Revista "MUNDO e MISSÃO"

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A América Latina
entre o esbanjamento e a corrupção

da redação

o México, onde 45% da população vive com menos de US$ 2 por dia, um funcionário utilizou 12.500 dólares de uma estatal para pagar uma lipoaspiração em sua esposa; a casa presidencial comprou um jogo de lençóis por 5.300 e um diplomata adquiriu seis colchões e sete travesseiros por 11.700. No Panamá, a ex-presidenta Mireya Moscovo (1999-2004) gastou, só em 2003, 87.000 dólares em jóias, 110.000 em roupas e artigos de luxo e 70.000 em enfeites natalinos, informa Inforpress Centroamericana. Estes são apenas alguns exemplos do esbanjamento do dinheiro público por altos funcionários, que se somam aos numerosos casos de subornos e desfalques.

Segundo Jaime López, diretor executivo de Probidad, entidade com sede em El Salvador, que se dedica à erradicação da corrupção na América Latina, existem redes internacionais para fomentar a corrupção nos países, e os principais prejudicados são os setores mais frágeis da sociedade, já que o dinheiro destinado ao social se desvia para contas particulares. “Está comprovado que a corrupção afeta os direitos à saúde e à educação, entre outros fundamentais, e contribui, portanto, para favorecer a exclusão social. Um dos problemas-chave é a absoluta impunidade das empresas que pagam suborno e comissões ilegais”, assinalou López.

A corrupção no Brasil

Setores independentes da imprensa mostram, com freqüência, os conluios políticos em busca de votos, os “toma-lá-dá-cá” de propinas e chantagens, grilagens de terras e de direitos, mortes anunciadas, superfaturamento de obras públicas, escândalos financeiros e remessas ilegais de dinheiro para paraísos fiscais. A classe média, assistindo a esse espetáculo constrangedor, e sufocada pelo pantagruélico apetite tributário do Estado, também descobriu meios para fugir do torniquete e burla, a seu “jeitinho”, o já tão corrompido fisco. Assim, a histórica impunidade que acoberta as instituições políticas contaminou a sociedade civil e cria, principalmente entre os excluídos, um sentimento de revolta silenciosa.

A corrupção aumenta

A Transparência Internacional (TI), organização não-governamental que estuda a corrupção administrativa, publicou, em outubro de 2004, o Índice de Percepção de Corrupção (IPC) 2004, que mede os níveis de corrupção de um país através de pesquisas a instituições, empresários, executivos e peritos. O IPC é elaborado desde 1995, quando envolveu 42 países do mundo. A amostra deste ano incluiu 146 países. A qualificação vai de zero a dez, onde o maior valor corresponde à menor corrupção.

O Chile, como em oportunidades anteriores, registra o IPC mais alto da região, com a pontuação de 7,4 (e é o menos corrupto da região). Dos 25 países latino-americanos e caribenhos avaliados, dez não chegam nem a 3,0, pontuação abaixo da qual a TI considera que existem graves problemas de corrupção real. Os países com pior desempenho são o Paraguai, na 140.ª posição, e o Haiti, na 145.ª posição.

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