Jornal - "MISSÃO JOVEM"

Missão

É fácil perceber que, embora vivamos em tempos de globalização, nossos pensamentos e ações ainda continuam fragmentados, individualizados, paroquianos ... Temos uma visão restrita da realidade e, conseqüentemente, da nossa missão.

É necessário e urgente que nos eduquemos à mundialidade, à convicção de que pertencemos a um mundo só e cada vez mais integrado. Isso favoreceria um olhar e um agir que iriam muito além dos diversos mundinhos locais.

Este desafio sempre esteve presente na ação da Igreja, mas nunca foi tão fundamental e imperioso como hoje.Há

ainda quem afirme que “a missão é aqui”, que os desafios a serem enfrentados e priorizados estão nas realidades locais, entre os católicos não-praticantes, entre os necessitados do bairro ...

Não há dúvida, tudo isso é expressão genuína da missionariedade da Igreja. No entanto, afirma o Concílio: “A Igreja não pode crescer se não manifesta, para quem está longe, a mesma preocupação que tem para quem está perto” (AG 37).

Para ajudar a Igreja brasileira a ampliar os horizontes de sua missão, convidamos, neste serviço especial, a refletir brevemente sobre as problemáticas e a ação missionária nos diferentes continentes.

Igreja européia, que em sua história milenar, protagonizou a evangelização do mundo, atualmente está buscando maneiras incisivas e concretas para reevangelizar a própria Europa, atendendo aos desafios e às expectativas das jovens gerações.

Os bispos europeus, ao mesmo tempo em que se congratulam com o processo de unificação da Europa, dirigem uma série de apelos aos responsáveis políticos, institucionais e culturais europeus, pedindo para que trabalhem em favor da defesa dos direitos humanos, da vida e da família. E acrescentam: “Fazei todos os esforços para que seja garantido aos jovens um futuro verdadeiramente humano através do trabalho, da cultura e da educação com valores morais e espirituais”.

Perspectivas: Apesar de uma evidente descristianização, existem, na Europa, fortes sinais de esperança e a Igreja esta se preparando para “revitalizar” a fé e a vida deste continente.

Esperava-se que a África, liberta do colonialismo, reencontrasse suas raízes e seu equilíbrio.

No entanto, após a colonização européia, foi o continente que conheceu os maiores problemas: intermináveis guerras civis, absurdas e sem sentido; ditaduras desumanas e violentas; dizimação em massa de inúmeros povos; o maior número de refugiados e prófugos; 17 milhões de pessoas com fome crônica; e, ultimamente, a maior incidência de Aids (20 milhões de infectados, ou 2/3 do total mundial).

A modernidade, levada pelo “progresso ocidental”, contribuiu para desarraigar o africano de sua cultura e lançá-lo num jogo ambíguo entre fidelidade às tradições e marginalidade tecnológica. Esse vazio causou explosões coletivas, muitas vezes encabeçadas por líderes despreparados ou exaltados, que canalizam esse desespero para massacres étnicos e seitas fanáticas.

Atualmente, a África joga os dados de seu futuro. Haverá uma revitalização das culturas tradicionais? O que dizer do avanço dos muçulmanos? Como o cristianismo fará sua inculturação? Como será resolvida a questão da fome e da Aids? E os conflitos étnicos?

A Oceania é um continente extremamente rico, formado pela Austrália, Nova Zelândia e uma enorme quantidade de ilhas espalhadas pelo oceano Pacífico.

O continente tem duas características bem distintas:

- De um lado, as populações da Austrália e da Nova Zelândia: avançadas e ricas, com todos os problemas que daí advêm, como, por exemplo, a corrida ao consumismo, a exploração de culturas minoritárias ...

- Por outro lado, o continente dos fracos. Os indígenas, por exemplo, cujos valores tradicionais, como o sentido do sagrado, o respeito pela autoridade e pela tradição, o apreço pela família e pela comunidade, a alegria de viver em sintonia com a natureza ... correm o risco de serem varridos pelo modelo capitalista cada vez mais opressivo.

O Sínodo dos Bispos da Oceania (1998) deixou evidente que, entre as terras de missão, a Oceania merece um destaque especial, já que há dioceses que estão ainda na etapa da primeira evangelização.

Entre os problemas a serem enfrentados, os bispos destacaram: a indiferença religiosa, a desagregação familiar, a falta de clero, a agressividade das seitas, as grandes distâncias entre as comunidades cristãs, etc.

Como urgências, os bispos apontaram: a inculturação da fé, uma pastoral da juventude e das vocações mais incisiva, maior participação dos leigos e a defesa das minorias étnicas, etc.

