Revista "MUNDO e MISSÃO"
Ecologia
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"Deus disse: 'Sede fecundos
e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a!...
Escolher entre esses dois futuros é o grande desafio que enfrentamos hoje. Muitos pensam que o progresso e os interesses econômicos estão nos conduzindo para o fim. Outros acreditam que novas tecnologias poderão surgir para salvar nosso planeta. Mas, a verdade é que não estamos sabendo preservar a natureza que Deus nos confiou, nem para nós e, muito menos, para a nossa posteridade. As incríveis conquistas tecnológicas e científicas dos últimos séculos têm proporcionado um elevado padrão de qualidade de vida para um quinto da humanidade, enquanto milhões de pessoas vivem ainda na mais profunda miséria, em condições subumanas. É preciso encontrar um meio para equacionar as necessidades e os interesses da ecologia, do desenvolvimento, da economia e da promoção humana. Nas últimas décadas, diversos eventos foram promovidos, reunindo lideranças de inúmeros países, com o intuito de estudar e buscar soluções para os problemas do meio ambiente e da qualidade de vida dos povos. Na Cúpula da ONU sobre a Terra - Rio/92, diversos acordos foram firmados tendo em vista a proteção da natureza e a ajuda aos países em desenvolvimento. Infelizmente, poucas promessas foram cumpridas, sobretudo pelos países desenvolvidos. Nova chance: Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, em Johannesburgo, África do Sul, de 26 de agosto a 4 de setembro/2002, reunindo centenas de chefes de estado, milhares de cientistas e ambientalistas, sob a ansiosa expectativa de bilhões de pessoas que acompanham perplexas os sinais de desequilíbrio da Mãe Natureza e que se indignam com o dramático crescimento da pobreza e da fome no mundo. Cinco foram as áreas focalizadas neste encontro mundial: água: como cuidar das reservas limitadas e escassas, combater o desperdício, promover o saneamento básico; energia: como produzir energia adequada para 2 bilhões de pessoas carentes, obter energia renovável sem impactos no clima, na flora e fauna, estimular e financiar pesquisas de fontes alternativas; saúde: como salvar milhões de vidas condenadas pelas precárias condições ambientais, providenciar vacinas e tratamentos para inúmeras doenças que atingem sobretudo os povos mais pobres; agricultura: como obter produção de alimentos para atender a demanda crescente dos países carentes, administrar o uso do solo para manter a produtividade sem chegar ao exaurimento e desertificação; biodiversidade: como evitar a extinção de espécies pela exploração irresponsável, financiar pesquisas e inovações sobre ecossistemas e biodiversidade. Diante deste panorama, sabemos que muitas ações e iniciativas, em favor da conservação da natureza e da sobrevivência da humanidade, já estão ao nosso alcance. Precisamos despertar as consciências e difundir os conhecimentos para que, gradativamente, mais pessoas se sintam responsáveis, no seu raio de atuação, pela saúde do planeta e pela preservação dos seus preciosos recursos, para garantia de vida das novas gerações. Só o desenvolvimento humano salvará a Terra. UMA DÉCADA EM BUSCA 1997 - Em Kioto, Japão, é firmado o texto do Protocolo de Kioto que prevê uma redução global de 5,2% das emissões dos principais gases poluentes, relativamente aos níveis de 1990, para o período de 2008-2012. 2000 - Conferência do Milênio, que elaborou a Declaração do Milênio, estabelecendo um conjunto de metas para o desenvolvimento e a erradicação da pobreza, as MDGs - Metas de Desenvolvimento do Milênio, a serem atingidas até 2015. 2001 - Conferência de Marrakesh, que regulamentou o Protocolo de Kioto, criando as condições políticas e técnicas para sua ratificação pela comunidade internacional. Os EUA o rejeitaram. 2002 - Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável - RIO+10, em Johannesburgo. SINAIS ALARMANTES Cerca de 23 bilhões de toneladas de CO2 são lançados
na atmosfera por ano - mais de 700 toneladas por segundo! A Terra está
sofrendo seu aquecimento mais rápido dos últimos 10 mil
anos. A "nuvem marrom asiática": tem 3 mil metros de altura e cobre uma área de quase um milhão de quilômetros quadrados. Foi avistada, pela primeira vez, na década de 80 e tem sido estudada e acompanhada, nos últimos anos, através de satélites. Ultrapassa o cume da cordilheira do Himalaia e se estende desde a China, ao norte, até o golfo da Arábia, a oeste. É composta de monóxido de carbono, cinzas, vapores ácidos, aerossóis, fuligem, rejeitos industriais. Nasce do aumento do consumo de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, da combustão de madeira para uso doméstico e da destruição das florestas nas regiões asiáticas. Reduz em 15% a quantidade de energia solar que atinge a Terra, diminuindo a evaporação marinha. Os efeitos são: alteração das precipitações pluviométricas, ocasionando inundações em algumas áreas e secas em outras, chuvas ácidas, redução da fotossíntese nas plantas, danos gravíssimos à agricultura e doenças respiratórias nos seres humanos. Apesar de ser originária e localizada na Ásia, a "nuvem marrom" pode atingir outros continentes, transportada pelos ventos nos extratos superiores da atmosfera, circunavegando o planeta em menos de duas semanas. |
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