| ÉTICA DO MEIO AMBIENTE
Marcos Peixoto Mello Gonçalves
A ética do meio ambiente começa pelo reconhecimento do
valor da natureza para a preservação da espécie humana:
da importância da fauna, da flora, da variedade das espécies
animais, da vida selvagem, do ar puro e da água limpa para a vida
dos seres humanos. Trata-se do reconhecimento de uma qualidade que a natureza
objetivamente possui: a de possibilitar e garantir a nossa sobrevivência
física e o nosso desenvolvimento social.
É fato: sem a ajuda uns dos outros, todos morreríamos. Mas
essa ajuda tem de ser estruturada. E é. A ajuda é estruturada
através das instituições. A forma das instituições
depende dos valores que nascem no interior das culturas. E a cultura expressa-se
através de uma mentalidade ou cosmovisão.
A ameaça de escassez de recursos naturais, tais como o ar puro
e a água limpa, a poluição da atmosfera até
transformá-la em uma estufa a esquentar insuportavelmente a Terra
inteira, a destruição da camada de ozônio que nos
protege dos raios solares cancerígenos, a extinção
de algumas espécies animais e a ameaça de extinção
de muitas outras, a destruição da vida selvagem, são
realidades, dentre outras, que despertaram a "consciência ecológica",
ou seja, da natureza como a casa dos seres humanos.
Destruir a casa da espécie humana, a natureza, pois, é uma
tremenda injustiça. Uma injustiça para com a nossa geração
e, maior ainda, para com as gerações futuras, dos nossos
descendentes. Parcelas cada vez mais expressivas da população,
então, tomam consciência dessa injustiça. E da consciência
daquilo que é injusto nasce o Direito, como reivindicação
de justiça e garantia contra a injustiça. É justo
e necessário, portanto, reconhecer o valor do meio ambiente natural.
Por essa razão, a autoridade social, através do Estado,
tem editado normas jurídicas de proteção ao meio
ambiente. A lei tipifica condutas que agridem o meio ambiente e as torna
criminosas. Os estudiosos do Direito sistematizam um ramo novo da ciência
jurídica, batizando-o de Direito Ambiental.
A ética do meio ambiente também já é uma exigência
da economia. Os estudiosos da ciência econômica e parcelas
dos próprios agentes econômicos já pensam em um estilo
de desenvolvimento que respeite o meio ambiente, condicionando os investimentos
a esse novo paradigma. E no plano político, o valor do meio ambiente,
no mundo democrático, é especialmente defendido pelos chamados
partidos verdes.
Destarte, o Dicionário Oxford de Filosofia, de Simon Blackburn,
traz o seguinte verbete a respeito da ética do meio ambiente: "Em
geral, a ética lida com problemas suscitados pelos desejos e necessidades
humanos: a obtenção de felicidade ou a distribuição
de bens. Quando se pensa especificamente acerca do meio ambiente, o problema
central consiste na atribuição de valor independente a coisas
como a preservação das espécies ou a proteção
da vida selvagem. Essa proteção pode ser defendida como
um meio para garantir as necessidades humanas básicas, encarando
os animais, por exemplo, como uma fonte futura de medicamentos, ou de
outros benefícios. No entanto, muitos filósofos desejariam
reivindicar um valor absoluto e não utilitarista para a existência
de locais e seres selvagens; seu valor é precisamente sua independência
em relação à vida humana: "eles nos reduzem
à nossa importância relativa". Não conseguir
apreciar isso não é apenas uma incapacidade estética,
mas também uma falta de humildade e de respeito: é uma incapacidade
moral. O problema consiste em conseguir exprimir esse valor e usá-lo
contra os argumentos utilitaristas que defendem a urbanização
de áreas naturais e a exterminação das espécies
de forma um tanto arbitrária."
Que tal, então, participar de uma das tantas organizações
não governamentais de defesa do meio natural, sabendo que se está
lutando para garantir a sobrevivência da própria espécie
humana?
Prof. da Universidade Presbiteriana Mackenzie
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