No campo da inculturação já houve um grande avanço: liturgias nas línguas locais, edifícios de culto construídos em harmonia com a tradição, emprego do simbolismo indígena nos casamentos e nos funerais, tradução da Bíblia nas línguas locais ...

O continente das Américas é dividido por uma grande barreira, não é de ordem geográfica, mas social e econômica.

O Sínodo da América (1997) se preocupou com a unidade do Continente: “A Igreja, já no limiar do terceiro milênio da era cristã e numa época em que caíram muitas barreiras e fronteiras ideológicas, sente como um dever iniludível unir todos os povos que formam este grande Continente e, ao mesmo tempo, a partir da missão religiosa que lhe é própria, incentivar o espírito solidário entre todos eles ”.

A escolha de usar a palavra no singular expressa a exigência para que se estreitem os vínculos entre os países das Américas, que a Igreja deseja favorecer.

Após mais de 500 anos de pregação da Boa Nova no continente, a Igreja e a sociedade encontram-se marcadas por valores que podem ser considerados patrimônio de todos os habitantes das Américas.

VALORES

Os frutos de santidade: Entre os seus Santos, o continente conta numerosos mártires: bispos e presbíteros, religiosos e leigos, que, com o seu sangue, banharam estas nações.

A piedade popular: Ela assume uma importância especial como lugar de encontro com Cristo para aqueles que, com espírito de pobreza e humildade de coração, buscam a Deus com sinceridade (Mt 11, 25).

O empenho na educação e ação social: A Igreja contribuiu muito na formação humana e cristã dos americanos. Particularmente decisiva foi a sua luta pelo respeito aos direitos humanos. Isso favoreceu a prática, em todo o continente, de sistemas políticos mais democráticos.

DESAFIOS

O fenômeno da globalização: As repercussões podem ser positivas, no sentido de proporcionar maior crescimento das relações entre os diversos países no âmbito econômico e, como conseqüência, favorecer um processo de unidade e solidariedade entre os povos.

A Igreja se Incultura

Porém, se a globalização for dirigida pelas puras leis do mercado, aplicadas conforme a conveniência dos mais poderosos, as conseqüências só podem ser negativas.

A urbanização: Um fenômeno em rápido crescimento também nas Américas. Dentre as causas sobressaem a pobreza das zonas rurais, onde faltam serviços públicos, comunicações, estruturas educacionais e sanitárias.

A dívida externa: O pagamento dos juros constitui para a economia das nações mais pobres um peso tremendo, já que priva a educação, a saúde e o emprego do dinheiro necessário para o desenvolvimento social.

A corrupção: É outra praga que envolve estruturas públicas e privadas de poder. Essa situação favorece a impunidade, a acumulação ilícita de dinheiro e uma falta de confiança nas instituições públicas.

O comércio e o consumo de droga: Isso se constitui numa séria ameaça para as estruturas sociais das nações americanas, já que, favorecendo a violência, a droga destrói a vida física e psicológica de muitos indivíduos, sobretudo a dos jovens.

Mauri Luiz Heerdt

A simples apresentação de alguns dados mostra a grandiosidade do continente, que, com seus 3,6 bilhões de habitantes, detém 60% da população mundial e a maior taxa de natalidade.

Política e economicamente, alguns países da Ásia estão se tornando grandes potências com influências nas decisões mundiais.

Nesse imenso universo de povos, línguas, culturas e religiões, existe um reduzido grupo de 80 milhões de católicos, dos quais 53 milhões se encontram nas Filipinas; o resto subdivide-se em pequenas comunidades cristãs, presentes em quase todos os países, às vezes clandestinas porque perseguidas pelos governos, como acontece no Nepal, Tibete, China e em alguns países dominados pelo islamismo.

A Ásia, cujas culturas tradicionais estão se defrontando com valores da modernidade, continua sendo muito importante para a Igreja. Além da conversão através do testemunho de missionários e cristãos, o cristianismo está buscando o diálogo sobre questões concretas do ser humano oriental.

PARA REFLETIR:

1. “A Igreja é por sua natureza missionária”. O que signi-fica esta afirmação?

2. Lembre uma característica de cada continente , conforme este serviço especial.

3. Quais os problemas que mais preocupam a Igreja missionária no alvorecer do terceiro milênio?

4. De que maneira estas realidades podem estar presentes em nossas reflexões, orações e celebrações, como também na ação pastoral de nossa comunidade, grupo...?

5. O que vamos fazer neste Mês Missionário?

A América Latina é o Continente da Esperança (Paulo VI)

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