Revista "MUNDO e MISSÃO"

Cultura - Culturas

O Tempo do Natal: Os cristãos do Ocidente celebram o Natal de Jesus a 25 de dezembro e os cristãos do Oriente o celebram a 6 de janeiro.

Quando nasceu Jesus? Não sabemos.

No passado não havia a preocupação com data de nascimento. Jesus, por ser hebreu, seguia o calendário judaico. O calendário que seguimos é o romano que, mais tarde, no século VI, foi reformulado pelo papa São Gregório Magno concebendo-o a partir do nascimento de Jesus, de forma simbólica. Tudo isso porque os cristãos, nos séculos anteriores, já tinham o costume de celebrar o Natal de Jesus no dia em que os pagãos comemoravam o nascimento do grande deus-sol, Hermes ou Helios (fogo, luz) que se confundia com o pai dos deuses, Júpiter ou Zeus.

1.º de Janeiro - A Oitava de Natal
Início do Calendário Cristão

De 25 de dezembro a 1.º de janeiro refaz-se um tempo de oito dias, isto é, os 7 dias da criação perfeita, mais o 1.º dia da Nova Criação que tem por cabeça o Novo Adão, Jesus Cristo. Todos esses oito dias são considerados um só dia de festa: é o Natal. As grandes festas, nascimentos, casamentos e funerais, tinham, assim, uma semana de duração.
Janeiro, do latim, Janua, significa porta. Jesus é a porta do novo tempo, da vida nova. Mas, é Deus que entra pela porta humana, nasce homem de uma mulher, Maria. Eis porque os cristãos dedicam o 1.º do ano à Mãe de Deus.

O Nome: JESUS - Também a 1.º de janeiro celebramos o nome de Jesus, palavra hebraica que significa "Deus Salva". Nessa data, o oitavo dia do nascimento, deu-se a circuncisão do menino, sinal de pertença ao povo de Deus. Nesse dia, Jesus recebeu o seu nome como o Anjo Gabriel havia determinado a Maria.

O Nome: BELÉM - Palavra hebraica, significa Casa do Pão. Jesus é o Pão da Vida descido do Céu, que alimenta todos os homens em peregrinação no "deserto" dessa vida.
"Eu sou o pão da vida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele". (Jo 6,56)

6 de janeiro - Epifania do Senhor ou Dia de Reis
No décimo segundo dia (12.º) do nascimento de Jesus, temos um tempo zodiacal perfeitíssimo: lembra-nos os doze meses da órbita da terra em torno do sol. Cumpriu-se o tempo; a todos os povos Deus se manifesta num menino frágil. Os reis magos vieram até Belém adorá-lo. Três são os reis: Gaspar, Baltazar e Melquior, pois três eram as raças conhecidas de então: a branca, a negra e a asiática. É todo o universo que reconhece o Deus Menino como o Senhor, "Sol nascente que nos veio visitar".

As ofertas dos reis

  • Ouro: é o metal nobre, do poder e, também, o metal da divindade, o mais precioso, aquele que reluz. Jesus é Rei.
  • Incenso: é o perfume dos deuses, do louvor, da ação de graças, do alto, da oração que sobe. Jesus é Deus.
  • Mirra: é a planta de unção dos mortos que indica a ressurreição do Cristo. Jesus é o Senhor.

O Natal e o Tempo Litúrgico

Ciclicamente, o Natal do Senhor não comemora um aniversário do passado, mas é o tempo forte em que os cristãos gritam: MARANATHÁ, VEM SENHOR JESUS! Cada ano, os cristãos aguardam a segunda vinda do Senhor na Glória. Ele, que veio uma vez na carne, agora é esperado, de fato, como o Senhor do tempo e Cosmo, de tudo. Para tão nobre vinda requer-nos uma preparação de 4 domingos chamados liturgicamente de TEMPO DO ADVENTO. Esse tempo precede o Natal.

O Advento

Preparação para o Natal e espera da segunda vinda do Senhor. O Natal não surge de improviso. É precedido pelo tempo do Advento, termo que significa vinda, visita, aparição, presença. Com muita seriedade, os cristãos, desde os primeiros séculos, vivem esse período como um tempo de preparação, de vigília para o encontro com o Senhor que virá. Oração, ascese, jejum, foram e são as marcas do Advento. A cor do Advento é o roxo. As leituras da Escritura de cada um dos 4 domingos nos preparam para a chegada da luz plena, o Salvador. Nem por isso deixa de ser um Tempo de Alegria. Jesus, deus que salva, Deus conosco, é o Senhor do Cosmo e do Tempo. É o meu e nosso Senhor.

