Revista "MUNDO e MISSÃO"
Ecologia
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Por amor a natureza Claudia Villalobos Palacios Dois camponeses mexicanos, Rodolfo Montiel Flores e
Teodoro Cabrera,
Tudo começou na Serra de Petatlán e Coyuca de Catalán, no Estado de Guerrero, México. Aqui, nos últimos oito anos, aumentou de maneira alarmante o desmatamento. Entre 1992 e 2000, perderam-se 86 mil hectares de floresta dos 226 mil que existiam, correspondentes a 38%. Entre os danos produzidos pelo desmatamento, há a seca e a conseqüente perda das colheitas. A escassez de água afetou o nível dos rios; antes, eles eram caudalosos; agora são pequenos fios de água contaminada nos quais não é possível pescar. Nove municípios estão afetados; no ano passado, dois foram declarados zonas de desastre pela seca. A destruição da vegetação provocou um aumento de 446% do solo árido em oito anos: em 1992, havia 37.636 de solo árido; em 2000, a cifra aumentou para 130.595 hectares. Antecedentes Vejamos um pouco de história. Em 1995, Rubén Figueroa Alcocer, então governador do Estado de Guerrero, concedeu o direito exclusivo de compra e exploração da madeira da Costa Grande à companhia norte-americana Boise Cascade, que intensificou o desmatamento. Para deter a destruição de seu meio ambiente, Rodolfo Montiel, Teodoro Cabrera e outros vizinhos fundaram, em 1998, a Organização de Camponeses Ecologistas da Serra de Petatlán e Coyuca de Catalán (OCESPCC). Bloquearam estradas para impedir que saíssem cargas de madeira, denunciaram às autoridades o corte excessivo de árvores e pediram aos órgãos competentes apoio para reflorestar a região. Sob as pressões dos camponeses, a companhia Boise Cascade saiu do local, mas houve também reações negativas: eles foram acusados de ser um grupo armado que queria ocupar os bosques para fins ilícitos, e assim começou a perseguição. No dia dois de maio de 1999, Cabrera e Montiel foram detidos ilegalmente por oficiais do exército. Guardaram-nos sem possibilidade de comunicação, durante cinco dias, e foram torturados para que se declarassem culpados de plantar maconha e de possuir armas de uso exclusivo do exército. Rodolfo foi condenado a seis anos e oito meses de prisão e Teodoro, a 10 anos.
Os camponeses ecologistas Rodolfo Montiel e Teodoro Cabrera estão presos porque fizeram o trabalho que deveria estar fazendo a Profepa (órgão do governo), cuja responsabilidade é vigiar para que se respeite a lei ambiental e proteger os recursos naturais, afirmou Alejandro Calvillo, diretor de Greenpeace México. A tortura que sofreram esses dois homens foi confirmada pela Comissão Nacional de Direitos Humanos e pelos Médicos pelos Direitos Humanos da Dinamarca, depois de exames minuciosos. Apesar de ter sido feita a apelação, o Tribunal Superior de Justiça ratificou a sentença condenatória no dia 17 de julho. Além disso, a defesa teve de enfrentar um processo jurídico caracterizado por irregularidades que demonstram claramente a parcialidade com que atuaram as autoridades envolvidas, declararam os advogados e representantes do Centro de Direitos Humanos Miguel Agustín Pro Juarez. Prêmios Apesar de estarem atrás das grades e serem vítimas de muitas injustiças, os camponeses ecologistas prometem que, quando recobrarem a liberdade, continuarão sua luta em defesa do meio ambiente: Quando sairmos, vamos continuar fazendo a mesma coisa, apesar de que, quando nos torturavam, nos ameaçavam dizendo: Não cometam o mesmo crime, porque iremos aplicar-lhe o dobro da pena. Estamos presos; porém, nossos pensamentos e nosso amor pela mata são livres.
Durante este período de prisão, Rodolfo foi condecorado, pela sua luta pacifista, com prêmios de organizações nacionais e internacionais emfavor da defesa dos direitos humanos e do meio ambiente. Recebeu os prêmios Goldman, correspondente ao Nobel do meio ambiente, Serra Club, Chico Mendes, Medalha Roque Dalton e outros. Além disso, Montiel e Cabrera foram declarados presos de consciência pela Anistia Internacional. A partir do dia em que foram presos, Ubalda Cortés, esposa de Rodolfo, assumiu sozinha a responsabilidade de suprir as necessidades de seus filhos e, ao mesmo tempo, de divulgar o caso do marido. Mas teve que abandonar sua comunidade pelas ameaças e hostilidades que ela e sua família sofreram. Agora vive em uma cidade próxima, apertada com seus filhos em dois quartos. Desde que prenderam meu marido, tem sido muito difícil para meus filhos, explicou dona Ubalda. Minha mãe anda sofrendo disse Claudia, a filha mais velha . Ela vai trabalhar de manhã cedo e, às vezes, volta à noite. Eu sou casada, mas vim ajudá-la. Claudia Palacios é jornalista da Esquila Misional |
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