Revista "MUNDO e MISSÃO"
Atualidades no Mundo - Américas
por Grígory Mendes Um país que arde
Enormes caminhões, abarrotados com esses dois produtos, ingressam diariamente na capital, segundo Notícias Aliadas. Com esta fonte de energia, o Haiti cozinha a maior parte dos alimentos, faz pão, destila álcool e passa roupas. Além de ser combustível para a maioria das pessoas, carvão e lenha estão entre os poucos produtos comerciais da zona rural, pois a agricultura de alimentos vêm diminuindo, à medida em que o solo se deteriora e os produtos estrangeiros invadem o mercado, em detrimento dos bens de consumo locais. Até agora, nenhum dos governos tomou providências sérias para o problema. Enquanto isso, as catástrofes climáticas (ciclones, inundações e secas) provocam desastres humanos, cada vez mais agressivos. O desmatamento é parte de um permanente desastre ambiental que, recentemente, matou mais de 2.700 haitianos e seus vizinhos dominicanos, quando as chuvas lavaram as colinas sem vegetação e inundaram fatalmente os vales. O país chora seus mortos Era a noite de 23 de maio quando as nuvens tormentosas do Caribe se abriram e descarregaram água sobre a Cordilheira de La Selle. A chuva caiu pesada e desceu, implacável, pelas encostas nuas, levando consigo terra, pedras e a vegetação remanescente. As vilas que estavam no caminho não foram obstáculo para a enxurrada de lama e pedras. Ao contrário, aumentaram o volume da morte que descia. Nos vales, represada pelo entulho, a água submergia lavouras, pastagens e casebres. A agência Notícias Aliadas notificou a destruição de 1.807 casas e a danificação de outras 1.288, em Fonds Verettes, no norte da cordilheira. Das 237 pessoas desaparecidas, afirmou a agência, poucos corpos foram encontrados. Os demais ficaram sepultados sob pedras e lodo, ou foram arrastados pela corrente até Jimaní, na República Dominicana, onde também morreram centenas de pessoas. Em Mapou, no sul da cordilheira – continuou a agência –, a água transformou o vale em lago, submergindo casas e árvores e vitimando milhares de pessoas. No total, pelo menos 6.000 famílias (com 5 pessoas por família, em média) foram afetadas, segundo o PMA (Programa Mundial de Alimentos) da ONU. A ajuda alimentícia promovida pelo PMA, está aplacando a fome de cerca de 30.000 vítimas, afirmou Anna Poulsen, sua porta-voz. Porém, a maior parte dos 8 milhões de habitantes do país vive abaixo da linha de pobreza. E, com inundações ou não, perto de 3,8 milhões passam fome todos os dias. Em setembro, outro furacão (Jeanne) varreu novamente o país, deixando um rastro de destruição e mortes: 1.320 mortos, 1.100 feridos e milhares de desabrigados. Reconstrução A reconstrução do país mais pobre da América, deverá custar 1,37 bilhão de dólares, segundo um relatório conjunto (governo interino, BID, Banco Mundial, Comissão Européia e ONU). O Brasil participa ativamente do programa que prevê a criação de novos empregos, coleta de lixo urbano, melhoria de barracos nas periferias de Porto Príncipe, maior fornecimento de energia elétrica, saneamento das áreas atingidas. O carvão vegetal e a lenha, produtos acessíveis, provavelmente continuarão a ser o combustível da maioria dos haitianos. Até quando? |
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