  • 25 de março: Nesse dia dá-se o equinócio da primavera no hemisfério norte. A terra começa a girar mais próxima do sol. Os brotos das árvores, as folhas começam a despontar. "Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o justo; abra-se a terra e brote o Salvador" Is 45,8. O Anjo do Senhor anunciou a Maria que Ela seria a Mãe do Salvador e, Ela, aceitando a Vontade do Senhor, disse Sim e a Palavra se fez carne, concebida do Espírito Santo. É pena que o 25 de março quase não é celebrado o que pode significar que não mais acreditamos em Deus Salvador, Jesus. Esse dia passa como outro qualquer e o Natal vai perdendo seu sentido.
  • 25 de dezembro: Nove meses depois, a 25 de dezembro, no solstício de inverno, simbolicamente, nasce Jesus, o Salvador, a nova luz que desponta na noite mais longa da humanidade. O Divino desposa o humano e assim, dá-se início à uma nova criação redimida.
  • 2 de fevereiro: A dois de fevereiro, quarenta dias após o nascimento do Senhor, celebramos a Apresentação de Jesus no Seu templo. É a festa do encontro de Deus com o seu povo, Jesus, o verdadeiro Deus e templo. É também chamada a Festa das luzes. Ele, a luz que tudo aclara, levará os homens a decidirem-se: a luz ou as trevas. Antigo costume, nesse dia, é a procissão das velas de uma igreja para outra. As velas revelam serem os batizados, iluminados, que optaram e receberam a luz. Essa Festa também é conhecida como Purificação de Nossa Senhora, pois no judaísmo de então e no cristianismo, até bem pouco tempo, as mulheres que davam à luz saíam de casa só após 40 dias, indo primeiro ao templo para se purificarem, isto é, levavam o fruto de seu ventre para renascer espiritualmente. Cada filho era considerado dom da graça e não ato humano.

A Noite de Natal: São celebradas três Missas ao Deus Três Vezes Santo: a Missa da Noite ou do Galo, por volta da meia-noite; a Missa da Aurora, bem cedo; a Missa do Dia, ao meio-dia ou a qualquer hora. Na noite do 24 para o 25 de dezembro, com a igreja na penumbra e num grande silêncio, inicia-se a Santa Missa com uma pequena procissão à luz de velas.

O celebrante pode conduzir uma escultura do Menino Jesus até o Presépio ou levar um ícone (quadro) do Presépio até debaixo do Altar ou do Ambão, depositá-lo no chão com muitas velinhas e flores. O Altar faz referência à verdadeira manjedoura, sinal de vida, morte e ressurreição do Senhor. O início da solenidade dá-se com a proclamação ou o canto das Kalendas.

Por que celebrar o Natal a cada ano? Jesus não é uma tradição anual, não é um mito nem fábula. Jesus é parte verdadeira da nossa história, e, todos os domingos, em cada Santa Missa, Ele renasce, morre e ressuscita. Portanto, o ponto alto da Celebração Natalina, é o anúncio e a manifestação de Deus que se faz presente dizendo-nos "TU ÉS O MEU FILHO, EU HOJE TE GEREI". (Sl 2,7) Não podemos assim, celebrar o aniversário d'AQUELE que se faz presente no nosso hoje. D'AQUELE QUE VIVE e é o Senhor da História. "Aquele que era, que é e que vem", Senhor de todas as gerações.

A gruta de Belém, agora, é a comunidade cristã que o celebra, assim como é o corpo de cada cristão. "Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo?". (1 Cor 6,19) A manjedoura é o Altar do Sacrifício Eucarístico, da Santa Missa, lugar do nascimento, morte e ressurreição; Belém, assim, está em todas as regiões do mundo para os homens de todas as gerações.

Por que a Árvore de Natal? A árvore é sinal de vida e está ligada à idéia da árvore do paraíso. É também sinal de genealogia, de família, povo. Fazemos parte do povo de Deus. Assim, Jessé, pai de Davi, dormindo, sonha vendo surgir de sua pessoa uma espécie de árvore onde estão representados os antepassados de Jesus. Ao alto, Maria com Jesus Menino. "Sairá uma vara do tronco de Jessé e uma flor brotará de sua raiz. Repousará sobre ele o Espírito do Senhor." (Is 11, 1-2)

Costuma-se fazer árvores enfeitadas com estrelas e velas junto do presépio indicando-nos que pertencemos à grande família de Deus, aqui onde nos encontramos. O próprio Jesus indica-nos ser Ele mesmo o tronco duma videira e não os seus ramos. Só tem vida quem n'Ele está enxertado.

Por que fazer o Presépio? Desde os primeiros séculos tem-se o costume de fazer presépios através de pinturas nas paredes, vitrais, esculturas em pedra nos capitéis ou sarcófagos em igrejas, imagens de madeira, barro ou outro material. A necessidade física de se tocar com as mãos, os olhos, os sentidos... vem do grande fato cristão que se celebra no próprio Natal:

O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO - Deus se fez carne, imagem e semelhança nossa - desceu até o profundo do nosso abismo e ser, engrandeceu-nos, recuperou a nossa vida, nosso espírito, alma e corpo por inteiro. Deus não ficou distante, nem permaneceu "super Deus". Depois, Deus habita nos cristãos, nas pessoas e comunidade que o celebra. Fazer presépios nas igrejas, lojas, fábricas, parques, casas é reconhecer que Deus nos ama e está conosco, lá onde vivemos. Recuperar poeticamente a gruta, a manjedoura, o campo dos pastores, a Virgem Maria e José, os reis magos é colocar-se "espiritualmente" com eles; é fazer parte do primeiro grupo de pessoas que acolheu Deus entre os homens, Jesus.

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