Revista "MUNDO e MISSÃO"

Atualidades no Mundo - Américas

por Gregory Mendes

Colômbia é um país culturalmente rico, mas convive com enormes desigualdades econômicas e sociais. Tradicionais famílias de origem espanhola e grandes proprietários de terras concentram a maior parte da riqueza. Os descendentes de indígenas e de ex-escravos africanos completam a população que convive com a violência, o tráfico de drogas e o medo. A violência, denunciam os camponeses, surge de todo lado.

O exército e os grupos paramilitares de extrema-direita acusam-nos de colaborar com os guerrilheiros das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional), comunistas. A guerrilha, por sua vez, persegue-os com o argumento de que eles denunciam sua presença na área. As populações rurais da província de Antioquia, no noroeste do país, quando conseguem, abandonam as terras devido às ameaças dos guerrilheiros e de combates desencadeados pelo exército e pelos paramilitares.

Antioquia é a região mais militarizada do país: além de seis batalhões do exército e numerosos destacamentos policiais, tem quatro frentes de guerrilha – duas das FARC e duas do ELN – além de dois agrupamentos paramilitares. É rica em recursos. Produz quase a metade da energia que a Colômbia consome e dispõe de outras riquezas naturais. “Não podemos sair para vender e comerciar sem enfrentar maus-tratos do exército e dos paramilitares.

Às vezes, matam-nos e somem conosco, e temos medo”, afirmou um camponês a Notícias Aliadas. Como os companheiros, ele não consegue ganhar a vida com o cultivo de cana-de-açúcar e feijão e nem cuidar dos filhos, desde 2002. 50.000 camponeses, são submetidos a rigoroso bloqueio econômico, além de outros ultrajes, em conseqüência dos conflitos que não têm fim. Combatentes armados e recursos naturais abundantes provocaram indescritíveis crises humanitárias, afrontas aos direitos humanos.

Deslocamentos da população de Granada, execuções e massacres em San Carlos, raptos de camponeses e ataques a médicos e agentes de saúde, são freqüentes. “O objetivo é remover os civis, para levar a cabo operações militares sem testemunhas, isolar o inimigo, e abrir as portas aos grandes projetos econômicos. A estratégia militar é matar de fome os combatentes”, explica Fernando Valência, advogado em Medellín.

As forças de segurança negam as acusações. Argumentam que apenas controlam o fluxo de produtos nas regiões sob o controle da guerrilha. O prefeito de San Carlos não concorda: “os rebeldes reúnem a população, separam as mulheres e assassinam os homens”. Mas o bloqueio econômico é a mais cruel das armas.

O prefeito de Granada, Diego Aristizábal, declarou: “Há dois anos que o exército e os paramilitares submetem o povo ao bloqueio econômico”. A guerrilha não deixa por menos: impede o transporte de produtos e de pessoas. Recentemente as FARC bloquearam Aquitania, argumentando a presença de tropas paramilitares.

Durante meses, no ano passado, o ELN ameaçou motoristas que tentavam escapar da barreira imposta ao redor do povoado de San Luís. E os camponeses, encurralados, não sabem em que mãos devem ficar.

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