Revista "MUNDO e MISSÃO"
Ecologia
| A guerra pela água
Mais de um bilhão de pessoas não dispõem de água salubre e 25 mil entre elas morrem diariamente, devido à má qualidade das águas que usam e tomam. Atualmente, 35% da população mundial têm uma reserva de água potável entre baixa ou extremamente baixa. Em 2025, 75% da população mundial estarão nessa mesma situação, tanto que prof. Igor Shiklomanov, diretor do Instituto de Hidrologia da Rússia, numa pesquisa para a UNESCO, avisa que, para evitarmos uma catástrofe pela falta de água, devemos desde já racionalizar o seu uso e sermos mais parcimoniosos. O professor alerta ainda que é preciso encontrar novas técnicas e mecanismos de reciclagem das águas usadas e de dessalinização das águas marinhas. Mas alerta que os países em desenvolvimento, pela pobreza e falta de recursos, estão ainda mais sujeitos aos prejuízos da falta de água, porque tudo isso se torna particularmente oneroso e insuportável para eles. Uma nova mentalidade Nos países ocidentais, estamos acostumados a um fornecimento limpo
e abundante de água e muita gente acha que o uso é gratuito
e inesgotável. Apesar de vez ou outra termos cortes de fornecimento
ou, em lugares mais precários, até racionamento, não
entendemos ainda que a água tem um valor comercial muito importante,
tanto que já está sendo batizada de ouro azul. Tivemos o
ouro amarelo, ou seja, o metal, depois o ouro preto, o petróleo,
que - a partir dos anos 60 - causou enormes crises econômicas em
países não produtores desse elemento. Agora, já se
começa a perceber que, no próximo século, o que mandará
na política internacional e poderá ser motivo de guerra,
será o ouro azul, ou seja, a água, cada vez mais necessária
à crescente população do mundo e, portanto, à
indústria e à agricultura. Países ricos e países pobres Nove países dividem cerca de 60% das fontes renováveis
de água doce do mundo. São em ordem de quantidade hídrica:
Brasil (6.220 bilhões de m3), Rússia (4.059 - sempre em
bilhões de metros cúbicos), Estados Unidos (3.760), Canadá
(3.290), China (2.800), Indonésia (2.530), Índia (1.850),
Colômbia (1.200), Peru (1.100). Em seguida, vêm os quinze
países da União Européia: 1.171 bilhões de
m3. Fonte: UNESCO |
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