dos recursos naturais, na ilusão de que durassem eternamente. Missão da Comissão Episcopal para a Amazônia A Comissão Episcopal para a Amazônia preocupa-se com a dimensão religiosa e missionária da Amazônia, bem como com a questão da soberania, da brasilidade, do patrimônio que deve constituir a Amazônia preservada, com seus benefícios que podem se estender à humanidade. Urge, por isso, uma ação que desperte todos os brasileiros para a questão do Meio Ambiente e da Ecologia.
A Igreja tem a missão de dar a sua contribuição, somando assim, a sua voz à de todos os Grupos, Ong’s, Instituições que lutam pela preservação daquilo que Deus criou para todos os seres vivos, como fonte de vida. A opção da Igreja se faz cada vez mais clara na organização e apoio às várias iniciativas de realização como verdadeira participação e solidariedade. Isso vale ainda mais, considerando que esta região é um lugar onde as injustiças são gritantes, pela exploração do latifúndio, a negação dos direitos dos índios e o assassinato, a violência da polícia e a conivência do judiciário. Sinal visível de que a presença do evangelho é semente nas várias comunidades, são as iniciativas e organizações como a dos ribeirinhos na luta pela preservação dos rios e dos lagos, como forma concreta de conservar a vida; a organização das comunidades indígenas, através do CIMI, na luta pela demarcação de suas terras, pelos seus direitos e o resgate de suas identidades culturais; os povos indígenas e trabalhadores do campo e da cidade, que se dão as mãos, buscando reverter a situação de ilegalidade e impunidade; e a presença missionária dos religiosos e das religiosas, nestas áreas, como testemunho e profecia, introduzindo a todos na comunidade dos seguidores de Cristo, a serviço da vida.
Entre outros traços, a Comissão Episcopal para a Amazônia se solidariza com as Igrejas da Amazônia na busca de seu rosto de “Igreja: Irmã da Criação”, unindo-se aos povos da floresta em sua contemplação do Deus da vida, que manifesta o seu amor maternal na terra, no céu estrelado, no mistério das matas e dos rios.Acredita que toda a criação, sacramento vivo da presença e do amor de Deus, participa da redenção do Cristo que, por sua Páscoa, reconcilia o universo. Convoca todos os homens e mulheres a cuidarem do Planeta como sua casa comum. Denuncia, com as Igrejas da Amazônia, todos os fatores que provocam a destruição da natureza, causando a injustiça social e a dependência econômica, e une a defesa da justiça social à salvaguarda da criação. À guisa de conclusão Somos convocados por Deus, em nome da vida, a selar uma aliança de fraternidade para defender a criação agonizante, e trabalhar para resgatar o respeito e o cuidado pela Terra, gestando uma nova civilização planetária, que coloque em primeiro lugar um único princípio absoluto: a vida. Mais do que preocupar-se com o desenvolvimento sustentável da Amazônia, importa construir uma vida sustentável. |
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